sábado, 4 de julho de 2026

Comer barata pode ser uma metáfora para a autofagia como metáfora para o renascer após o autoconhecimento? Uma análise de "A Paixão Segundo GH" de Clarice Lispector, uma obra sobre ser mulher

 "A paixão segundo GH" por Clarice Lispector 


Eu tive de ter esse livro para a escola, então não foi uma escolha muito orgânica de leitura, porém, eu realmente gostei muito do livro e me conectei de uma maneira absurda com a história. Esse é o meu primeiro livro da Clarice Lispector, muita gente me disse que eu começar logo com algo tão confuso e subjetivo quanto esse livro, porém, realmente foi uma experiência e eu amei a escrita de Clarice, para mim, ela deveria ter mais título do que Machado de Assis ( todo o meu ódio a você), porque a Clarice em si sabe escrever muito bem, Pelo modo em que esse livro é escrito, como um grande monólogo psicológico e pessoalmente psicodélico, a minha review vai mesclar a história com meus comentários e interpretações pessoais do decorrer da história.


O livro em si segue uma história muito simples: Temos a nossa protagonista, que se chama por GH que também é a narradora desta história ( em primeira pessoa a história é, por mais de que não goste disso); ela é uma mulher rica e carioca nos meados dos anos 50 ou 60, mora em um bom local no Rio de Janeiro e trabalha como escultora plástica, tendo muito tempo livre e aparentemente uma vida tranquila. 

A narrativa se inicia com ela indo até o quarto de sua antiga empregada, que tinha acabado de despedir, GH soa melancólica e a narrativa deixa a entender que alguma coisa estava ocorrendo antes do início da história, pois o modo com que GH anda por sua casa e se porta de maneira triste e melancólica, como se algo tivesse acabado, como se algo tivesse faltante. Quando GH, que é obcecada com limpeza está andando até o quarto, agora vago, de sua empregada, ela julga que estaria imundo, coisa que, surpreendentemente para ela, não está, por outro lado, o cômodo parece limpo e arrumado como um cômodo de loja; nossa protagonista fica muito surpresa, e começa a andar pelo quarto, pensando como ela irá deixar ele vago para sua próxima empregada, ela menciona como gosta de limpar e como vai pintar as paredes e limpar aquele cômodo com água e sabão. Enquanto ela está andando pelo cômodo, GH encontra um desenho na parede, supostamente feito pela empregada, que retrataria uma mulher, um homem e um cachorro, algo que perturba GH profundamente, uma vez que ela interpreta que a mulher na pintura seria a própria GH, e soava como uma afronta que alguém a desenhasse com um homem. Desconfortos a parte, GH decide que abrirá o pequeno armário do quarto, ao olhar para dentro do móvel ela vê a personagem principal, comparável apenas ao Tifenmesser de "Das Boot", GH dá de cara com uma barata. GH morre de medo, nojo, repulsa e todos os sentimentos ruins, da barata, depois de segundos de tensão, nossa heroína fecha a porta do armário na barata, a matando e a cortando ao meio. Ao ver o corpo bipartido da barata, com suas entranhas vazando na porta do armário, GH entra em uma epifania, um surto, e começa a pensar sobre a sua existência e sobre tudo que havia passado até agora, ela começa a pensar sobre o que é viver, o que é existir, o que ela significa, quem ela é. 

Deste momento para frente na narrativa monológica de GH, entramos em sua psiquê, de forma cada vez mais espiritual e amalgamante, com comparações entre ela mesma e a barata, GH descende a loucura em uma jornada de conhecer a si mesma, dando a nós, leitores, uma imagem inicialmente externa, como a de uma amiga ou de um leitor mesmo, que a cada momento torna-se mais e mais voltada a um alguém, ao longo de sua narrativa, temos uma transição gradual de um grande monólogo de pensamentos a um diálogo, ou carta a alguém. Em seus devaneios de loucura, semelhante àqueles que se tem na calada da noite, em um banho longo, em uma viagem comprida, após uma situação difícil, GH cita algumas vezes, não muitas para ser constante, mas suficiente para formar uma trilha a olhos atentos e críticos, a figura de um "homem amado", ou "amor que eu não sabia", demonstrando que, muito possivelmente havia alguém ali, um homem, que por algum motivo a deixou, um homem que ela parecia amar, que ela parece se arrepender de "perder" ou sentir falta ao longo de seus monólogos; ao juntar estes indícios com a informação de que GH teve um aborto, que a que tudo indica não fora desejado por ela, uma vez que ela lamenta não ter filhos e se culpa por perder, ou "matar" aquele, não deixando claro se ela teve um aborto espontâneo ou se fez um aborto induzido, talvez a pedido deste homem, talvez afim de manter sua face perante a sociedade. GH conta, bem ao começo do livro e bem ao final, enquanto questiona quem é, de diversas formas e visões, que vivia sobre o que os outros achavam que ela era, ainda que a própria não soubesse quem era, quem deveria ser; GH parece presa a uma visão de GH esculpida por ela mesma, moldada aos padrões de suas belíssimas performances, ao longo da história, ela vai se soltando destas amarras, se misturando e se moldando em algo que seria si mesma de verdade.

