sábado, 22 de agosto de 2026

O meio acadêmico é uma grande fic e é obrigatório gostar de Star Wars, aparentemente. Analise de "A Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood, que por acaso tem um "a" no começo do nome

 "A Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood 


Depois de muitas reviews sérias e conceito, eu lhes trago uma postagem bobinha e bem água com açúcar, para poderem rir e se divertir lendo. Em homenagem à morte do Wattapad, aplicativo e site de fanfics mais amado pelo povo, eu lhes trago uma grande fanfic que com toda certeza não deveria ter se tornado um livro, "A Hipótese do Amor", conhecido no meu ciclo de amizades pelo infame capítulo 16.

A história de como eu comecei a ler esse livro é bem engraçada. Eu queria ler um livro de romance com um cientista, me recomendaram esse livro. Eu falei que veria pois não era o que eu estava procurando, porém, ao encontrar um livro muito péssimo em uma livraria – que eu queria comprar e não comprei pois era muito péssimo (dark romance não presta) – eu acabei comprando este aqui. A história segue basicamente assim:


Nossa protagonista é Olive Smith, uma coitada que está fazendo seu doutorado em biologia pela universidade de Stanford. Ela estava saindo com um cara chamado Jeremy, porém, notou que ele se dava melhor com sua amiga, a Ahn (não estou de zoeira, esse é o nome dela), e decidiu que seria melhor que os dois ficassem juntos. De forma a acalmar Ahn, sua melhor amiga, e dar certeza que a mesma não estaria sendo uma talarica fura-olho, Olive decide mentir que está saindo com alguém, tanto que nem poderia ir a algum lugar pois tinha um encontro. 

A verdade que não tinha encontro nenhum, e nem namorado, Olive estava mentindo, e usou deste tempinho para agilizar sua pesquisa. Quando ela avista a amiga no prédio da universidade, de modo a fazer com que sua mentira não escapasse, Olive tem a decisão mais sensata que um ser humano poderia ter, ela beija o primeiro cara que ela viu pela frente.

Como todo o livro de romance, esse cara não é qualquer cara, ele é, nesse caso, o jovem, rabugento e prodígio professor dela, Adam Carlsen, basicamente a única pessoa do planeta que ela desejaria não beijar. Olive, então, sente que será processada por assédio e importunação sexual, com toda a razão, e começa a tentar se desculpar e se explicar, dizendo que ela só quer fingir que está saindo com alguém para a amiga ficar tranquila e poder ficar com Jeremy. Para a sorte dela, Adam também precisa fingir ter uma namorada, para que ele continue sendo pago e tenha seus fundos descongelados, pois assim ele teria uma "desculpa" para continuar na Stanford. Unindo o útil com o (des)agradável, os dois concordam em ter um "namoro de mentirinha" até que seus objetivos se concretizem, eles concordam em saírem juntos em público as vezes para poderem entender qual a história que vão inventar e para que todos acreditem.

Namorando o professor, a vida de Olive começa a andar pelo lado profissional, mas azedar um pouco pelo lado pessoal, pois os demais estudantes começam a vê-la com mais olhos e cobrar dela suas insatisfações com Adam, a levando a confrontar ele sem motivos em várias ocasiões. No decorrer do tempo, os dois vão interagindo mais e se tornando mais próximos, eles chegam até a se apaixonar de verdade, porém não acreditam que o outro corresponde a seus sentimentos, então nunca falam.

Ao mesmo tempo que tudo isso está acontecendo, Olive está tentando conseguir uma pareceria com um famoso cientista da área, para que ela possa expandir sua pesquisa em câncer de pâncreas. Para a sorte dela, mais uma vez, o cientista, Tom Benton, aprova sua pesquisa e aceita ver a pesquisa da mesma quando visitar Stanford. Olive está super feliz e animada com essa notícia, se preocupando para fazer seu laboratório parecer perfeito e sua pesquisa incrível, a fim de que seja escolhida e continue a seguir com a pesquisa. Tom chega em Stanford, e Adam vai visitar um "antigo amigo", levando Olive junto, apenas para que ela descubra que o "amigo" é Tom e Tom descubra que a "namorada misteriosa" de Adam é Olive. Momentos meio constrangedores depois, os três começam a conversar e Tom parece mais e mais alinhado a seguir com a ajuda a pesquisa de Olive, deixando-a muito alegre e esperançosa.

Tudo parece ir bem para Olive, Ahn está feliz com Jeremy, Adam é gentil com ela e ela parece se apaixonar cada vez mais, sua pesquisa está andando a belíssimos passos, nada parecia dar errado. Até que , durante uma conferência, Tom a coloca contra a parede e a chama para sair com ele, de modo a que ele aceite trabalhar com ela. Olive recusa e diz estar com Adam, Tom ri e diz que não tem como ela subir na vida se "ela não dormir com alguém" pois sua pesquisa seria péssima, e mesmo que ela contasse a Adam, ele não acreditaria nela e nem ao menos a amava. Essas palavras, junto com as ações completamente invasivas de Tom, quebram o coração de Olive, que começa a se afastar e se afastar de Adam cada vez mais. Quem nota que Olive estava estranha é um de seus amigos, Malcom, que acaba escutando a gravação feita por ela de todo o ocorrido e a influência a falar com Adam. Olive não quer falar com ele, pois está com medo de perder tudo, inclusive Adam, mas acaba cedendo por pressão dos amigos (amém). 

Durante um jantar de Harvard, Olive interrompe tudo e mostra a gravação para Adam, que imediatamente acredita na namorada, confrontando Tom e desce o cacete nele a estilo invejável. Adam e Olive, no final, ficam juntos, pois descobrem que realmente se amam, Tom é expulso e todos ficam felizes, assim a história acaba.


Esse livro é bem água com açúcar e possui uma história muito fraca, quase não tendo grandes revelações, tanto que eu nem lembro as coisas que acontecem entre o que eu contei. No início, eu estava lendo de maneira séria, achando que seria uma boa história, coisa que me levou a muita tristeza e incapacidade de leitura, foi só quando eu comecei a ler isso como uma fanfic escrita por uma garota de 13 anos (coisa que não é, a mulher é uma cientista) que eu realmente me diverti.

A protagonista, Olive, é uma chata. Gostaria de deixar isso claro, ela é absurdamente genérica e insossa. A história de passado dela é literalmente: "sou uma garota sofrida minha mãe morreu e eu sou tão pobre que eu como ar UnU" o que é bem chato, principalmente somado ao fato de que o livro INTEIRO gosta muito de falar o quanto ela é pequena, feia, sem peito, sem substância, sem nada, ela é sem substância mas esse estereótipo de "ain Como sou baixinha" é absurdamente chato, principalmente quando, adivinha? ELA É MAIOR QUE EU! Sim, essa Vagabunda tem 1,70m de altura. Eu tenho 1,60m e só pareço pequena em comparação com meus amigos (porque eles são de países desenvolvidos e tiveram uma alimentação 1000x melhor do que a minha/j), e eu não fico falando sobre o quanto eu sou baixa.

Para completar essa planta chata, o interesse amoroso, Adam. Que homem chato. Além disso ele é feio, tipo, muito feio. Como todo ML de romance, ele é "forte e musculoso", mas não do tipo "forte para conquistar meio mundo e me carregar – uma pessoa não levinha – que nem um saco de batata" mas sim musculoso, o que é uma pena e uma grande perda para a sociedade e para a coerência, porque todos nós sabemos que apenas os professores e acadêmicos de física são fortes e atraentes assim. Ele tem a personalidade de um sapato, porque sofreu um tantinho na juventude, não tem amigos e é super frio, troupes que saturam quando se usa muito, e vai por mim, usam muito essas troupes nos livros de romance atuais. Claro, ele tem seus momentos de claridade em que ele parece minimamente uma pessoa boa, como confrontar o próprio amigo, aquele NOJENTO (sério, a cena dele com a Olive é nojenta e dá raiva real) a favor da namorada e o fato de ele só tentar ser um professor minimamente descente – ainda que aqui tenha outro problema, que é o fato de todo mundo chamar ele de monstro quando o cara é só um professor descente e rígido, algo que irrita – para seus estudantes, mais uma vez talvez ele pudesse brilhar se fosse melhor escrito.

Porém, toda essa falta de personalidade e o sentimento de que tudo que os dois fazem é para que encaixem romanticamente um com o outro é totalmente explicado por um simples fato:

O LIVRO É UMA FANFIC.

