Mostrando postagens com marcador pensamentos e análises. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamentos e análises. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Meus pêsames pela cidade no fim do mundo, mas você tem um namorado vampiro, e ele brilha!!Uma análise de "Crepúsculo" por Stephanie Meyer, que por acaso é mórmon?

 "Crepúsculo" por Stephanie Meyer 


A pedido de muitos, eu trago a história mais amada da cultura pop, Crepúsculo . Esse livro, responsável pelo fenômeno de crianças portuguesas estarem falando abrasileirado e pela criação de "50 tons de cinza" – que é uma fanfic de Crepúsculo SIM – sem contar na maior disputa, equivalente a brigas de torcida organizada ou partido político em ano eleitoral, sobre com QUEM a protagonista deveria ficar. É um grande livro de fato.

Eu recentemente adiquiri toda a coleção em um box de Edição Especial – porque tudo o que eu tenho é Edição Especial – então, me aventurei a ler, pois eu já vi os filmes e gosto da saga. A história, para quem não sabe, segue assim:


Nossa protagonista da vez é Isabella Swan, a qual insiste em ser chamada somente de Bella, uma garota de dezessete anos que acabou de se mudar para a pacata cidade de Forks, após sua mãe casar-se novamente. Ela nasceu nessa cidade e costumava passar seus verões ali, junto a seu pai, Charlie Swan, o xerife da cidade.

Bella parece infeliz em ficar em Forks, pois é uma cidade MINÚSCULA no FIM DO MUNDO, que só chove, bem diferente de Phoenix, onde ela morava com mãe, mas parece bem mais aceitável do que viajar por aí com o novo marido de sua mãe. Seu pai, por outro lado, parece super feliz em tê-la morando com ele. Charlie remonta o quarto de sua filha para que ela fique confortável e até dá a ela um carro, para que ela não tenha que comprar sozinha. 

Bella fica levemente feliz e começa a aceitar sua vida em Forks, ela vai a escola no dia seguinte, para uma matrícula no meio do semestre, onde ela conhece os demais personagens dessa história. Ela pensa que não será popular, mas na realidade, muitas pessoas conversam com ela, entre elas, Jéssica, uma colega de aula de Bella, que a chama para sentar junto no refeitório. Na hora do almoço, Bella observa um grupo de estudantes que parecem deslocados da multidão, todos muito bonitos e pálidos; curiosa, ela pergunta a Jéssica quem seriam aquelas pessoas. A resposta é: eles são a família Cullen – Rosalie, Emett, Alice, Jasper e Edward – filhos adotados de um médico renomado e sua amada esposa que não pode ter filhos biológicos. De acordo com a garota, todos eles são muito bonitos, porém, não conversam com ninguém e possuem uma relação meio incestuosa. Bella parece não escutar muito e se torna curiosa sobre a família por um pouco de tempo, porém, logo volta a seus afazeres comuns de pessoa. Na aula logo após o almoço, para a alegria de Bella e andamento to plot, ela se encontra com Edward, o mais novo da família, quem será seu parceiro de laboratório em biologia. 

Edward, assim que a vê, já tenta se afastar e cobre o nariz como quem sente cheiro de bosta, o que intriga um pouco a nossa protagonista, que também se afasta como resposta. A aula corre de maneira comum e passamos para o próximo momento, quando Bella vê que Edward simplesmente teletransporta (não literalmente) para a porta e sai sem falar nada, causando mais estranheza. Ela segue sua vidinha e vai, ao final do dia, buscar seu horário com a secretaria, onde ela vê Edward mais uma vez. Toda essa atitude de Edward é suficiente para chamar a atenção de Bella, que começa a dedicar seus próximos dias a procurar por ele inconscientemente, tentando entender se ele a odeia ou algo do gênero. Surpreendentemente, ao mesmo tempo que ela parece hiper-fixada em Edward, ela chama a atenção de outras pessoas, como Eric, Mike, Tyler e Angela (que parece odiar ela por sua proximidade com Eric), os quais se tornam seus amigos.