É verdade, GH realmente come a barata, na realidade, ela está em um estado de transe perigoso e que a aprisiona naquele quarto, sua única forma de sair sendo seus devaneios, ainda que ela é livre a simplesmente sair, toda a transformação de GH, que vai se consumindo, é belíssima e um tanto psicodélica, uma grande mistura dela com aquela barata, o simbolismo do desconforto e de tudo que existiria de mais infeliz em GH, na minha visão, ela ter comido a barata, e cuspido, vomitado, depois e antes, significa que ela consumiu suas partes sombrias e nojentas, as aceitando como parte de si, ainda que as rejeitasse logo após. Em sua trajetória, GH se desmantela até sobrar um fiapo de si e se refaz novamente, questionando a tudo e buscando sua própria visão de ser. A narrativa toda, com suas metáforas, referências, comentários e frases quase sorteadas sem nexo aparente, que soam como "Paprika" (O filme) ou alguma coisa dita por um louco em seus episódios, lembram da loucura própria e o questionar sobre si, representando o cerne da experiência de ser uma mulher. Muitos podem discordar de mim nesta colocação, e provavelmente muitos de vocês vão, porém, para mim, todo esse livro soa muito feminino, é sobre o que é ser e pensar como uma mulher, representando um surto de humanidade que se tem ao viver por muito tempo como um não-humano, não desumano, não-humano, como ela mesma diz; em minha opinião, não há nada que represente melhor essa busca da humanidade em meio a não humanidade do que a busca da identidade e do ser quando se é uma mulher, o neutro da vida, a matéria viva e as milhares de referências a fertilidade e a ovários e a intimidade que este livro traz por meio dos devaneios e monólogo de GH confirmam para mim que este livro é sobre ser mulher e descobrir sua liberdade como uma.

Arrisco eu a dizer que GH só pode conhecer quem ela é, deixando a sua mania de limpeza de lado, uma vez que ela não toma banho o dia todo, após se livrar daquele homem e encontrar aquela barata, que foi seu inferno para chegar ao paraíso, que também é seu inferno, A jornada de Liberdade e entendimento de GH, que não possui um nome definido, uma aparência definida e nem mesmo idade, dando a ela um caráter de imortalidade e transitividade, é uma jornada que se encaixa para todos que leem esse livro, essa história nos convida, como me convidou, a fazer uma jornada por nossas entranhas, puxar tudo pra fora e nos organizar novamente, como se fôssemos argila a ser moldada por nós mesmos, sobre nossos moldes e ideias. 

Não julgo esta como uma leitura difícil, assim como não julgo, por outro lado, esta como uma leitura leve, eu mesma tive de parar inúmeras vezes, por não estar em boas condições mentais para entrar nesta loucura junto a ela, esse livro é como comer polvo, é bizarramente prazeroso, porém estranho e esquisito da primeira vez que se come (eu só realmente gosto de comer polvo). Ter sido esse meu primeiro contato com Clarice me faz absurdamente feliz, eu quero ler mais de suas obras, porém, recomendo uma leitura calma e com pausas, este livro não é pra qualquer um, pois ele é lido com a alma, e não com sua mente, então se não conseguir ler, não é por falta sua, é apenas um limite respeitoso para si mesmo.