E nem é uma fanfic boa, de personagens bons, como "Anatomy of Eden" – não é bias só porque essa fanfic é sobre meu amado Zandik –, é uma fanfic reylo (Rey X Kaylo Ren). Esclarecendo para meus novos leitores, eu já mencionei que eu odeio esse shipp, o que significa que parcialmente eu queria vomitar toda vez que lembrava disso ou simplesmente eu rachava de rir quando contava a um amigo. Outra coisa que me vem ao ódio em relação a isso ser uma fanfic reylo, é que faz com que o ML seja o Adam Driver, quem eu NÃO acho bonito, para ser mais certeira, eu acho ele HORROROSO. Logo, todas as vezes que o livro mencionava o quão "bonito e atraente" o Adam (ambos) do livro era, eu queria vomitar e arremessar o livro na parede, isso aconteceu tanto que eu desenvolvi um ódio e repulsa pelo Adam Driver, tanto que se eu o ver em qualquer coisa, eu nem assisto mais, de tanto que eu o acho insuportável e feio.

Porém porém, por alguma razão, esse livro é absurdamente popular. Não estou de brincadeira quando digo que eu já emprestei esse livro umas duas ou três vezes para outras pessoas, que não só o leram muito rápido, como também mencionaram ama-lo. Eu não consigo entender o que as pessoas vêem nesse livro, ele é engraçado e tem algumas referências bem interessantes, como o Adam movendo uma caminhonete Edward Cullen Style, porém realmente não é nada de mais. Se eu pudesse escolher, eu diria para minha Eu do passado não gastar dinheiro com isso, ainda que eu saiba que ela não escutaria, afinal eu comprei (ganhei do meu amado amigo de aniversário) outro livro dela, que algum dia eu colocarei aqui para que vocês saibam minha opinião.

Uma última coisa que eu acho curiosa e pertinente de botar nesse post é que o personagem do Tom é baseado no marido real da atriz da Ren, e ele foi feito um vilão porque, segundo a autora e muitos fãs, ele "atrapalhava" o shipp dela com o Adam, porém, na adaptação do filme é ele quem faz o papel do Adam, o que tirou boas risadas do fandom como um todo. Realmente não posso reclamar sobre o fandom shippar os personagens e os atores porque isso também aconteceu no meu lado da internet. Vou falar melhor quando eu fizer a review da obra específica, porém, na adaptação de Dorama/live-action de uma novel famosa, o shipp dos personagens principais tornou-se tão popular que nós começamos a querer que os atores ficassem juntos, isso foi tão grande que eles nem podem mais interagir hahaha.


Como esse livro não tem muita história, não tem muito mais o que eu dizer e comentar, além de passar horas e horas explicando coisas que eu já mencionei antes, e eu não quero gastar meu amado latim nisso. Eu pensei muito sobre o quê postar essa semana, já que não terminei nada de interessante esses dias, além de estar totalmente consumida pela minha última obsessão. Porém, como eu sabia que ninguém aqui além de mim gostaria de ler um "Vida e Morte de Temüdjin" em pleno sábado, resolvi ter misericórdia de vocês e escolher esse livro, que é fácil e rápido de escrever sobre. Espero que vocês tenham gostado e tenham tido dessa grande fic que se tornou tão conhecida entre meus amigos, se tornando até uma piada interna para mencionar em conversas aleatórias.

Se vocês gostaram do livro, comprem ele, ou apenas me peçam emprestado, eu irei emprestar com todo o cuidado e alegria do mundo, e ele será ainda mais engraçado, porque vai contar com meus comentários, que segundo minhas amigas, são uma comédia a parte. Como sempre, deixem nos comentários recomendações do que eu posso falar no próximo post (como esse aqui, que foi pedido!), por favor, sejam minimamente legais, eu sou uma pessoa e os outros também, sem comentários ofensivos, apenas para o Adam Driver. E, se vocês quiserem me ouvir/ler falar da minha obsessão, deixem nos comentários.




















Beijosss, Dorothea <333

domingo, 9 de agosto de 2026

Homem bobinho vê uma mulher pela primeira vez na vida e cria uma narrativa inteira na sua cabeça, no fim ele era apenas segunda opção, todos já passamos por isso uma vez na vida. Uma análise de "Noites Brancas", por Fyodor Dostoyevsky, e o russo patético

 "Noites Brancas: Memórias de um Sonhador" por Fyodor Dostoyevsky 


Sou diligente e cumpro minhas promessas, então, estou aqui mais um dia em mais uma semana para entregar meus posts a vocês. Mereço palmas, não mereço? Palmaspalmaspalmas

Brincadeiras a parte, mais uma vez, estou falando de um livro lido para o meu clube de leitura (que agora tem muito mais membros). Porém, como ainda não aconteceu a reunião, nós ainda não falamos sobre esse livro. Então todas as opiniões Serão totalmente minhas e minhas.

O livro tem, na minha edição, cento e doze páginas, porém, apenas noventa ou oitenta delas são para Noites Brancas, as outras são para uma outra história, que mais uma vez eu ainda não li (Caso estejam com dúvidas a edição é a da Penguin Companhia). A história, segue mais ou menos assim:

Seguimos o nosso protagonista sem nome, que é um pobre iludido morador de São Petesburgo. Ele não parece ter um trabalho, nem ser um estudante, apenas é um atoa com muito tempo livre. O período que se passa essa história, contada na visão dele mesmo (mais um livro em primeira pessoa, acho que eu só detesto romantasia mesmo), é um período do verão em que o sol não se põe totalmente, ficando naquela margem do quase poer que é lindíssima. De acordo com o protagonista, todos na cidade viajaram para suas casas de campo, e ele é deixado para vagar solitariamente pela cidade.

Em seus andarilhos solitários cheios de devaneios, ele encontra uma mocinha, chorando as margens de um rio, e tenta conversar com ela para saber o motivo de ela estar a chorar. A mocinha, porém, sai antes que ele possa fazer alguma coisa, e começa a fazer seu caminho de volta para casa (supostamente), deixando-o parado. Neste caminho, ela começa a ser seguida por um homem estranho, que é avistado pelo protagonista, que observava a garota estranha sair. Em um momento de cavalheirismo (o mínimo btw) ele corre até ela e rapidamente toma a sua mão, soltando ao entranho perseguidor um olhar de repreensão que o faz recuar para seu antigo caminho.

Nosso protagonista, então, começa a conversar com a jovem, que parece mais grata e confortável com ele do que assustada por um desconhecido estar segurando a mão dela no absoluto nada. O próprio protagonista pergunta porque ela não está assustada por ele, enquanto pedia desculpas incessantemente porque aparentemente aquela era a primeira vez em que ele tocava em uma mulher; ela apenas diz que ele não a perseguiu e a ajudou, logo é um bom homem. No fim, desse caminho para a casa da moça, os dois conversam e combinam, sobre a promessa de que o protagonista não se apaixonaria por ela, encontrar se mas margens do rio que se viram pela primeira vez.

O dia seguinte começa com os dois se encontrando na margem do mesmo rio, e começam a se apresentar e explicar quem eles são. A mocinha diz se chamar "Nastienka" e que mora com sua avó, uma senhora cega mas rígida com sua neta, que é uma garota travessa e jovem. Ela diz gostar de aprontar e sair, por isso sua avó a prende em casa, com um alfinete em seu vestido por horas e horas. Depois, Nastienka pergunta pelo nome e quem seria o protagonista, ele apenas diz ser um sonhador. Ele se apresenta como um "sonhador", alguém bobo e iludido, algo que a garota não acredita, o levando a iniciar seus devaneios sobre seus antigos sofrimentos. Ele diz que está sozinho e não consegue interagir muito bem com outras pessoas por falar demais sobre muitas coisas e ser meio sem jeito, contando sobre suas falhas de relacionamento. Nastienka ri junto ao homem e parece entender o lado dele, se divertindo em sua companhia, ainda que não saiba e nem tenha interesse aparente em saber seu nome.

Nastienka também conta de que sua avó é dona de uma casa, e aluga o quarto ou apartamento de cima, uma vez, a um ou dois anos, ela alugou para um homem jovem, por quem Nastienka acabou de apaixonando. Esse cara estava fazendo alguma faculdade, e tinha certo dinheiro, para levar Nastienka e sua avó a ópera algumas vezes, além de conversar com Nastienka algumas vezes. 

Ao longo do tempo ele deixa de conversar tanto com ela, e Nastienka, com medo de que ele se vá, principalmente perante aos comentários de sua avó, arruma sua malinha e corre até o quarto/apartamento do jovem, se declarando e chorando. O pobre coitado fica com pena dela e a abraça, dizendo que não conseguiria casar-se com ela naquele momento pois ele ainda era um estudante pobre, porém promete a ela que voltará em um ano e casará com ela. Nastienka aceita a proposta e volta para a casa, um pouco menos infeliz.