A busca por Edward tem seu ápice quando, no estacionamento da escola, um carro, meio desgovernado, quase a atropela. Eu digo quase, pois ela fora, heroicamente, salva por Edward, que simplesmente empurra o carro para longe com a mão  salvando a coitada, ele empurra duas vezes o carro, porque não contente em quase atropelar a coitada da Bella uma vez, o motorista inconsequente tentou atropelar ela DUAS VEZES. Como resultado, Bella vai ao hospital, onde conhecemos Carlisle, o dito médico e pai do Edward, que assegura Bella de estar bem, e de que Edward também está bem. Depois desse incidente, tanto Tyler começa a quase perseguir Bella para se desculpar por quase matar a coitada, quanto Edward e Bella se aproximam. Ela começa a perguntar como que carambas ele chegou tão rápido até onde ela estava, coisa que Edward nega até a morte, insistindo que estava o tempo todo ao lado dela, porém, depois de muita insistência, ele concorda em contar a ela como chegou até ali. Os dois acabam se aproximando mais, pelos capítulos seguintes, chegando até a parecerem amigos próximos.

Os amigos de Bella arrumam de todos irem a praia, ela chega a chamar Edward, que rejeita a proposta, dizendo que sairá com a família. Bella fica um tanto triste mas vai no rolê mesmo assim, junto aos seus amigos. Na praia, eles encontram com um grupo de jovens que parecem ser nativos-americanos, moradores da reserva florestal onde a praia se localiza. Os dois grupos de adolescentes começam a conversar e trocar algumas ideias, todas as vezes que Bella menciona Edward, o mais velho parece soltar farpas esquisitas e frases estranhas, que deixam claro uma inimizade. Bella avista, no meio deste grupo, um jovem, Jacob, filho mais novo de um amigo de seu pai; utilizando-se de já se conhecerem previamente, ela se aproxima do garoto, e com uma flertada meia boca, arranca algumas informações dele, sobre o porquê de o cara ter demonstrado tanta inimizade. Jacob, em toda sua inocência, conta que os Cullen são, segundo uma lenda muito velha, vampiros e por isso o pessoal da reserva não gosta muito deles. Bella fica surpresa mas encucada, guardando essa informação até o rolê acabar. Quando esse rolê péssimo acaba, Bella corre para seu quarto e começa a pesquisar sobre vampiros, é ali que ela tem CERTEZA de que Edward e sua família são vampiros.

O baile de primavera está chegando, Bella rejeita Mike e Eric, os arranjando para suas amigas Jéssica e Angela, além de Tyler, com sua dor na consciência. Sua desculpa é que irá para Phoenix no mesmo fim de semana, por isso não poderá ir. De toda forma, ela aceita sair com suas amigas para a cidade vizinha, Port Angels, para que Jéssica e Angela (as amigas) possam comprar seus vestidos e apetrechos de baile. Nessa viagem, porém, Bella é infelizmente perseguida por um grupo de homens que tentam se aproveitar dela, porém, antes que o pior aconteça, Edward surge e a salva dos agressores. Ele, então, a leva para jantar em um bom restaurante, onde os dois conversam um pouco mais, Edward esclarece que de fato, é um vampiro, e que pode ler mentes. Ele diz que pode ler a mente de qualquer um, menos a de Bella, o que o deixou muito curioso sobre a garota. Conversa vai conversa vem, ele se oferece a levá-la para Seattle no final de semana do baile, coisa que ela aceita, e os dois vão embora do restaurante.

Daqui em diante, Edward e Bella começam a se aproximar mais, com ela deixando de sentar com os amigos no almoço para sentar com ele, coisa que nem os amigos dela, muito menos a família dele, vêem com bons olhos. O baile se aproxima cada vez mais, assim como a "viagem" de Bella, que foi cancelada pela mesma para que Edward possa explicar para ela algumas outras coisas sobre si, como o porquê de ele não poder ir no sol. No dia, o pai de Bella sai cedo para pescar, como havia combinado que faria, enquanto Bella, sai com Edward, sem que o pai saiba. Os dois não vão a Seattle, mas sim a uma clareira bonitinha no meio da floresta, ali, Edward revela que o motivo de ele não ir no sol é porque ele brilha, algo que é muito desconfortável para ele e para a família, já que chama muita atenção, e provavelmente dói um pouco. Nesse momento, temos Edward se mostrando vulnerável para Bella, e uma parte muito importante para o início do romance dos dois, pois Bella diz se sentir confortável e assegura que não tem qualquer medo de Edward.

Os dois começam a namorar, e temos a cena de Edward ser apresentado para Charlie, e depois Bella para a família Cullen, que acontece no dia seguinte. Charlie parece muito confuso pelo namorado que acabou de aparecer para sua filha, mesmo assim, aceita Edward como o namorado dela. Os dois, Edward e Bella, então, vão até a casa dos Cullen, que é no meio da floresta, onde somos apresentados, mais formalmente, a família de Edward, incluindo a "mãe" dele, Esmee. Boa parte da família de Edward acolhe Bella como uma filha ou irmã, a única que realmente parece não gostar dela é Rosalie, a mais velha, em aparência, deles. 