A parte dos meus comentários vai ficar faltando de forma separada, porque eles estão na história, não tenho como contar uma história complexa dessas em uma página sem sair do tema, então o melhor a se fazer é ler o livro. Sobre minhas reviews mais bobinhas, elas estão dando espaço para estas sérias porque eu estou lendo muitos livros sérios por diversos motivos, mas juro que tentarei postar mais coisas bobas para equilibrar o clima pesado, e bissemanalmente!! Vou tentar postar uma vez a cada 15 dias, por favor tenham paciência. Mas então é isso, leiam o livro, cuidem da saúde mental de vocês e nos vemos semana-semana que vem!!



























Beijosssss, Dorothea<333


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Morreu, morreu agorinha. Uma análise de A Morte de Ivan Illich e sobre mortalidade em geral

 "A Morte de Ivan Illich" por Liev Tolstoi 


A história de como é porque eu li esse livro é bem engraçada. Começa que uma de minhas amigas, que vou chamar de B, pegou esse livro na biblioteca, e outras duas amigas minhas, que vou chamar de MS e MR, vendo que a B estava com o livro, resolveram lê-lo também, pois tinham o livro (inclusive era o mesmo livro na mesma edição) em casa. Eu via as três lendo e fiquei com FOMO (fear of missing out, ou "vi todo mundo fazendo e me senti de fora", para meus leitores que desconhecem o termo), então marchei até o Sebo escutando um bom visual kei e comprei uma edição jurássica e lindíssima do livro por incríveis R$49,90 (ou nada, porque eu tenho vale do Sebo de tanto livro que eu levo pra lá), que vem com essa e outras duas histórias do mesmo autor, as quais eu ainda não li, e provavelmente lerei daqui a uns dois anos.

O livro segue assim:


Acompanhamos Ivan Illich, que já nas primeiras páginas é dado como morto, gerando uma conversa importante entre seus amigos e colegas de trabalho, os quais cobiçam a posição, agora vaga, de Ivan no trabalho, e pensam um pouco sobre a mortalidade, como fazemos todos quando sabemos que alguém próximo morreu. Um destes amigos, Pietr, que conhecia Ivan da faculdade de Direito, vai a casa do morto, em seu velório, aparentemente, ele vai por obrigação social e não por sentir falta do amigo. Ao ver o morto, ele fica assustado, meio sem saber o que fazer, ao falar com a viúva de Ivan, também não sabe o que fazer, logo, Pietr vai embora do velório com um outro conhecido. A partir da partida desse amigo, seguimos para conhecer a vida de Ivan até a sua morte, em TERCEIRA PESSOA. Nós é contado como fora a infância de Ivan, que parecia ter sido bem tranquila e até aristocrática, pois seu pai, Iliya, que era um homem vazio e comum em termos de pessoa, tinha um bom cargo e dinheiro. Ivan era um garoto comum e normal, o filho do meio que, inspirado em seu pai, segue uma carreira juridica, como promotor ou juiz (eu realmente não entendi muito bem o que ele faz, mas leis.); Ivan vai pra faculdade (ou escola técnica) de direito, onde ele conhece Pietr e se tornam amigos, e começa a mapear como vai ser a sua vida dali para frente, que é, comum e tranquila. Ao se formar, o pai lhe arranja um cargo como juiz de algum lugar, que ele vai sem pestanejar e segue sua vidinha de ser tranquilo e aparências boas para a sociedade, ele se muda deste local para um outro local mais afastado, onde encontra quem futuramente seria sua esposa, uma mulher de família rica, com bom dote e uma aparência (social e física) boa chamada Prascóvia; Ivan se casa com ela, não por amor, e sim porque ele sentia que deveria casar (palavras do próprio Ivan) e começa a seguir sua vida, agora casado.