Nastienka, então, desengata a chorar e dizer que este homem havia voltado a pouco tempo, porém, até agora não havia a contactado ou buscado por ela, thus o porque de ela estar tão triste e chorando naquele dia. O protagonista, com o coração levemente partido pois ele havia se apaixonado pela Nastienka, propõe que ela mande uma carta ao homem amado, por meio de conhecidos que ela dizia ter. Nastienka fica muito feliz e começa a devaneiar junto ao protagonista de como escreverá a carta, os dois conversam e dialogam um pouco até que ela tira a carta, já escrita, de seu bolso e a  entrega para o protagonista. Ele faz uma piada e pega a carta, Nastienka, então, pede para que ele a entregue na casa de conhecidos para ela e o homem amado, algo que nosso protagonista concorda em fazer.

O dia seguinte chega, e ele, com pesar no coração, entrega a carta a família como pedido por Nastienka. Depois encara o céu e se entristece pela probabilidade de chover, e de não ver Nastienka caso chova. Não choveu e ele vai ao encontro de Nastienka mais uma vez, que se encontra alegre e feliz. O protagonista indaga a ela o motivo de sua felicidade e ela responde que está grata a ele por sua amizade e apoio com seus (de Nastienka) casos amorosos, sem que ele se apaixonasse por ela ou a incomodasse. Ela declara que o ama e que esperava que o homem amado fosse tão bom quanto ele é para ela, ainda que, talvez por ser jovem, não entenda o peso dessas palavras. O protagonista fica arrasado, porém se mantém calado perante a alegria de sua "amiga", que parece ansiosa pela chegada e possível resposta do homem amado.

Os dois acham que viram o dito homem, porém é um alarme falso, utilizado pelo protagonista, então, para dizer que entregara a carta como ela havia pedido, e de narrar sua vida pacata. Nastienka fica ansiosa e começa a reclamar sobre ele "não ter se apaixonado por ela". O barulho do relógio marcando onze horas corta a conversa dos dois, ela então, pede que o protagonista busque mais informações e a avise no dia seguinte sobre o que conseguir. Os dois se separam, Nastienka triste por não ver o amado, mas esperançosa para vê-lo no dia seguinte.

O quarto dia, e último chega, Nastienka está em cóleras, triste, pois seu amado não havia dado nem um sinal de existência. O protagonista a consola enquanto ela esbraveja a falta de respostas de seu amado e chora bastante, ele tenta a acalmar de todos os modos possíveis e até se declara para ela. Nastienka, confusa e triste, aceita os sentimentos dele e promete que desistirá do homem, que aparentemente a ignorou, para ficar com o protagonista, que parece ser uma boa pessoa. Os dois chegam até a planejar como viverão juntos, com Nastienka falando para ele se mudar para a pensão de sua avó para que os dois fiquem juntos e sejam felizes. Neste momento, porém, o homem amado de Nastienka chega, e todo o amor que deveria ser para o protagonista, volta ao dono original, deixando nosso sonhador extremamente arrasado.

A história termina com Nastienka pedindo mil desculpas e dizendo que amava o protagonista também, porém não tanto quanto ama aquele homem, eles ficam juntos e o protagonista volta para a casa, encarando sua tristeza.



Pra mim, o livro possui duas pessoas confusas e iludidas, o protagonista e a Nastienka. Ainda que, obviamente, a visão que nós temos dela não é a correta 100% porque o narrador não é confiável, ela parece com uma garota confusa, talvez por estar apaixonada e ansiosa pelo seu amor ser ou não ser correspondido. Assim, solto meu veredito sobre ela é que ela sabia SIM o que estava fazendo com o protagonista ao dar falsas esperanças para ele com palavras doces, e que ela o iludiu sim. Não que o protagonista seja um completo coitado, ele é um esquisito (fofo) e desconhece como é ser um adulto funcional, afinal ele também é mais velho do que a Nastienka, que é só uma adolescente de seus dezessete ou dezoito anos, e parece sempre muito ansioso e confuso, talvez ele seja apenas tímido e introvertido ou bobo. 

De toda forma, não acho justo como boa parte das sinopses desse livro só colocam ele como o apaixonado e iludido, quando ela também menciona e aparenta gostar dele, como apontado em inúmeras partes do livro. No final, os dois se mereciam e combinavam muito bem um com o outro, sendo genuinamente fofos e com o cheiro de um primeiro relacionamento, fadado a ser uma confusão.


Agora, para minha opinião menos séria e polêmica, que é o que todos estão esperando. O protagonista, que eu nomeei Pavel, porque ele parece um Pavel, é simplesmente um fofo!! Eu já falei milhões de milhares de vezes que gosto de homem patético bobo, plus por ele nunca ter falado com mulher. Ele é o cúmulo do homem patético quando acha que os desconhecidos que ele vê muitas vezes são amigos ou conhecidos silenciosos, ou que as casas falam com ele. O "Pavel" é tão fofinho e amável, desde a primeira palavra que ele falou eu o amei, me apaixonei por ele (?) e me identifiquei com ele. A Nastienka é muito forte e muito verdadeira ao dizer a ele que mulheres gostam de homens patéticos coitados, e que ele seria popular se tentasse falar com alguém. Eu garanto que as palavras de Nastienka seriam corretas, porque ele nem existe e nem falou comigo e eu já quero me casar com ele e ter doze filhos com ele, enchendo ele de beijinhos para parar com seus devaneios auto depreciativos. Se alguém conhecer um russo privet privet melancólico e contemplativo magrelo (porque o "Pavel" é um magrelo esse cara não pode ser nada menos do que um magrelo) por favor me avisar e dêem meu número, meu blog e meu twitter!

Saindo do meu amado – que a Nastienka não quis então eu quero – vamos falar da fofinha e perfeita Nastienka! Ela na verdade se chama Anastásia, afinal "Nastienka" é um apelido para o seu nome; aos não falantes de russo e leigos, ela se apresentar como "Nastienka" é equivalente a ela se apresentar como "Anastasiazinha", o que é bem vergonha alheia e até íntimo, uma vez que ela o faz chama-la de um apelido carinhoso, ignorando até mesmo a formalidade de Nome + Patronímio > Nome > forma curta > apelidinho; os dois são desconhecidos e deveriam usar o primeiro, como fazem em MUITAS OUTRAS OBRAS pessoas até MAIS PRÓXIMAS, é bem fofo e demonstra o quanto ela se conecta com ele. Tirando isso, a Anastásia (não sou amiga dela ainda, desculpem) é uma personagem muito fofa e uma das melhores representações de mocinha jovem que eu já li. A idade dela é bem próxima da minha e eu pude ver as minhas ações e vontades nas dela. Quando ela cita a avó, eu quase chorei, pois eu me lembrei da minha avó e senti falta dela. Obviamente, não sou tão atentada e confusa quanto a Anastásia, porém, eu certamente teria ficado amiga de um desconhecido meio patético e contado toda a minha vida, assim como esperaria pelo meu primeiro amor incessantemente; até porque eu já fiz exatamente o que a Anastásia fez, e me arrependo profundamente, mas é a vida (infelizmente não tive um final feliz, o cara me rejeitou). 


De toda forma, o livro é bem legal e rápido de se ler, a escrita é tranquila e entendível. Recomendo que leiam, principalmente para conhecer o Fyodor sem um baque inicial, como eu tive, ao tentar ler "Crime e Castigo" como meu primeiro livro do homem. Vai ser uma leitura leve e como meus amigos dizem "eu consigo ler em uma tarde" o que é verdade se você não tiver nada para fazer e não marcar cada MÍSERO DETALHE do livro como eu fiz.

Uma pena a reunião ainda não ter acontecido e desculpa por estar postando isso um dia atrasada, eu tive compromissos e não pude postar na hora, porém estou sendo fiel a minha promessa de postar quinzenalmente. Por favor deixem comentários (minimamente agradáveis eu sou uma pessoa e os outros também) com demais sugestões de coisas para eu escrever e se gostaram do blog. Até semana semana que vem!!
























Beijosssss, Dorothea <3

sábado, 25 de julho de 2026

E quem não ama homens bonitos que fazem coisas inteligentes? Com um plus para alienígenas bonitinhos, uma análise/review de "Devoradores de Estrelas" o FILME (porque eu não li o livro) por apreciação ao Rocky e porque MUITA GENTE PEDIU

 "Devoradores de Estrelas" livro por Andy Weir e filme por Phil Lord e Christopher Miller


Me pediram em um comentário neste blog para eu fazer a digníssima review deste filme, e eu prometi que faria assim que assistisse o filme. Eu assisti o filme por pura e espontânea pressão social (mentira eu queria ver) de meu pai e meu melhor amigo, e vim fazer essa review assim que o filme acabou (obviamente depois de comunicar ao meu amigo que me indicou o filme e colocar minha breve opinião no Letterbox ). 