O céu começa a fechar, e a família Cullen decide que é uma ótima ideia jogarem baseball todos eles, assim, Bella é levada para casa, a fim de que se troque para uma roupa mais quente, e depois é levada, junto aos Cullen para um espaço aberto enorme e afastado da cidade. Bella se pergunta o motivo de eles precisarem de uma tempestade, questionamento que é logo respondido ao início do jogo, pois todos ali, aparentemente, possuem força o suficiente para quebrar a barreira do som, assim, a tempestade é um bom abafador para os ruídos. Em meio ao jogo, outro grupo de vampiros, compostos de três pessoas, aparece, e começa a conversar com os Cullen. O problema é, Bella, uma humana, está junto aos Cullen, e um dos vampiros põe seus olhos nela. Os Cullen não caçam pessoas e se alimentam de animais, por motivos próprios, por isso, conseguem manter Bella por perto, esse grupo, porém, são nômades e atacam humanos. Depois do encontro, um tanto desconfortável, os Cullen chegam a conclusão mais clara, aquele vampiro está buscando por Bella agora. 

Os Cullen, então, resolvem que tem de protegê-la, pois seria meio que culpa deles, que ela tornou-se uma vítima. Eles a tiram de Forks e vigiam a casa dela, secretamente, para evitar que Charlie seja atacado também. Bella é levada para Port Angels, onde ela costumava morar, de forma a se esconder do vampiro que a busca. Ela, porém, se sente insegura e culpada por estar levando toda a família Cullen a se movimentar para salvar ela. Para completar, ela descobre que sua mãe está indo mais cedo para a casa, o que a deixa ansiosa, tanto que Bella deixa uma mensagem, em sua casa, dizendo com quem está, para a sua mãe. Essa mensagem, porém, é escutada pelo dito vampiro, que diz estar com a mãe de Bella, e a faz fugir dos Cullen para vê-lo. Bella, então, resolve que irá se encontrar com o vampiro, para salvar sua mãe e dar um fim a tudo isso. Ele diz estar em um antigo estúdio de Ballet, onde ela costumava dançar quando criança, algo que Alice também sabe, por sua clarividência. Quando a guarda dos Cullen abre uma brecha, Bella foge, indo em direção ao dito estúdio de Ballet, apenas para descobrir que o Vampiro a enganou, sua mãe está bem e longe de Port Angels. O vampiro, então, tenta mata-la e até mesmo a morde, porém, os Cullen chegam a tempo e a salvam da morte, matando o Vampiro.

Bella vai parar no hospital, viva, para a alegria de toda a sua família, que está preocupada, porém toda machucada. Além das sequelas de ter "caído da escada" enquanto Edward a perseguia de volta para casa, Bella agora possui uma vontade ardente, uma vez que descobriu como é o processo de tornar-se vampira, e começa a pressionar Edward para que a transforme. Ele sempre rejeita os pedidos da namorada, e parece meio inseguro sobre ficar na cidade, uma vez que os outros vampiros do bando que os atacou, buscarão vingança pelo membro perdido. No meio tempo, Edward leva Bella ao baile, onde temos mais interações dela com Jacob, que parece, aparentemente a pedido do pai, interessado em fazê-la terminar com Edward.



Essa é basicamente a história do filme também, com algumas poucas mudanças, sendo a maior delas, a idade de Jacob. Gostaria de clarificar para vocês, fãs do Jacob, que ele tem apenas 14 ou 15 anos no livro, sendo considerado "muito mais novo" do que Bella, que tem 17 para 18, algo que acaba um pouco com o romance. Eu confesso que não li o segundo livro, pois ainda estou no caminho de ler ele, e estou muito mais interessada em ler "A História Secreta dos Mongois", então tenham paciência por gentileza.