Seu matrimônio é infeliz, Ivan se sente sufocado pela esposa, começando até a ter ódio e ressentimento da mesma, e busca a fuga dela no trabalho, cumprindo com ela, apenas o dever de gerar um filho, ou no caso deles, dois, Lisa e Vladimir, sendo a primeira a mais velha e o segundo o mais novo, que ainda está na escola. Ele nunca demonstra gostar destas crianças ou ter alguém sentimento por elas, na realidade, quase não se sabe o nome dos dois se não no final do livro. Ivan, um dia, acaba infeliz com seu trabalho, pois havia sido rebaixado de cargo, então, ele busca um cargo melhor, e a família se muda para São Petesburgo, pois agora, Ivan é um oficial importante da Corte da Justiça; ele vai antes da família, compra uma casa e manda mobiliar ela inteirinha, não parece fazer com gosto, que não para mostrar seu poder. Enquanto mobília a casa, Ivan acaba caindo e se machuca, mas não dá importância a essa queda e machucado, e apenas leva a família para a casa, esposa e filhos ficam deslumbrados, pois Ivan havia dito que a casa era pior para os dar essa surpresa, e mais uma vez, segue a vida burguesa rica russa comum para a família. O problema se inicia com a queda de Ivan, seu machucado acaba por evoluir e evoluir, até que ele não suporta mais a dor, vai ao médico, nada resolve, a outro médico, nada resolve, e a dor começa a aumentar e aumentar, ele tenta ignorar, tomando os remédios e se afundando no seu porto seguro, o trabalho, porém essa dor, que logo se torna uma doença, começa a consumir Ivan. Logo, Ivan está de cama, cada vez mais incapaz, cada vez mais miserável e melancólico, ao ficar doente, Ivan começa a se ver como um estorvo e perde as esperanças a cada dia que se passa, ficando sempre fraco e com dor; em certo momento, Ivan nota que a morte se aproxima de si, ela o espreita e isso o apavora, então, acompanhamos Ivan em seus pensamentos, desejando viver e se perguntando o por que de desejar isso, até que chega na conclusão de que não tinha porque viver, e que não tinha feito nada em sua vida. A doença só aumenta e aumenta, aparentemente, sua esposa não dá ouvidos ou se importa com o estado de doença do marido, sua filha também não se importa, afinal, ela está sendo prometida a um homem, e deve se preocupar com isso, os únicos que, aparentemente, de importam com a doença de Ivan são seu filho e seu criado, um jovem cheio de vida, Gerassim, a quem Ivan é muito grato. Depois de muita agonia, berros por três dias e absurda melancolia, Ivan finalmente morre, sentindo como se tivesse se libertado da família e libertado a família dele, como um estorvo. E o livro acaba, pois voltamos a situação do começo.



O livro mostra bastante, na minha opinião, o que é morrer, em todos os sentidos, e como algumas pessoas já estão mortas antes de se quer morrerem. O Ivan, ou Vanya, porque eu acompanhei a vida dele e a morte, logo somos SIM amigos, é um homem absurdamente vazio, suas relações, com a família e com os amigos, com o trabalho e com a vida são vazias, simples, quase como um "dever a ser cumprido" (como apontaram minhas amigas, que eu achei pertinente), ele não ama sua esposa, nunca amou e, me atrevo a dizer, nunca chegou a se quer gostar dela, ele diz ter repulsa dela e ódio da mesma; não se sabe o nome de seus filhos até o meio do livro, ele não se importa com eles e nem parece gostar dos dois, os tratando apenas como continuação da sua linhagem, a filha, uma jovem nobre, muito semelhante a mãe, acaba por noivar com um homem por seu status, ela parece até gostar de seu noivo, e ele dela, porém isso é a demonstração de o quão rasa as relações destas pessoas são. O livro é bem Realista (as in Escola literária Realismo) em mostrar as relações dos personagens e a futilidade de todos, quando Ivan morre, seus "amigos" pensam sobre dinheiro, sobre cargo, mostrando como as pessoas o viam e como elas se relacionavam umas com as outras, nenhum deles se importa que Ivan morreu, eles apenas ficam meio pensativos sobre morrer, pois a morte de uma pessoa próxima te faz pensar sobre a morte de si e sobre o que é viver. 