O filme e eu temos algumas histórias engraçadas e divertidas, sendo elas: a) quando o filme estava no cinema, eu tentei chamar o cara que eu estava afim na época para ver, ele me rejeitou e assistiu com outras pessoas, então eu não pude ver com ele; b) quando meu amigo me pediu para ver o filme depois de eu INFERNIZAR a vida dele para que ele assistisse 2001: Uma Odisseia no Espaço, eu fiz minha célebre pergunta: "tem homem bonito?" No que ele me responde com "Tem o Ryan Gosling cientista", o que já explicou tudo. 

Enfim enfim, depois de um tempão eu assisti ao filme e vim AQUI contar, a história é mais ou menos assim (em ordem cronológica de acontecimentos):


Nosso protagonista é Ryland Grace, um professor de Ciências do oitavo ano nos Estados Unidos que acaba sendo contactado por forças para-governamentais para resolver um problema sobre coisas que estão comendo o sol. Antes de ser professor do fundamental, Grace era um acadêmico, tendo até um doutorado em biologia molecular. Sua tese "Uma análise das suposições baseadas na água e recalibrações das espectativas para modelos evolutivos" (vocês vão ler isso rapidinho mas que nome enorme), comanda ao fato de que ele xingou alguém, o excluíram do círculo acadêmico, levando-o a tornar-se professor.

Recentemente, dentro da história, foi-se descoberto que haveria um rastro luminoso ligando o Sol e vênus, denominando "Linha de Petrova" em homenagem a cientista que teria o descoberto, Irina Petrova. Esse rastro luminoso é composto de milhares de microorganismos chamados, na história, de Astrofagos, tais microorganismos se alimentam de luz e energia, utilizando desta para se locomover (no filme, Ryland diz: " é como se eles se locomovessem por peidos"). Por conta de comerem luz, os Astrofagos estão comendo o sol, assim como comeram outras estrelas, o que significa a extinção de toda a vida ao diminuir a temperatura gradualmente.

É aí que Ryland entra, ele é chamado para descobrir o que é um Astrofago, coisa que ele faz com muita maestria, e até descobre como se reproduzem. Os Astrofagos se reproduzem em atmosferas cheias de CO2, por isso, estão migrando para Vênus. Com essa descoberta, cientistas de todo o globo podem produzir Astrofagos em massa, para que, então, eles possam usá-los de propulsão de uma Nave de exploração. 

Há uma estrela longe chamada Tau Ceti que, diferente das demais, não fora atingida pelos Astrofagos, gerando uma suspeita aos cientistas humanos. A dita nave é parte do Projeto Hail Mary (que dá nome ao filme em inglês), um projeto suicida de exploração de tal estrela para entender o por quê desta estrela em específico não ter sido contaminada. Originalmente, Ryland não é chamado para ir a expedição, porém continua fazendo seus experimentos sobre os Astrofagos, porém, com a explosão de uma parte das instalações e a morte dos astronautas que deveriam ser o cientista e o cientista reserva por conseguinte; então, Ryland é forçado a ir, induzem ele em coma e ele vai para essa missão.

Na nave, temos agora, além de Ryland, Olesya Ilyukhina, como engenheira, e Yao Li-Jie, como piloto, que estão mortos. Originalmente, Ryland estava em coma, assim que ele acorda, ele pula da maca, tossindo e confuso, sem saber o que está acontecendo, ele é o único sobrevivente, e acaba por descobrir isso. Sendo a única pessoa viva, ele toma conta dos cadáveres, os mandando boiar no espaço e começa a tentar lembrar o que ele está fazendo ali, enquanto carrega a missão para frente.

Andando pelo espaço com sua nave, cada vez mais perto da estrela, Ryland se encontra com outra nave, desconhecida e gigante, que parece persegui-lo. Depois de uma cena absurda de perseguição, a nave alienígena tenta comunicação, arremessando um objeto, que rechocheteia para o infinito, então manda um segundo, que é capturado com sucesso por Ryland. Ryland estuda esse objeto, descobrindo que é um canudo de Xenônio, que é um sólido agora, contendo um mapinha que parece um massageador de cabeça e uma outra coisa, Ryland remonta aquilo, apontando onde está a Terra e devolve ao alienígena. Essa comunicação continua até que uma ponte é formada entre as duas naves, permitindo a Ryland que chegue até a outra nave, onde conhecemos um alienígena com aparência de uma espécie de aranha de pedra, a quem Ryland nomeia como Rocky, por sua aparência próxima a de uma rocha. Rocky manda Ryland de volta a sua nave, e começa a girar em centrífuga junto a nave de Ryland, de modo a criar gravidade para que ele possa andar, Ryland volta a passarela e os dois começam uma comunicação. Rocky também dá a Ryland oxigênio nesta passarelinha, de forma em que ele não precisa ficar de roupa espacial.

Daí em diante, Ryland começa a tentar se comunicar com o alienígena, fazendo até um software para converter os ruídos de Rocky em língua comunicável. Com está conexão linguística feita, descobrimos que o planeta de Rocky também está sendo consumido pelos Astrofagos, e, pelos mesmo motivos, estava em uma expedição para Tau Ceti. Acabou que toda a tripulação da nave de Rocky também morreu, devido a radiação interestelar, e apenas ele sobreviveu, por conta dos Astrofagos. Unidos pela necessidade de salvar seus planetas e por estarem sozinhos meio a deriva, os dois começam a trabalhar juntos, criando altas conexões e teorias. Em algum momento, Rocky se muda para dentro da nave de Ryland, fazendo toda uma superestrutura e ajudando nosso cientista terráqueo a capturar alguns Astrofagos e sintetizar uma teoria de como acabar com eles, por meio de descobertas acidentais.

Na atmosfera de um planeta próximo, que fora nomeado de Adrian, em homenagem ao parceiro (gênero não específico) de Rocky, os dois descobrem a existência de um protozoário parasita capaz de matar os Astrofagos. Os dois, então, se juntam para pegar esses parasitas e são quase mortos no caminho pela atmosfera do planeta os puxando pra baixo. Com muito esforço, os dois sobrevivem, depois de quase morrerem e conseguem fazer protozoários suficientes para conter os Astrofagos em ambos os planetas, então, eles se separam e começam suas viagens de volta para suas casas, agora que Ryland tem mais combustível, graças a Rocky.

No meio da viagem de volta, Ryland nota que os protozoários escapam de suas cápsulas feitas de Xenonita, um material advindo de Rocky, que também compõe sua nave. Em um empasse entre voltar para casa e voltar para salvar Rocky, Ryland decide que mandará os protozoários, nomeados de Taumebas, para a Terra e voltará para salvar o amigo, e assim ele faz. Ryland volta até onde está a nave de Rocky, o salva e ambos se dirigem para o planeta deste, onde Ryland faz sua moradia.


Neste momento o filme acaba, mas, de acordo com meu amigo, que leu o livro, Ryland continua no planeta, chamado Eridia, vivendo junto a Rocky, até ficar bem velho. De acordo com esse mesmo amigo, há muitas mudanças do livro pro filme, como o Ryland ser mais quieto no livro, os outros astronautas, coitados, terem mais relevância, sabe-se mais sobre a vida na Terra de Ryland e a comandante do projeto, Eva, é mais fria e rígida, não têm as gravações, e o livro ser muito mais sobre os devaneios do Ryland. Eu não li o livro (amigo, se você quiser me emprestar eu estou aceitando, só se lembre que não verás esse livro pelo resto dos próximos 5 anos), então pra mim essas mudanças não têm muito peso.

Vamos ao que importa e o porquê de todos vocês terem lido essa parede de texto sobre um filme disponível no Prime Vídeo, a Minha Opinião.  Como entusiasta não só de magrelos mas de homens bonitos em geral, inclusive abrindo precedentes para um segundo manifesto me retratando corretamente de minhas preferências (incluído no final dessa review); eu tenho que dizer que fiquei muito feliz com a escolha e caracterização do Ryan Gosling como o Ryland Grace, eu não sei se está de acordo com o livro mas ele ficou lindo e eu prestei muito mais atenção no filme por esse motivo. Além disso, as camisetas e xícara com piadas de ciência foram simplesmente chief's kiss, eu juro para vocês, tenho quase todas elas salvas no meu carrinho ou lista de compras do Aliexpress para prontamente compra-las. Outra coisa que, na caracterização, me chamou muita atenção foi a resistência do óculos dele, gente, que coisa resistente, por favor me diga onde eu compro um igual, de preferência na cor vermelha, ou prata mesmo, para o meu pai (vou expor o homem aqui, mas o óculos dele está TODO REMENDADO). 