Minhas considerações a cerca desse livro são que a Bella é muito engraçada. O livro é em primeira pessoa – coisa que eu odeio – então temos bastante dos pensamentos e visão dela sobre o mundo, o que é bem auto depreciativo e até meio sarcástico. Não tira o fato de que ela e completamente insossa e parece a porcaria de uma protagonista de fanfic, uma vez que TODOS OS CARAS parecem estar interessados nela, e ela é automaticamente muito popular por motivo algum. Ela pode até realmente ser uma garota bonita, algo que eu acredito que ela seja, além de nova na cidade e namorada do cara misterioso Edward, porém nada justifica. Ela realmente é engraçada, porque parece genuinamente não se importar com absolutamente nada que ela não goste, ao ponto de que demorou um bom tempo para ela ao menos se dar o trabalho de lembrar o nome de seus "amigos" os quais ela parece apenas suportar. Dentro do livro, ela é aceitável, mas acho que eu a chutaria se a visse na vida real. Começa que ela entra no estereótipo odioso de " ain como eu sou frágil e desengonçada e feinha uuuuuu " enquanto DEUS E O MUNDO se movimentam a favor a menina; realmente dá raiva.

A conta do próprio Edward, ele também eu em cômico e sarcástico no livro. O cara é obviamente o pai dos MLs horríveis e genéricos, sendo um homem misterioso, meio bad boy, que na verdade só quer proteger a amada dele, além de um óbvio não magrelo – algo que todos nós nesse blog já sabemos que é IMPERDOÁVEL. De verdade, eu fiquei mais surpresa se ele ser canonicamente malhado e fortinho do que o fato de ele ser ruivo! Pois, venhamos e convenhamos, todos os vampiros são magrelos. Está escrito em "Drácula" de Bram Stoker, os vampiros são magrelos. O único que eu estava aceitando ser uma geladeira era o Emmet, porque ele passa a vibe de ser uma geladeira Eletrolux Quatro Portas Frost Free com Dispenser de gelo™ e se ele não fosse assim, seria um erro.

Adicionado ao erro de personagem de ele não ser um magrelo, temos MUITOS outros erros quando se trata de vampiros. O primeiro e mais gritante é: ele brilha. Nada contra pessoas brilharem, eu gosto de brilho, eu ando cheia de jóias que provavelmente brilham no sol, mas vampiros não brilham. Como membro vitalício e fundadora do Ministério Internacional de Interpretação e Representação Correta de Monstros, Lendas e Outras Criaturas®, fundado em minha infância, eu devo advertir que o correto seria ele DESINTEGRAR que nem livro velho de biblioteca fechada, no sol, não brilhar como aquelas bolinhas giratórias de discoteca. Além disso, eu não lembro em lugar algum dizer que vampiros não precisam dormir, eu acredito fielmente que eles durmam, logo, refutamos a falta de camas. Ademais, eu não sei se vampiros têm superforça ou poderes de leitura de mentes ou rapidez suficiente para rivalizar um caça de última geração ao quebrar a barreira do som, mas teria que checar todas essas coisas. O erro principal é a família Cullen não se transformar em absolutamente nada, um erro gravíssimo, pois vampiros podem se tornar lagartos se quiserem.

Um pequeno hiato, já que falamos de vampiros: eu sei que o Drácula tem três esposas/noivas, me pergunto se ele as trata igualmente, caso ele não as trate igualmente, elas poderiam se divorciar dele, certo? Ignorem esse comentário por instância.

Já falamos de Edward é da péssima representação de vampiros que esse livro tem, então vamos falar do carro chefe das minhas decisões sobre o livro, Carlisle. Desde que eu assisti aos filmes, eu sou time Edward, e o motivo é exatamente o Carlisle. Não entendam mal, apenas segurem minha mão enquanto eu descrevo meus motivos. Ele é lindo, a própria Bella diz que ele é lindo, além de ser um médico, provavelmente cirurgião, o que significa que ele fica sujo de sangue de pacientes, o que é, conhecido aqui como muito atraente, eu não sei o que mais faz ele ser atraente, além da personalidade dele e o fato de ele ser muito muito muito muito mais velho que eu. então me manterei a isso apenas, gostaria de esclarecer que eu não tenho nada contra a Esmee, que provavelmente é lindíssima também, e não desejo roubar o marido dela para mim, na verdade, Carlisle é rico o suficiente para manter nós duas de maneira confortável e agradável.

Em resumo, pensem comigo, se eu fosse time Edward, ou seja, se a Bella ficar com o Edward, eu veria muito mais do Carlisle, logo, todos ganhamos. Tirando o Carlisle, pelos FILMES a Bella combina muito mais com o Jacob do que com o Edward, sendo assim, eu seria uma ferrenha fã de Jacob x Bella. Nós livros, ou no primeiro livro, porém, a Bella é completamente apaixonada e louca no Edward, e no estilo de vida de ser vampiro. Os dois combinam muito, mas com a insistência da Bella, eu começo a desejar que o Edward arrume alguém mais tranquilo, coisa que não vai acontecer, porque ele também é completamente apaixonado nela.