Quando Vanya se pergunta sobre sua vida, e chega na conclusão que não tinha feito absolutamente nada de interessante, de importante, é um bom momento para notar que, A Morte de Ivan Illich não se trata ou se tratará da morte física dele, mas sim a morte total, Ivan não será imortal, pois ele não será lembrado, afinal não fez nada. Se me permitem, e eu sei que vocês me permitem pois esse é o meu blog e vocês amam que eu escreva, eu farei um pequeno hiato para explicar uma referência histórica aqui; no poema épico e velho para dedeu, "Epopéia de Gilgamesh/Gilgamés", quando ele (Gilgamesh), triste pela morte do seu AMADO companheiro Enkidu (sem "and they were roommates" aqui, o Gilgamesh chorou que nem a porcaria de uma VIÚVA com a morte do Enkidu), busca uma forma de tornar-se imortal, mas falha, pois não há uma maneira para um homem ser imortal, isso é, não morrer, notamos que a imortalidade, e por consequência a mortalidade, é muito além do corpo, Gilgamesh, voltando para casa, nota o que havia feito em sua cidade, Uruk, e chegamos a conclusão de que ele será sim imortal, pois todos nós nos lembraremos dele. Onde eu quero chegar com essa pequena referência histórica e literária, diferente de Gilgamesh, Ivan morreu sem deixar nada, ele nota que era um nada, um inútil, e que iria morrer e ser esquecido, pois até no trabalho, que ele dedicou tudo que tinha, ele será esquecido e substituído. A "morte estendida" de Ivan, isso é, a morte antes e depois dele de fato morrer, também contempla ele pensar que está morto ou não querer viver, apenas esperará para morrer; muitas vezes, pessoas doentes acabam por falecer pois não sentem vontade de lutar contra aquela doença, então apenas morrem, as vezes antes da morte de fato, e não importa o que se faça, não temos como mudar isso, a família de Ivan poderia querer que ele vivesse, mas ele mesmo não queria viver. 

Minhas amigas, MR e B, falaram, enquanto estávamos todas conversando sentadinhas numa canga no chão e comendo biscoitos, que Gerassim, o criado, poderia ser um contraponto para Ivan, pois Gerassim era jovem, cheio de vida e parecia realmente aproveitar sua vida, ele parecia dar significado a viver, algo que Ivan não fez, de acordo com elas, e eu concordo, ele era tudo o que o Ivan não era, e o fato de que o Ivan se agarra (emocionalmente) a ele em seu leito de morte, era como se ele projetasse em Gerassim a vida não vivida por si.


No fim, o livro é bem interessante e bom, nos faz pensar sobre o que é morrer, e notar o quanto a morte está perto e longe de todos nós, podemos morrer a qualquer momento, por coisas bobas como uma queda, por isso, é interessante que pensemos o que fizemos e se aproveitamos nossas vidas, é meio difícil aproveitar totalmente tudo, porque temos que fazer um bando de coisas que não gostamos, mas nunca se sabe quando se vai morrer. Recentemente, eu passei por algo parecido, a morte de alguém próximo, uma parente muito próxima, os detalhes serão mantidos por respeito a minha família e a vocês, que não merecem ficar tristes por assuntos sensíveis de uma garota aleatória na internet que possui um blog bobinho, porém, quando uma pessoa morre, a realização de que todos podemos morrer a qualquer momento bate em todos nós, e de repente, podemos viver mais, porque nunca sabemos quanto tempo temos. Agradeço a todos vocês por lerem o meu blog como parte da vida de vocês, desculpa pesar o clima, mas o livro permite pesar o clima um pouco mais.

Então é isso, o livro é bom, é rapidinho, pode-se ler em uma tarde (ou um dia se você não tiver mais o que fazer) e nos permite pensar bastante sobre muita coisa, lembre-se de ler em um momento de saúde mental boa, esse livro foi responsável por fazer um clube de leiturinha (que a foto do grupo no Whatsapp sou eu inclusive, algo muito engraçado) que tem mais membros agora, e eu (tentarei) postar sobre todos os livros que leremos. Caso tenham alguma sujestão de livro para eu falar sobre e para que a gente leia no clube, comente!























Beijos, Dorothea <333333

sábado, 23 de maio de 2026

QUAL O TAMANHO DO DRAGÃO??? Uma análise de Quarta Asa, porque eu estou sendo ameaçada/j (primeiro volume)

 "Quarta Asa", por Rebecca Yarros

Dos mortos eu ressurgi depois de cinco meses sem postar nada (amo que meus leitores não esperam muito de mim mesmo) porque eu estava, muito educadamente, com muita vontade (fui pseudo ameaçada) de postar aqui sobre esse livro. Na verdade, eu li esse livro no final do ano passado, a edição que eu usei é da minha amabilíssima amiga (kiss kiss for yuuuu) a qual pediu muito incessantemente para que eu postasse minhas opiniões sobre a história e do livro. Para terem todos uma noção, esse livro tem cerca de QUINHENTAS páginas, contadas todas em primeira pessoa, o que já marca um longo e desgastante sofrimento para uma pessoa exifgente como eu.