Fora da caracterização, muitas cenas me lembraram de 2001:Uma Odisseia no Espaço (tenho que fazer review disso, e um manifesto pro meu amorzinho HAL 9000), e eu achei simplesmente lindo. O software de fala também foi incrível e me trouxe boas risadas, me lembrou também de um jogo, Homicipher, no início quando o Ryland estava tentando formar as palavras de Rocky. Ah! Falando nele, um fofo, sim sim. O Rocky é super carismático e implica com Ryland, que implica de volta, de uma forma simplesmente perfeita , me pergunto se no livro também é assim. A cena em que ele comenta ter um parceiro (sem gênero definido, eles são meio hermafrodita ou assexuados) e que sente falta desse ser é simplesmente um amor, eu fiquei muito alegre e me identifiquei com o Ryland super solteiro. 

Pelo que me contaram, o livro e a ideia original eram mais sérios, eu realmente curti como foi feito, com mais alívios cômicos, afinal a ideia de ficar sozinho no espaço sem poder voltar pra casa é bem deprimente, e ninguém quer ligar um filme para ficar deprimido, então palmas pro Ryan Gosling por fazer isso ser bem mais divertido. A cena dos astronautas decidindo como queriam morrer é muito eu e meus amigos, porque eu genuinamente pergunto para as pessoas como elas desejam morrer, ser enterradas ou como planejam seu funeral, eu sou uma pessoa muito fúnebre desde bem cedo, então todos estão acostumados.



AAAAHHH!!! Me desculpem agora, eu aguentei o máximo que pude sem ser chata, mas eu não tenho mais o que dizer sem ser sobre o quanto o Ryland é lindíssimo, desculpe a todos!! (mentira vocês queriam isso não queriam)  Então, sem mais delongas, aqui vai meu manifesto pequenininho de retratação e contemplação, com muita exposição da minha pessoa, porém esse blog é super subterrâneo, então ninguém liga para isso, assim como a minha gramática super séria. Eu sei que quem liga pra minha gramática não vai ler isso então aqui vai.

A começar que eu devo pedir desculpas e me retratar pelas minhas palavras contra homens musculosos, porque o Ryland possui sim visivelmente músculos, PORÉM ele se trata de uma excessão a minha amada regra. Por um lado, palmas para minha amiga, que conseguiu que eu declarasse não ter amor apenas por magrelos, por outro lado, temos a excessão a regra, que se trata de Caras inteligentes da área acadêmica que são cientistas e/ou professores , esses caras me convencem e me ensinam qualquer coisa. Logo, quando eu coloquei meus olhos sobre Ryland professor do oitavo ano, eu pensei: "essas pessoas vão amar qualquer coisa que ele esteja lecionando por toda a vida" apenas porque, ele era um professor bonito, e eu posso colocar aqui minha hipótese comprovada por mim mesma que um professor bonito (pontos a mais se você tem uma queda por ele) faz uma matéria interessante por toda a vida (if you know you know).  

A continuar o filme, temos esse homem estupidamente inteligente todo atrapalhado durante a viagem, o que conta pontos para o arquétipo de patético (affectionate), que eu amo tanto tanto, então me tirou boas risadas e um questionamento sobre se eu queria um Ryland Grace ou se eu queria ser um Ryland Grace. No fim, a resposta é a segunda, porque, he's so meeeeee!!, Eu pensava por todo o filme e sorria muito feliz. Plus plus, ele é extremamente engraçadinho e me fez feliz e não deprimida.



Uma conclusão que eu cheguei agora que estou escrevendo esse blog e escutando música, é que a música "500 Miles" de Paul, Peter and Mary, realmente combina muito, recomendo que alguém que faça edits boas coloque essa música nas cenas em que o Ryland está super pensativo sobre a sua vida no início do filme. Por sinal, essas cenas que eu mencionei são super deprimentes, acho que eu choraria se visse essas edits, não as façam por favor.


Enfim!!! Falei muito, mas no fim eu gostaria de recomendar esse filme para vocês, é ótimo, é incrível, tem um cara bonito, tem muita coisa para gente inteligente e nerd e chata (autocrítica), o livro também parece bem técnico e interessante, e, curiosidade, é da mesma pessoa que escreveu "Perdido em Marte"! (Inclusive eu lembro da minha mãe ter esse livro quando eu era pequena e ela e meu pai eram casados o que significa MUUUITO tempo atrás) Então leiam ou assistam o filme!! 

Para todos que leram até aqui, deixem comentários com mais sugestões, e eu lerei elas, por favor sejam minimamente legais, não deixem comentários ruins, eu sou humana e os outros também. Eu cumpri minha promessa, então até semana-semana que vem!





















Beijos, Dorothea <33333

sábado, 4 de julho de 2026

Comer barata pode ser uma metáfora para a autofagia como metáfora para o renascer após o autoconhecimento? Uma análise de "A Paixão Segundo GH" de Clarice Lispector, uma obra sobre ser mulher

 "A paixão segundo GH" por Clarice Lispector 


Eu tive de ter esse livro para a escola, então não foi uma escolha muito orgânica de leitura, porém, eu realmente gostei muito do livro e me conectei de uma maneira absurda com a história. Esse é o meu primeiro livro da Clarice Lispector, muita gente me disse que eu começar logo com algo tão confuso e subjetivo quanto esse livro, porém, realmente foi uma experiência e eu amei a escrita de Clarice, para mim, ela deveria ter mais título do que Machado de Assis ( todo o meu ódio a você), porque a Clarice em si sabe escrever muito bem, Pelo modo em que esse livro é escrito, como um grande monólogo psicológico e pessoalmente psicodélico, a minha review vai mesclar a história com meus comentários e interpretações pessoais do decorrer da história.


O livro em si segue uma história muito simples: Temos a nossa protagonista, que se chama por GH que também é a narradora desta história ( em primeira pessoa a história é, por mais de que não goste disso); ela é uma mulher rica e carioca nos meados dos anos 50 ou 60, mora em um bom local no Rio de Janeiro e trabalha como escultora plástica, tendo muito tempo livre e aparentemente uma vida tranquila. 

A narrativa se inicia com ela indo até o quarto de sua antiga empregada, que tinha acabado de despedir, GH soa melancólica e a narrativa deixa a entender que alguma coisa estava ocorrendo antes do início da história, pois o modo com que GH anda por sua casa e se porta de maneira triste e melancólica, como se algo tivesse acabado, como se algo tivesse faltante. Quando GH, que é obcecada com limpeza está andando até o quarto, agora vago, de sua empregada, ela julga que estaria imundo, coisa que, surpreendentemente para ela, não está, por outro lado, o cômodo parece limpo e arrumado como um cômodo de loja; nossa protagonista fica muito surpresa, e começa a andar pelo quarto, pensando como ela irá deixar ele vago para sua próxima empregada, ela menciona como gosta de limpar e como vai pintar as paredes e limpar aquele cômodo com água e sabão. Enquanto ela está andando pelo cômodo, GH encontra um desenho na parede, supostamente feito pela empregada, que retrataria uma mulher, um homem e um cachorro, algo que perturba GH profundamente, uma vez que ela interpreta que a mulher na pintura seria a própria GH, e soava como uma afronta que alguém a desenhasse com um homem. Desconfortos a parte, GH decide que abrirá o pequeno armário do quarto, ao olhar para dentro do móvel ela vê a personagem principal, comparável apenas ao Tifenmesser de "Das Boot", GH dá de cara com uma barata. GH morre de medo, nojo, repulsa e todos os sentimentos ruins, da barata, depois de segundos de tensão, nossa heroína fecha a porta do armário na barata, a matando e a cortando ao meio. Ao ver o corpo bipartido da barata, com suas entranhas vazando na porta do armário, GH entra em uma epifania, um surto, e começa a pensar sobre a sua existência e sobre tudo que havia passado até agora, ela começa a pensar sobre o que é viver, o que é existir, o que ela significa, quem ela é. 