Eu ia terminar a review aqui, mas lembrei de uma coisa: Crepúsculo deve ser horrível na visão do Charlie. Além da filha dele ser uma grande ingrata que parece detestar a cidade e tratar ele como um colega de quarto, quando o cara deu um Full ass CARRO para a diva, ela do nada começa a namorar um cara, sendo que tinha falado um dia antes que não tinha namorado nenhum. Além disso, depois de apresentar esse namorado, ela entra correndo e esbravejando dentro de casa e foge do mais absoluto NADA apenas para aparecer três ou dois dias depois acamada no hospital lá em Port Angels toda quebrada. Realmente uma existência péssima, esse homem precisa de terapia constante, ou de ser mais rígido com ela, se eu fizesse um décimo do que ela fez, eu acho que não veria a luz do dia pelos próximos quinze anos. Meus pais teriam me quebrado de novo naquela cama de hospital por me meter em furada e eu não veria a cara do meu "namorado" até o fim dos meus dias.

Outra coisa, mas é mais cultural, sobre Bella e Edward namorando, é o fato de não ter pedido algum. De verdade, eu fiquei muito confusa para saber quando eles começaram a namorar e quando eles não estavam namorando, eu sei que é cultural dos EUA não ter pedido, mas isso é muito esquisito.


Todas as coisas ditas e faladas, não tenho muito mais o que dizer. Peço mil e uma desculpas pela minha demora e atraso para postar!! Eu tinha muito o que fazer (ler sobre o Temüdjin e estudar) e estava um pouco sem ideia do que postar, porque não terminei muitas coisas interessantes esses dias. Aos fãs dos filmes e às pessoas curiosas, comprem o livro, mesmo que vocês já tenham assistido o filme, vale muito a pena ler, além de ser uma história importante da cultura pop!! Então é isso, deixem nos comentários recomendações de coisas para eu falar e fazer sobre, vocês são time Edward ou Jacob? E por quê? Lembrem-se de serem minimamente legais, pois todos aqui somos humanos e temos sentimentos. Até semana semana que vem!















Beijosssss, Dorothea<333333

domingo, 9 de agosto de 2026

Homem bobinho vê uma mulher pela primeira vez na vida e cria uma narrativa inteira na sua cabeça, no fim ele era apenas segunda opção, todos já passamos por isso uma vez na vida. Uma análise de "Noites Brancas", por Fyodor Dostoyevsky, e o russo patético

 "Noites Brancas: Memórias de um Sonhador" por Fyodor Dostoyevsky 


Sou diligente e cumpro minhas promessas, então, estou aqui mais um dia em mais uma semana para entregar meus posts a vocês. Mereço palmas, não mereço? Palmaspalmaspalmas

Brincadeiras a parte, mais uma vez, estou falando de um livro lido para o meu clube de leitura (que agora tem muito mais membros). Porém, como ainda não aconteceu a reunião, nós ainda não falamos sobre esse livro. Então todas as opiniões Serão totalmente minhas e minhas.

O livro tem, na minha edição, cento e doze páginas, porém, apenas noventa ou oitenta delas são para Noites Brancas, as outras são para uma outra história, que mais uma vez eu ainda não li (Caso estejam com dúvidas a edição é a da Penguin Companhia). A história, segue mais ou menos assim:

Seguimos o nosso protagonista sem nome, que é um pobre iludido morador de São Petesburgo. Ele não parece ter um trabalho, nem ser um estudante, apenas é um atoa com muito tempo livre. O período que se passa essa história, contada na visão dele mesmo (mais um livro em primeira pessoa, acho que eu só detesto romantasia mesmo), é um período do verão em que o sol não se põe totalmente, ficando naquela margem do quase poer que é lindíssima. De acordo com o protagonista, todos na cidade viajaram para suas casas de campo, e ele é deixado para vagar solitariamente pela cidade.

Em seus andarilhos solitários cheios de devaneios, ele encontra uma mocinha, chorando as margens de um rio, e tenta conversar com ela para saber o motivo de ela estar a chorar. A mocinha, porém, sai antes que ele possa fazer alguma coisa, e começa a fazer seu caminho de volta para casa (supostamente), deixando-o parado. Neste caminho, ela começa a ser seguida por um homem estranho, que é avistado pelo protagonista, que observava a garota estranha sair. Em um momento de cavalheirismo (o mínimo btw) ele corre até ela e rapidamente toma a sua mão, soltando ao entranho perseguidor um olhar de repreensão que o faz recuar para seu antigo caminho.