O livro segue a história de Violet Sorrengail, a filha de uma general muuuuuuuito importante em seu reino Basgiath (eu tive que ler o nome no google porque não lembro como escrever), o qual está em guerra a uns 400 anos com um outro país, chamado Poromiel, ambos pertencentes a um mesmo continente chamado Navarre, onde existem criaturas místicas como dragões, grifos e gente de cabelo pintado ao contrário. Tanto o exército de Basgiath quanto o de Poromiel usam dessas criaturas mágicas como força de batalha, por meio de um acordo, os de Basigath usam os dragões, e os de Poromiel usam Grifols, pois grifos e dragões também são inimigos naturais nesse mundo. 

Violet é a terceira filha desta general com um HISTORIADOR, que buscava alguns conhecimentos ocultos mas morreu pelo bem da narrativa, deixando Violet muito triste com a morte de seu pai. Originalmente, ela seguiria o caminho de seu pai, sendo uma escriba (historiadora), principalmente por conta de sua péssima condição física que a fazia ficar toda quebra por qualquer coisa (falta de beber leite perchance?), enquanto seus irmãos mais velhos, Mira e Brennan, seriam Cavaleiros (de dragão). Tudo bem tudo ótimo, até que Brennan morre, e Violet é forçada por sua mãe a entrar para a Academia de Guerra de Basgiath e se tornar uma cavaleira, mesmo que tenha treinado apenas TRÊS SEMANAS intensivamente. Mesmo com Mira e a própria Violet tentando argumentar que é impossível essa criança vitoriana sobreviver na Academia Militar, a mãe força, e Violet vai mesmo assim.

Violet entra, depois de passar pelo Parapeito, que nada mis é do que uma espécie de parede fininha que eles tem que passar para entrar e ver se sobrevivem por pura seleção natural, e acaba por chamar atenção de um misterioso aluno do terceiro ano, que começa a observa-la, e por conseguir uma amiga, que é simplesmente maravilhosa, porém tem um nome muito difícil (Rhiannon), porque Violet a ajudou a passar pelo parapeito. Além disto, neste ponto da história conhecemos o amigo de infância e antigo crush de Violet, Dain, filho de um general muito importante também, que está no segundo ano, e parece concordar com Violet e todos que ela não deveria estar ali. A história que se segue passa por todo o primeiro ano de Violet, onde ela descobre que, por mais CDf que seja, o teste médico e teste físico existem por um motivo para entrar no exército, que é, pessoas morrem e saber lutar é o básico. Neste meio tempo, descobrimos que o homem misterioso é Xaden Riorson (de acordo com minha amiga é Zaden que se fala), o filho de um líder revolucionário e atual líder da facção(?) grupo(?) conjunto(?) de outros filhos dos revolucionários, os quais, todos, odeiam a mãe de Violet, e por conseguinte, odeiam a Violet. O primeiro teste importante é o Circuito, que consiste em basicamente se jogar e escalar coisas para chegar numa arena para desfilar na frente dos dragões, que os escolherão (ou não) no Dia da Ceifa.

O que é importante para o início da história é o Dia da Ceifa, ele chega, e vão todos para a arena, se matar e tentar formar conexões com os dragões, briga, morte e sofrimento para lá, Violet acaba por salvar uma pequena dragão filhote de escamas douradas, do ataque de outros, sozinha, com pouquissima intervenção, proibida, de Xaden; essa pequena ajuda leva a Violet, não um mas DOIS dragões, essa pequena e um grande e ancestral, só tem dois problemas, Violet não consegue ficar no dragão sentada, e, agora ela está ligada a Xaden, pois seus dragões são casados, dando início a um futuro romance.