Deste momento para frente na narrativa monológica de GH, entramos em sua psiquê, de forma cada vez mais espiritual e amalgamante, com comparações entre ela mesma e a barata, GH descende a loucura em uma jornada de conhecer a si mesma, dando a nós, leitores, uma imagem inicialmente externa, como a de uma amiga ou de um leitor mesmo, que a cada momento torna-se mais e mais voltada a um alguém, ao longo de sua narrativa, temos uma transição gradual de um grande monólogo de pensamentos a um diálogo, ou carta a alguém. Em seus devaneios de loucura, semelhante àqueles que se tem na calada da noite, em um banho longo, em uma viagem comprida, após uma situação difícil, GH cita algumas vezes, não muitas para ser constante, mas suficiente para formar uma trilha a olhos atentos e críticos, a figura de um "homem amado", ou "amor que eu não sabia", demonstrando que, muito possivelmente havia alguém ali, um homem, que por algum motivo a deixou, um homem que ela parecia amar, que ela parece se arrepender de "perder" ou sentir falta ao longo de seus monólogos; ao juntar estes indícios com a informação de que GH teve um aborto, que a que tudo indica não fora desejado por ela, uma vez que ela lamenta não ter filhos e se culpa por perder, ou "matar" aquele, não deixando claro se ela teve um aborto espontâneo ou se fez um aborto induzido, talvez a pedido deste homem, talvez afim de manter sua face perante a sociedade. GH conta, bem ao começo do livro e bem ao final, enquanto questiona quem é, de diversas formas e visões, que vivia sobre o que os outros achavam que ela era, ainda que a própria não soubesse quem era, quem deveria ser; GH parece presa a uma visão de GH esculpida por ela mesma, moldada aos padrões de suas belíssimas performances, ao longo da história, ela vai se soltando destas amarras, se misturando e se moldando em algo que seria si mesma de verdade.

É verdade, GH realmente come a barata, na realidade, ela está em um estado de transe perigoso e que a aprisiona naquele quarto, sua única forma de sair sendo seus devaneios, ainda que ela é livre a simplesmente sair, toda a transformação de GH, que vai se consumindo, é belíssima e um tanto psicodélica, uma grande mistura dela com aquela barata, o simbolismo do desconforto e de tudo que existiria de mais infeliz em GH, na minha visão, ela ter comido a barata, e cuspido, vomitado, depois e antes, significa que ela consumiu suas partes sombrias e nojentas, as aceitando como parte de si, ainda que as rejeitasse logo após. Em sua trajetória, GH se desmantela até sobrar um fiapo de si e se refaz novamente, questionando a tudo e buscando sua própria visão de ser. A narrativa toda, com suas metáforas, referências, comentários e frases quase sorteadas sem nexo aparente, que soam como "Paprika" (O filme) ou alguma coisa dita por um louco em seus episódios, lembram da loucura própria e o questionar sobre si, representando o cerne da experiência de ser uma mulher. Muitos podem discordar de mim nesta colocação, e provavelmente muitos de vocês vão, porém, para mim, todo esse livro soa muito feminino, é sobre o que é ser e pensar como uma mulher, representando um surto de humanidade que se tem ao viver por muito tempo como um não-humano, não desumano, não-humano, como ela mesma diz; em minha opinião, não há nada que represente melhor essa busca da humanidade em meio a não humanidade do que a busca da identidade e do ser quando se é uma mulher, o neutro da vida, a matéria viva e as milhares de referências a fertilidade e a ovários e a intimidade que este livro traz por meio dos devaneios e monólogo de GH confirmam para mim que este livro é sobre ser mulher e descobrir sua liberdade como uma.

Arrisco eu a dizer que GH só pode conhecer quem ela é, deixando a sua mania de limpeza de lado, uma vez que ela não toma banho o dia todo, após se livrar daquele homem e encontrar aquela barata, que foi seu inferno para chegar ao paraíso, que também é seu inferno, A jornada de Liberdade e entendimento de GH, que não possui um nome definido, uma aparência definida e nem mesmo idade, dando a ela um caráter de imortalidade e transitividade, é uma jornada que se encaixa para todos que leem esse livro, essa história nos convida, como me convidou, a fazer uma jornada por nossas entranhas, puxar tudo pra fora e nos organizar novamente, como se fôssemos argila a ser moldada por nós mesmos, sobre nossos moldes e ideias. 

Não julgo esta como uma leitura difícil, assim como não julgo, por outro lado, esta como uma leitura leve, eu mesma tive de parar inúmeras vezes, por não estar em boas condições mentais para entrar nesta loucura junto a ela, esse livro é como comer polvo, é bizarramente prazeroso, porém estranho e esquisito da primeira vez que se come (eu só realmente gosto de comer polvo). Ter sido esse meu primeiro contato com Clarice me faz absurdamente feliz, eu quero ler mais de suas obras, porém, recomendo uma leitura calma e com pausas, este livro não é pra qualquer um, pois ele é lido com a alma, e não com sua mente, então se não conseguir ler, não é por falta sua, é apenas um limite respeitoso para si mesmo.

A parte dos meus comentários vai ficar faltando de forma separada, porque eles estão na história, não tenho como contar uma história complexa dessas em uma página sem sair do tema, então o melhor a se fazer é ler o livro. Sobre minhas reviews mais bobinhas, elas estão dando espaço para estas sérias porque eu estou lendo muitos livros sérios por diversos motivos, mas juro que tentarei postar mais coisas bobas para equilibrar o clima pesado, e bissemanalmente!! Vou tentar postar uma vez a cada 15 dias, por favor tenham paciência. Mas então é isso, leiam o livro, cuidem da saúde mental de vocês e nos vemos semana-semana que vem!!



























Beijosssss, Dorothea<333


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Morreu, morreu agorinha. Uma análise de A Morte de Ivan Illich e sobre mortalidade em geral

 "A Morte de Ivan Illich" por Liev Tolstoi 


A história de como é porque eu li esse livro é bem engraçada. Começa que uma de minhas amigas, que vou chamar de B, pegou esse livro na biblioteca, e outras duas amigas minhas, que vou chamar de MS e MR, vendo que a B estava com o livro, resolveram lê-lo também, pois tinham o livro (inclusive era o mesmo livro na mesma edição) em casa. Eu via as três lendo e fiquei com FOMO (fear of missing out, ou "vi todo mundo fazendo e me senti de fora", para meus leitores que desconhecem o termo), então marchei até o Sebo escutando um bom visual kei e comprei uma edição jurássica e lindíssima do livro por incríveis R$49,90 (ou nada, porque eu tenho vale do Sebo de tanto livro que eu levo pra lá), que vem com essa e outras duas histórias do mesmo autor, as quais eu ainda não li, e provavelmente lerei daqui a uns dois anos.

O livro segue assim:


Acompanhamos Ivan Illich, que já nas primeiras páginas é dado como morto, gerando uma conversa importante entre seus amigos e colegas de trabalho, os quais cobiçam a posição, agora vaga, de Ivan no trabalho, e pensam um pouco sobre a mortalidade, como fazemos todos quando sabemos que alguém próximo morreu. Um destes amigos, Pietr, que conhecia Ivan da faculdade de Direito, vai a casa do morto, em seu velório, aparentemente, ele vai por obrigação social e não por sentir falta do amigo. Ao ver o morto, ele fica assustado, meio sem saber o que fazer, ao falar com a viúva de Ivan, também não sabe o que fazer, logo, Pietr vai embora do velório com um outro conhecido. A partir da partida desse amigo, seguimos para conhecer a vida de Ivan até a sua morte, em TERCEIRA PESSOA. Nós é contado como fora a infância de Ivan, que parecia ter sido bem tranquila e até aristocrática, pois seu pai, Iliya, que era um homem vazio e comum em termos de pessoa, tinha um bom cargo e dinheiro. Ivan era um garoto comum e normal, o filho do meio que, inspirado em seu pai, segue uma carreira juridica, como promotor ou juiz (eu realmente não entendi muito bem o que ele faz, mas leis.); Ivan vai pra faculdade (ou escola técnica) de direito, onde ele conhece Pietr e se tornam amigos, e começa a mapear como vai ser a sua vida dali para frente, que é, comum e tranquila. Ao se formar, o pai lhe arranja um cargo como juiz de algum lugar, que ele vai sem pestanejar e segue sua vidinha de ser tranquilo e aparências boas para a sociedade, ele se muda deste local para um outro local mais afastado, onde encontra quem futuramente seria sua esposa, uma mulher de família rica, com bom dote e uma aparência (social e física) boa chamada Prascóvia; Ivan se casa com ela, não por amor, e sim porque ele sentia que deveria casar (palavras do próprio Ivan) e começa a seguir sua vida, agora casado.