Nosso protagonista, então, começa a conversar com a jovem, que parece mais grata e confortável com ele do que assustada por um desconhecido estar segurando a mão dela no absoluto nada. O próprio protagonista pergunta porque ela não está assustada por ele, enquanto pedia desculpas incessantemente porque aparentemente aquela era a primeira vez em que ele tocava em uma mulher; ela apenas diz que ele não a perseguiu e a ajudou, logo é um bom homem. No fim, desse caminho para a casa da moça, os dois conversam e combinam, sobre a promessa de que o protagonista não se apaixonaria por ela, encontrar se mas margens do rio que se viram pela primeira vez.

O dia seguinte começa com os dois se encontrando na margem do mesmo rio, e começam a se apresentar e explicar quem eles são. A mocinha diz se chamar "Nastienka" e que mora com sua avó, uma senhora cega mas rígida com sua neta, que é uma garota travessa e jovem. Ela diz gostar de aprontar e sair, por isso sua avó a prende em casa, com um alfinete em seu vestido por horas e horas. Depois, Nastienka pergunta pelo nome e quem seria o protagonista, ele apenas diz ser um sonhador. Ele se apresenta como um "sonhador", alguém bobo e iludido, algo que a garota não acredita, o levando a iniciar seus devaneios sobre seus antigos sofrimentos. Ele diz que está sozinho e não consegue interagir muito bem com outras pessoas por falar demais sobre muitas coisas e ser meio sem jeito, contando sobre suas falhas de relacionamento. Nastienka ri junto ao homem e parece entender o lado dele, se divertindo em sua companhia, ainda que não saiba e nem tenha interesse aparente em saber seu nome.

Nastienka também conta de que sua avó é dona de uma casa, e aluga o quarto ou apartamento de cima, uma vez, a um ou dois anos, ela alugou para um homem jovem, por quem Nastienka acabou de apaixonando. Esse cara estava fazendo alguma faculdade, e tinha certo dinheiro, para levar Nastienka e sua avó a ópera algumas vezes, além de conversar com Nastienka algumas vezes. 

Ao longo do tempo ele deixa de conversar tanto com ela, e Nastienka, com medo de que ele se vá, principalmente perante aos comentários de sua avó, arruma sua malinha e corre até o quarto/apartamento do jovem, se declarando e chorando. O pobre coitado fica com pena dela e a abraça, dizendo que não conseguiria casar-se com ela naquele momento pois ele ainda era um estudante pobre, porém promete a ela que voltará em um ano e casará com ela. Nastienka aceita a proposta e volta para a casa, um pouco menos infeliz.

Nastienka, então, desengata a chorar e dizer que este homem havia voltado a pouco tempo, porém, até agora não havia a contactado ou buscado por ela, thus o porque de ela estar tão triste e chorando naquele dia. O protagonista, com o coração levemente partido pois ele havia se apaixonado pela Nastienka, propõe que ela mande uma carta ao homem amado, por meio de conhecidos que ela dizia ter. Nastienka fica muito feliz e começa a devaneiar junto ao protagonista de como escreverá a carta, os dois conversam e dialogam um pouco até que ela tira a carta, já escrita, de seu bolso e a  entrega para o protagonista. Ele faz uma piada e pega a carta, Nastienka, então, pede para que ele a entregue na casa de conhecidos para ela e o homem amado, algo que nosso protagonista concorda em fazer.

O dia seguinte chega, e ele, com pesar no coração, entrega a carta a família como pedido por Nastienka. Depois encara o céu e se entristece pela probabilidade de chover, e de não ver Nastienka caso chova. Não choveu e ele vai ao encontro de Nastienka mais uma vez, que se encontra alegre e feliz. O protagonista indaga a ela o motivo de sua felicidade e ela responde que está grata a ele por sua amizade e apoio com seus (de Nastienka) casos amorosos, sem que ele se apaixonasse por ela ou a incomodasse. Ela declara que o ama e que esperava que o homem amado fosse tão bom quanto ele é para ela, ainda que, talvez por ser jovem, não entenda o peso dessas palavras. O protagonista fica arrasado, porém se mantém calado perante a alegria de sua "amiga", que parece ansiosa pela chegada e possível resposta do homem amado.

