"Morte em Veneza" por Thomas Mann
Este é, por um motivo, um dos meus livros favoritos, pensei realmente muito se eu deveria escrever e principalmente postar esta análise aqui, mas, com a morte do ator que deu a sua vida ao interpretar o quase protagonista deste livro, eu me senti na obrigação de esclarecer algumas coisas, tanto por mim, quanto por vocês, que leem meu blog.
Por esses motivos, a review de hoje pode ser um tanto quanto séria, com piadas reduzidas, porque este é um livro complexo, não por ter linguagem estranha ou por ser muito longo, na realidade, ele tem apenas noventa e sete (97) páginas na versão que eu possuo.
Nelas somos apresentados a história da viagem de Gustav Von Aschenbach, um velho escritor alemão que viaja para a cidade de Veneza para passar suas últimas férias, afinal ele está para morrer. Nesta viagem, Aschenbach fica em um hotel de luxo onde a história irá se desenrolar, como ele é muito famoso, o dono do hotel rapidamente o reconhece e o coloca em uma das melhores suítes, com visão para a (deprimente) praia de Veneza. Enquanto Aschenbach está no hotel aproveitando suas últimas férias, mais especificamente após o jantar do primeiro ou segundo dia de sua estadia, ele encontra uma família que ELE julga ser eslava, composta de uma governanta, uma madame, três garotas que - segundo Aschenbach - pareciam ter saido de um convento, e o belíssimo filho da família, um jovem de uns QUATORZE ou QUINZE, no máximo, anos, este vira o objeto de admiração do escritor, que começa a perseguir o garoto (mesmo que as vezes pareça o contrário) por toda parte. Aschenbach tenta a todo momento descobrir quem ele é, onde ele está, e até o que está fazendo ou pensando, sempre passando por uma forma de admiração; algumas vezes ele assume estar obcecado de fato, o que não muda o pensamento de estranheza. Em suas observações (encaradas serão descartadas pois ele é um velho alemão, ou seja, encara até a alma do sujeito), Aschenbach descobre que:
A) O garoto tem nome, e é Tadzio (Tadeu)
B) Veneza está atacada por uma peste
Ainda obcecado pelo Tadzio, Aschenbach começa a se preosupar com a segurança de seu muso e a família, surtando no processo; na adaptação do cinema, ele, preocupado, vai falar com a família de Tadzio, avisando-os sobre a peste e demonstra a sua preocupação, sobretudo com Tadzio, para a mãe do garoto, e este momento marca uma interação entre os dois, pela primeira vez, Ainda preocupado, ele observa os outros hospedes partirem, enquanto ele ainda permanece no hotel, afinal Tadzio ainda está lá.
No último ou penúltimo capítulo, Aschenbach descobre que a família de Tadzio está indo embora, e é tomado por uma absurda tristeza, que o leva a sentar em uma barraquinha que ele alugara por toda sua estadia, olhando para o mar, é ali que ele vê Tadzio pela última vez, antes do garoto ir embora e antes de Aschenbach morrer, para a alegria (?) deste, Tadzio se vira para Aschenbach antes do velho morrer, e acena um adeus.
Para minhas considerações, depois de pensar muito, eu devo dizer que eu observei a história, assim como eu observo muitas outras, do ponto de vista de uma pessoa separada, eu não visualizei como se eu fosse o Aschenbach, mas sim como se eu estivesse ao lado dele, por isto, concordei com sua perspectiva de o quão bonito, perfeito, jovial e principalmente livre o Tadzio parecia, principalmente em comparação a suas irmãs; em nenhum momento eu achei aceitável um velho com o pé na cova ficar obcecado por um garoto e ter pensamentos que eu teria sobre o Tadzio, porém também não estou em local de julga-lo pois já fiz a mesma coisa , em proporções menores, que ele. Por outro lado, eu também vi a história como alguém que, provavelmente, já foi ou ainda é objeto de admiração de alguém, assim, não só por termos a mesma idade quando eu li, eu meio que me coloquei no local do próprio Tadzio.
Dito tudo isto, eu concluo que o Aschenbach é um velho esquisito, que ficou obcecado por um garoto qualquer por ele ser muito bonito, assim como os mitos da Grécia antiga, ainda que o coitado não estivesse fazendo NADA além de ser um jovem qualquer (o que, caso você tenha quatorze anos é legal, pois o Tadzio age como um jovem apenas); o Tadzio corre, brinca, é travesso, acha tudo aquilo uma chatisse, (o filme mostra melhor), ou seja, faz coisas e tem atitudes que QUALQUER UM teria!! O que agrava a esquisitice do velho, mas diminui um pouco a pena do livro no tribunal, porque a perspectiva que o garoto não faz nada e o velho que é maluco se mantém em toda a história, além do que o Aschenbach não faz nada a não ser observar o Tadzio em áreas PÚBLICAS , logo, apenas um esquisitão velho caduco.
Eu até poderia falar sobre a adaptação cinematográfica, como explicar os problemas que o diretor e o próprio filme causaram na vida do Bjorn (ator que interpretou o Tadzio), mas acho que estaria me desviando muito do assunto, por isso, deixo de indicação o documentário "The most Beautiful Boy in the World", que conta muito melhor essa história, pretendo assistir, e talvez, se vocês quiserem eu trago minha review sobre o filme.
Então é isto, muito obrigado por ter lido até aqui, por favor deixe um comentário, apenas se assegure de estar mantendo o respeito, eu sou humana e outras pessoas também :))
Beijossss, Dorothea <33