Seu matrimônio é infeliz, Ivan se sente sufocado pela esposa, começando até a ter ódio e ressentimento da mesma, e busca a fuga dela no trabalho, cumprindo com ela, apenas o dever de gerar um filho, ou no caso deles, dois, Lisa e Vladimir, sendo a primeira a mais velha e o segundo o mais novo, que ainda está na escola. Ele nunca demonstra gostar destas crianças ou ter alguém sentimento por elas, na realidade, quase não se sabe o nome dos dois se não no final do livro. Ivan, um dia, acaba infeliz com seu trabalho, pois havia sido rebaixado de cargo, então, ele busca um cargo melhor, e a família se muda para São Petesburgo, pois agora, Ivan é um oficial importante da Corte da Justiça; ele vai antes da família, compra uma casa e manda mobiliar ela inteirinha, não parece fazer com gosto, que não para mostrar seu poder. Enquanto mobília a casa, Ivan acaba caindo e se machuca, mas não dá importância a essa queda e machucado, e apenas leva a família para a casa, esposa e filhos ficam deslumbrados, pois Ivan havia dito que a casa era pior para os dar essa surpresa, e mais uma vez, segue a vida burguesa rica russa comum para a família. O problema se inicia com a queda de Ivan, seu machucado acaba por evoluir e evoluir, até que ele não suporta mais a dor, vai ao médico, nada resolve, a outro médico, nada resolve, e a dor começa a aumentar e aumentar, ele tenta ignorar, tomando os remédios e se afundando no seu porto seguro, o trabalho, porém essa dor, que logo se torna uma doença, começa a consumir Ivan. Logo, Ivan está de cama, cada vez mais incapaz, cada vez mais miserável e melancólico, ao ficar doente, Ivan começa a se ver como um estorvo e perde as esperanças a cada dia que se passa, ficando sempre fraco e com dor; em certo momento, Ivan nota que a morte se aproxima de si, ela o espreita e isso o apavora, então, acompanhamos Ivan em seus pensamentos, desejando viver e se perguntando o por que de desejar isso, até que chega na conclusão de que não tinha porque viver, e que não tinha feito nada em sua vida. A doença só aumenta e aumenta, aparentemente, sua esposa não dá ouvidos ou se importa com o estado de doença do marido, sua filha também não se importa, afinal, ela está sendo prometida a um homem, e deve se preocupar com isso, os únicos que, aparentemente, de importam com a doença de Ivan são seu filho e seu criado, um jovem cheio de vida, Gerassim, a quem Ivan é muito grato. Depois de muita agonia, berros por três dias e absurda melancolia, Ivan finalmente morre, sentindo como se tivesse se libertado da família e libertado a família dele, como um estorvo. E o livro acaba, pois voltamos a situação do começo.



O livro mostra bastante, na minha opinião, o que é morrer, em todos os sentidos, e como algumas pessoas já estão mortas antes de se quer morrerem. O Ivan, ou Vanya, porque eu acompanhei a vida dele e a morte, logo somos SIM amigos, é um homem absurdamente vazio, suas relações, com a família e com os amigos, com o trabalho e com a vida são vazias, simples, quase como um "dever a ser cumprido" (como apontaram minhas amigas, que eu achei pertinente), ele não ama sua esposa, nunca amou e, me atrevo a dizer, nunca chegou a se quer gostar dela, ele diz ter repulsa dela e ódio da mesma; não se sabe o nome de seus filhos até o meio do livro, ele não se importa com eles e nem parece gostar dos dois, os tratando apenas como continuação da sua linhagem, a filha, uma jovem nobre, muito semelhante a mãe, acaba por noivar com um homem por seu status, ela parece até gostar de seu noivo, e ele dela, porém isso é a demonstração de o quão rasa as relações destas pessoas são. O livro é bem Realista (as in Escola literária Realismo) em mostrar as relações dos personagens e a futilidade de todos, quando Ivan morre, seus "amigos" pensam sobre dinheiro, sobre cargo, mostrando como as pessoas o viam e como elas se relacionavam umas com as outras, nenhum deles se importa que Ivan morreu, eles apenas ficam meio pensativos sobre morrer, pois a morte de uma pessoa próxima te faz pensar sobre a morte de si e sobre o que é viver. 

Quando Vanya se pergunta sobre sua vida, e chega na conclusão que não tinha feito absolutamente nada de interessante, de importante, é um bom momento para notar que, A Morte de Ivan Illich não se trata ou se tratará da morte física dele, mas sim a morte total, Ivan não será imortal, pois ele não será lembrado, afinal não fez nada. Se me permitem, e eu sei que vocês me permitem pois esse é o meu blog e vocês amam que eu escreva, eu farei um pequeno hiato para explicar uma referência histórica aqui; no poema épico e velho para dedeu, "Epopéia de Gilgamesh/Gilgamés", quando ele (Gilgamesh), triste pela morte do seu AMADO companheiro Enkidu (sem "and they were roommates" aqui, o Gilgamesh chorou que nem a porcaria de uma VIÚVA com a morte do Enkidu), busca uma forma de tornar-se imortal, mas falha, pois não há uma maneira para um homem ser imortal, isso é, não morrer, notamos que a imortalidade, e por consequência a mortalidade, é muito além do corpo, Gilgamesh, voltando para casa, nota o que havia feito em sua cidade, Uruk, e chegamos a conclusão de que ele será sim imortal, pois todos nós nos lembraremos dele. Onde eu quero chegar com essa pequena referência histórica e literária, diferente de Gilgamesh, Ivan morreu sem deixar nada, ele nota que era um nada, um inútil, e que iria morrer e ser esquecido, pois até no trabalho, que ele dedicou tudo que tinha, ele será esquecido e substituído. A "morte estendida" de Ivan, isso é, a morte antes e depois dele de fato morrer, também contempla ele pensar que está morto ou não querer viver, apenas esperará para morrer; muitas vezes, pessoas doentes acabam por falecer pois não sentem vontade de lutar contra aquela doença, então apenas morrem, as vezes antes da morte de fato, e não importa o que se faça, não temos como mudar isso, a família de Ivan poderia querer que ele vivesse, mas ele mesmo não queria viver. 

Minhas amigas, MR e B, falaram, enquanto estávamos todas conversando sentadinhas numa canga no chão e comendo biscoitos, que Gerassim, o criado, poderia ser um contraponto para Ivan, pois Gerassim era jovem, cheio de vida e parecia realmente aproveitar sua vida, ele parecia dar significado a viver, algo que Ivan não fez, de acordo com elas, e eu concordo, ele era tudo o que o Ivan não era, e o fato de que o Ivan se agarra (emocionalmente) a ele em seu leito de morte, era como se ele projetasse em Gerassim a vida não vivida por si.


No fim, o livro é bem interessante e bom, nos faz pensar sobre o que é morrer, e notar o quanto a morte está perto e longe de todos nós, podemos morrer a qualquer momento, por coisas bobas como uma queda, por isso, é interessante que pensemos o que fizemos e se aproveitamos nossas vidas, é meio difícil aproveitar totalmente tudo, porque temos que fazer um bando de coisas que não gostamos, mas nunca se sabe quando se vai morrer. Recentemente, eu passei por algo parecido, a morte de alguém próximo, uma parente muito próxima, os detalhes serão mantidos por respeito a minha família e a vocês, que não merecem ficar tristes por assuntos sensíveis de uma garota aleatória na internet que possui um blog bobinho, porém, quando uma pessoa morre, a realização de que todos podemos morrer a qualquer momento bate em todos nós, e de repente, podemos viver mais, porque nunca sabemos quanto tempo temos. Agradeço a todos vocês por lerem o meu blog como parte da vida de vocês, desculpa pesar o clima, mas o livro permite pesar o clima um pouco mais.

Então é isso, o livro é bom, é rapidinho, pode-se ler em uma tarde (ou um dia se você não tiver mais o que fazer) e nos permite pensar bastante sobre muita coisa, lembre-se de ler em um momento de saúde mental boa, esse livro foi responsável por fazer um clube de leiturinha (que a foto do grupo no Whatsapp sou eu inclusive, algo muito engraçado) que tem mais membros agora, e eu (tentarei) postar sobre todos os livros que leremos. Caso tenham alguma sujestão de livro para eu falar sobre e para que a gente leia no clube, comente!