Os dois acham que viram o dito homem, porém é um alarme falso, utilizado pelo protagonista, então, para dizer que entregara a carta como ela havia pedido, e de narrar sua vida pacata. Nastienka fica ansiosa e começa a reclamar sobre ele "não ter se apaixonado por ela". O barulho do relógio marcando onze horas corta a conversa dos dois, ela então, pede que o protagonista busque mais informações e a avise no dia seguinte sobre o que conseguir. Os dois se separam, Nastienka triste por não ver o amado, mas esperançosa para vê-lo no dia seguinte.

O quarto dia, e último chega, Nastienka está em cóleras, triste, pois seu amado não havia dado nem um sinal de existência. O protagonista a consola enquanto ela esbraveja a falta de respostas de seu amado e chora bastante, ele tenta a acalmar de todos os modos possíveis e até se declara para ela. Nastienka, confusa e triste, aceita os sentimentos dele e promete que desistirá do homem, que aparentemente a ignorou, para ficar com o protagonista, que parece ser uma boa pessoa. Os dois chegam até a planejar como viverão juntos, com Nastienka falando para ele se mudar para a pensão de sua avó para que os dois fiquem juntos e sejam felizes. Neste momento, porém, o homem amado de Nastienka chega, e todo o amor que deveria ser para o protagonista, volta ao dono original, deixando nosso sonhador extremamente arrasado.

A história termina com Nastienka pedindo mil desculpas e dizendo que amava o protagonista também, porém não tanto quanto ama aquele homem, eles ficam juntos e o protagonista volta para a casa, encarando sua tristeza.



Pra mim, o livro possui duas pessoas confusas e iludidas, o protagonista e a Nastienka. Ainda que, obviamente, a visão que nós temos dela não é a correta 100% porque o narrador não é confiável, ela parece com uma garota confusa, talvez por estar apaixonada e ansiosa pelo seu amor ser ou não ser correspondido. Assim, solto meu veredito sobre ela é que ela sabia SIM o que estava fazendo com o protagonista ao dar falsas esperanças para ele com palavras doces, e que ela o iludiu sim. Não que o protagonista seja um completo coitado, ele é um esquisito (fofo) e desconhece como é ser um adulto funcional, afinal ele também é mais velho do que a Nastienka, que é só uma adolescente de seus dezessete ou dezoito anos, e parece sempre muito ansioso e confuso, talvez ele seja apenas tímido e introvertido ou bobo. 

De toda forma, não acho justo como boa parte das sinopses desse livro só colocam ele como o apaixonado e iludido, quando ela também menciona e aparenta gostar dele, como apontado em inúmeras partes do livro. No final, os dois se mereciam e combinavam muito bem um com o outro, sendo genuinamente fofos e com o cheiro de um primeiro relacionamento, fadado a ser uma confusão.


Agora, para minha opinião menos séria e polêmica, que é o que todos estão esperando. O protagonista, que eu nomeei Pavel, porque ele parece um Pavel, é simplesmente um fofo!! Eu já falei milhões de milhares de vezes que gosto de homem patético bobo, plus por ele nunca ter falado com mulher. Ele é o cúmulo do homem patético quando acha que os desconhecidos que ele vê muitas vezes são amigos ou conhecidos silenciosos, ou que as casas falam com ele. O "Pavel" é tão fofinho e amável, desde a primeira palavra que ele falou eu o amei, me apaixonei por ele (?) e me identifiquei com ele. A Nastienka é muito forte e muito verdadeira ao dizer a ele que mulheres gostam de homens patéticos coitados, e que ele seria popular se tentasse falar com alguém. Eu garanto que as palavras de Nastienka seriam corretas, porque ele nem existe e nem falou comigo e eu já quero me casar com ele e ter doze filhos com ele, enchendo ele de beijinhos para parar com seus devaneios auto depreciativos. Se alguém conhecer um russo privet privet melancólico e contemplativo magrelo (porque o "Pavel" é um magrelo esse cara não pode ser nada menos do que um magrelo) por favor me avisar e dêem meu número, meu blog e meu twitter!