Dali em diante, Violet e Xanden começam a ficar mais próximos, em um enemies-to-lovers e muita tensão acumulada no ar, enquanto isso, Xaden manda seus "subordinados" treinarem Violet para que ela não morra de simples vento e possa lutar, pois a morte de Violet, que tem uma conexão com o dragão (Tairn), levaria a morte de Xaden, que tem conexão com a dragoa (Sgaeyl). Violet também começa a buscar mais conhecimento, pois seu pai havia lhe deixado um livro de contos folclóricos que não poderia ser achado em nenhum lugar, sem contar nos buracos e lacunas informacionais  sobre a guerra, por parte dos superiores. Quando ocorrem as olimpíadas de guerra ou seja lá o nome desse negócio, e a divisão de Xaden, a Quarta Asa, é mandada para um front muito distante, Violet descobre coisas que não deveria.


Eu já falei muito muito sobre o livro e não quero dar spoiler, principalmente do plot, que é bem legal e interessante, para eu ser realista, a criação de mundo é realmente muito boa e rica, não faltam informações e nada é muito repetitivo, toda a ideia das informações e de que "a historia é contada pelos vencedores" que o livro se embasa é realmente uma jogada de mestre muito bem escolhida e executada pela autora, além disto, alguns elementos folclóricos reais e referências de RPG foram ótimas de serem indentificadas e lidas, nenhuma reclamação em relação a isso. Agora...

O ROMANCE É UM PORRE!!!!!!!

Falando sério, o romance é horrível, porque além da protagonista ser uma chata pick-me-gal, que fala "AaIiN ComO Eu SOu bAiXInha UnU" e "nooooossa coitada de mim com meus ossos  frágeis que quebram e meu nojo a matança aiiii" tipo, GARORTA SE TOCA!! Principalmente quando é intercalado com "eu sou foda e foderástica e fodona" , é um comportamento indeciso e absurdamente enfuriante de se ler!! Adicionado a isso, o livro (e ela por conseguinte pois ELA é a narradora) fica o tempo todo martelando na nossa cabeça o quanto o Xaden é "bonito" e "atraente", quando na real ele só é padrão, sem sal ou pimenta, literalmente o Cara Bonito Bad-Boy Misterioso com passado Traumático que Controla as Sombra e que os músculos têm músculos™, sem nada de novo, literalmente mais do mesmo. Não entendam-me mal, amadas fãs do Xaden que querem me pegar de porrada na rua, ou fãs desse tipo de homem, eu não tenho nada contra MLs (Male Leads) desta forma, porém, com o modo em que são escritos e apresentados ao público, um exemplo bom deste tipo de personagem é o Sussenyos Sagad de Inimigo Imortal (review yet to come), que é EXATAMENTE esse tipo de personagem meio Bad-Boy, obscuro e misterioso, enquanto atraente, e olha que eu não o acho atraente, de ponto pessoal. O Xaden tem seus momentos de glória, mas overall ele é chato é um tipo de personagem que eu já vi um bilhão de vezes (até em yaoi!!!) e não me interesso, na verdade, eu viro a cara totalmente quando os vejo. Leitores, se me permitem um Rant, na realidade, eu tenho que dizer:

POR QUE NÃO EXISTEM MAGRELOS????

Como Ministra do Sindicato para Representações de Magrelos, e entusiasta de magrelos pálidos vara-pau esticados, basicamente uma versão com rosto e ikemen do Slenderman, tenho que escrever e deixar marcado nesse subterrâneo blog da internet, o quanto eu  desejo e necessito de interesses amorosos masculinos em livros como homens magrelos, e o fim dos homens musculosos, porque eles não são atraentes e nem têm apelo. Talvcez eu possa atestar que magrelos sejam uma classe ainda mais oprimida que meus amados Cientistas Loucos & Médicos Antiéticos (in fiction, socorro), os quais eu sonho como sendo interesses amorosos em algum livro que presta de Dark Roamance. De verdade, eu estou no mapa da fome :(((((

Me desviei e tangenciei o tema por um instante, porém, overall, o livro é bom péla sua criação de mudo, e eu li mais por ela e pela pressão das minhas amigas do que por puro interesse próprio; não é o tipo de livro que eu leria de maneira orgânica, porém, estou lendo o segundo volume, nem que seja para falar mal e chorar por pouca representação de magricelos, e quando eu acabar, postarei-o-o aqui


Então é isso, espero que tenham gostado!! Não prometo nada sobre postar, porém vou tentar fazer a boa e postar um tantinho mais.









Beijosssss, Dorothea<3

destaque da semana

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