Beijos, Dorothea <333333

sábado, 23 de maio de 2026

QUAL O TAMANHO DO DRAGÃO??? Uma análise de Quarta Asa, porque eu estou sendo ameaçada/j (primeiro volume)

 "Quarta Asa", por Rebecca Yarros

Dos mortos eu ressurgi depois de cinco meses sem postar nada (amo que meus leitores não esperam muito de mim mesmo) porque eu estava, muito educadamente, com muita vontade (fui pseudo ameaçada) de postar aqui sobre esse livro. Na verdade, eu li esse livro no final do ano passado, a edição que eu usei é da minha amabilíssima amiga (kiss kiss for yuuuu) a qual pediu muito incessantemente para que eu postasse minhas opiniões sobre a história e do livro. Para terem todos uma noção, esse livro tem cerca de QUINHENTAS páginas, contadas todas em primeira pessoa, o que já marca um longo e desgastante sofrimento para uma pessoa exifgente como eu.


O livro segue a história de Violet Sorrengail, a filha de uma general muuuuuuuito importante em seu reino Basgiath (eu tive que ler o nome no google porque não lembro como escrever), o qual está em guerra a uns 400 anos com um outro país, chamado Poromiel, ambos pertencentes a um mesmo continente chamado Navarre, onde existem criaturas místicas como dragões, grifos e gente de cabelo pintado ao contrário. Tanto o exército de Basgiath quanto o de Poromiel usam dessas criaturas mágicas como força de batalha, por meio de um acordo, os de Basigath usam os dragões, e os de Poromiel usam Grifols, pois grifos e dragões também são inimigos naturais nesse mundo. 

Violet é a terceira filha desta general com um HISTORIADOR, que buscava alguns conhecimentos ocultos mas morreu pelo bem da narrativa, deixando Violet muito triste com a morte de seu pai. Originalmente, ela seguiria o caminho de seu pai, sendo uma escriba (historiadora), principalmente por conta de sua péssima condição física que a fazia ficar toda quebra por qualquer coisa (falta de beber leite perchance?), enquanto seus irmãos mais velhos, Mira e Brennan, seriam Cavaleiros (de dragão). Tudo bem tudo ótimo, até que Brennan morre, e Violet é forçada por sua mãe a entrar para a Academia de Guerra de Basgiath e se tornar uma cavaleira, mesmo que tenha treinado apenas TRÊS SEMANAS intensivamente. Mesmo com Mira e a própria Violet tentando argumentar que é impossível essa criança vitoriana sobreviver na Academia Militar, a mãe força, e Violet vai mesmo assim.

Violet entra, depois de passar pelo Parapeito, que nada mis é do que uma espécie de parede fininha que eles tem que passar para entrar e ver se sobrevivem por pura seleção natural, e acaba por chamar atenção de um misterioso aluno do terceiro ano, que começa a observa-la, e por conseguir uma amiga, que é simplesmente maravilhosa, porém tem um nome muito difícil (Rhiannon), porque Violet a ajudou a passar pelo parapeito. Além disto, neste ponto da história conhecemos o amigo de infância e antigo crush de Violet, Dain, filho de um general muito importante também, que está no segundo ano, e parece concordar com Violet e todos que ela não deveria estar ali. A história que se segue passa por todo o primeiro ano de Violet, onde ela descobre que, por mais CDf que seja, o teste médico e teste físico existem por um motivo para entrar no exército, que é, pessoas morrem e saber lutar é o básico. Neste meio tempo, descobrimos que o homem misterioso é Xaden Riorson (de acordo com minha amiga é Zaden que se fala), o filho de um líder revolucionário e atual líder da facção(?) grupo(?) conjunto(?) de outros filhos dos revolucionários, os quais, todos, odeiam a mãe de Violet, e por conseguinte, odeiam a Violet. O primeiro teste importante é o Circuito, que consiste em basicamente se jogar e escalar coisas para chegar numa arena para desfilar na frente dos dragões, que os escolherão (ou não) no Dia da Ceifa.

O que é importante para o início da história é o Dia da Ceifa, ele chega, e vão todos para a arena, se matar e tentar formar conexões com os dragões, briga, morte e sofrimento para lá, Violet acaba por salvar uma pequena dragão filhote de escamas douradas, do ataque de outros, sozinha, com pouquissima intervenção, proibida, de Xaden; essa pequena ajuda leva a Violet, não um mas DOIS dragões, essa pequena e um grande e ancestral, só tem dois problemas, Violet não consegue ficar no dragão sentada, e, agora ela está ligada a Xaden, pois seus dragões são casados, dando início a um futuro romance.

Dali em diante, Violet e Xanden começam a ficar mais próximos, em um enemies-to-lovers e muita tensão acumulada no ar, enquanto isso, Xaden manda seus "subordinados" treinarem Violet para que ela não morra de simples vento e possa lutar, pois a morte de Violet, que tem uma conexão com o dragão (Tairn), levaria a morte de Xaden, que tem conexão com a dragoa (Sgaeyl). Violet também começa a buscar mais conhecimento, pois seu pai havia lhe deixado um livro de contos folclóricos que não poderia ser achado em nenhum lugar, sem contar nos buracos e lacunas informacionais  sobre a guerra, por parte dos superiores. Quando ocorrem as olimpíadas de guerra ou seja lá o nome desse negócio, e a divisão de Xaden, a Quarta Asa, é mandada para um front muito distante, Violet descobre coisas que não deveria.


Eu já falei muito muito sobre o livro e não quero dar spoiler, principalmente do plot, que é bem legal e interessante, para eu ser realista, a criação de mundo é realmente muito boa e rica, não faltam informações e nada é muito repetitivo, toda a ideia das informações e de que "a historia é contada pelos vencedores" que o livro se embasa é realmente uma jogada de mestre muito bem escolhida e executada pela autora, além disto, alguns elementos folclóricos reais e referências de RPG foram ótimas de serem indentificadas e lidas, nenhuma reclamação em relação a isso. Agora...

O ROMANCE É UM PORRE!!!!!!!

Falando sério, o romance é horrível, porque além da protagonista ser uma chata pick-me-gal, que fala "AaIiN ComO Eu SOu bAiXInha UnU" e "nooooossa coitada de mim com meus ossos  frágeis que quebram e meu nojo a matança aiiii" tipo, GARORTA SE TOCA!! Principalmente quando é intercalado com "eu sou foda e foderástica e fodona" , é um comportamento indeciso e absurdamente enfuriante de se ler!! Adicionado a isso, o livro (e ela por conseguinte pois ELA é a narradora) fica o tempo todo martelando na nossa cabeça o quanto o Xaden é "bonito" e "atraente", quando na real ele só é padrão, sem sal ou pimenta, literalmente o Cara Bonito Bad-Boy Misterioso com passado Traumático que Controla as Sombra e que os músculos têm músculos™, sem nada de novo, literalmente mais do mesmo. Não entendam-me mal, amadas fãs do Xaden que querem me pegar de porrada na rua, ou fãs desse tipo de homem, eu não tenho nada contra MLs (Male Leads) desta forma, porém, com o modo em que são escritos e apresentados ao público, um exemplo bom deste tipo de personagem é o Sussenyos Sagad de Inimigo Imortal (review yet to come), que é EXATAMENTE esse tipo de personagem meio Bad-Boy, obscuro e misterioso, enquanto atraente, e olha que eu não o acho atraente, de ponto pessoal. O Xaden tem seus momentos de glória, mas overall ele é chato é um tipo de personagem que eu já vi um bilhão de vezes (até em yaoi!!!) e não me interesso, na verdade, eu viro a cara totalmente quando os vejo. Leitores, se me permitem um Rant, na realidade, eu tenho que dizer:

POR QUE NÃO EXISTEM MAGRELOS????

Como Ministra do Sindicato para Representações de Magrelos, e entusiasta de magrelos pálidos vara-pau esticados, basicamente uma versão com rosto e ikemen do Slenderman, tenho que escrever e deixar marcado nesse subterrâneo blog da internet, o quanto eu  desejo e necessito de interesses amorosos masculinos em livros como homens magrelos, e o fim dos homens musculosos, porque eles não são atraentes e nem têm apelo. Talvcez eu possa atestar que magrelos sejam uma classe ainda mais oprimida que meus amados Cientistas Loucos & Médicos Antiéticos (in fiction, socorro), os quais eu sonho como sendo interesses amorosos em algum livro que presta de Dark Roamance. De verdade, eu estou no mapa da fome :(((((

Me desviei e tangenciei o tema por um instante, porém, overall, o livro é bom péla sua criação de mudo, e eu li mais por ela e pela pressão das minhas amigas do que por puro interesse próprio; não é o tipo de livro que eu leria de maneira orgânica, porém, estou lendo o segundo volume, nem que seja para falar mal e chorar por pouca representação de magricelos, e quando eu acabar, postarei-o-o aqui


Então é isso, espero que tenham gostado!! Não prometo nada sobre postar, porém vou tentar fazer a boa e postar um tantinho mais.









Beijosssss, Dorothea<3

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