Saindo do meu amado – que a Nastienka não quis então eu quero – vamos falar da fofinha e perfeita Nastienka! Ela na verdade se chama Anastásia, afinal "Nastienka" é um apelido para o seu nome; aos não falantes de russo e leigos, ela se apresentar como "Nastienka" é equivalente a ela se apresentar como "Anastasiazinha", o que é bem vergonha alheia e até íntimo, uma vez que ela o faz chama-la de um apelido carinhoso, ignorando até mesmo a formalidade de Nome + Patronímio > Nome > forma curta > apelidinho; os dois são desconhecidos e deveriam usar o primeiro, como fazem em MUITAS OUTRAS OBRAS pessoas até MAIS PRÓXIMAS, é bem fofo e demonstra o quanto ela se conecta com ele. Tirando isso, a Anastásia (não sou amiga dela ainda, desculpem) é uma personagem muito fofa e uma das melhores representações de mocinha jovem que eu já li. A idade dela é bem próxima da minha e eu pude ver as minhas ações e vontades nas dela. Quando ela cita a avó, eu quase chorei, pois eu me lembrei da minha avó e senti falta dela. Obviamente, não sou tão atentada e confusa quanto a Anastásia, porém, eu certamente teria ficado amiga de um desconhecido meio patético e contado toda a minha vida, assim como esperaria pelo meu primeiro amor incessantemente; até porque eu já fiz exatamente o que a Anastásia fez, e me arrependo profundamente, mas é a vida (infelizmente não tive um final feliz, o cara me rejeitou). 


De toda forma, o livro é bem legal e rápido de se ler, a escrita é tranquila e entendível. Recomendo que leiam, principalmente para conhecer o Fyodor sem um baque inicial, como eu tive, ao tentar ler "Crime e Castigo" como meu primeiro livro do homem. Vai ser uma leitura leve e como meus amigos dizem "eu consigo ler em uma tarde" o que é verdade se você não tiver nada para fazer e não marcar cada MÍSERO DETALHE do livro como eu fiz.

Uma pena a reunião ainda não ter acontecido e desculpa por estar postando isso um dia atrasada, eu tive compromissos e não pude postar na hora, porém estou sendo fiel a minha promessa de postar quinzenalmente. Por favor deixem comentários (minimamente agradáveis eu sou uma pessoa e os outros também) com demais sugestões de coisas para eu escrever e se gostaram do blog. Até semana semana que vem!!
























Beijosssss, Dorothea <3

sábado, 4 de julho de 2026

Comer barata pode ser uma metáfora para a autofagia como metáfora para o renascer após o autoconhecimento? Uma análise de "A Paixão Segundo GH" de Clarice Lispector, uma obra sobre ser mulher

 "A paixão segundo GH" por Clarice Lispector 


Eu tive de ter esse livro para a escola, então não foi uma escolha muito orgânica de leitura, porém, eu realmente gostei muito do livro e me conectei de uma maneira absurda com a história. Esse é o meu primeiro livro da Clarice Lispector, muita gente me disse que eu começar logo com algo tão confuso e subjetivo quanto esse livro, porém, realmente foi uma experiência e eu amei a escrita de Clarice, para mim, ela deveria ter mais título do que Machado de Assis ( todo o meu ódio a você), porque a Clarice em si sabe escrever muito bem, Pelo modo em que esse livro é escrito, como um grande monólogo psicológico e pessoalmente psicodélico, a minha review vai mesclar a história com meus comentários e interpretações pessoais do decorrer da história.


O livro em si segue uma história muito simples: Temos a nossa protagonista, que se chama por GH que também é a narradora desta história ( em primeira pessoa a história é, por mais de que não goste disso); ela é uma mulher rica e carioca nos meados dos anos 50 ou 60, mora em um bom local no Rio de Janeiro e trabalha como escultora plástica, tendo muito tempo livre e aparentemente uma vida tranquila. 

A narrativa se inicia com ela indo até o quarto de sua antiga empregada, que tinha acabado de despedir, GH soa melancólica e a narrativa deixa a entender que alguma coisa estava ocorrendo antes do início da história, pois o modo com que GH anda por sua casa e se porta de maneira triste e melancólica, como se algo tivesse acabado, como se algo tivesse faltante. Quando GH, que é obcecada com limpeza está andando até o quarto, agora vago, de sua empregada, ela julga que estaria imundo, coisa que, surpreendentemente para ela, não está, por outro lado, o cômodo parece limpo e arrumado como um cômodo de loja; nossa protagonista fica muito surpresa, e começa a andar pelo quarto, pensando como ela irá deixar ele vago para sua próxima empregada, ela menciona como gosta de limpar e como vai pintar as paredes e limpar aquele cômodo com água e sabão. Enquanto ela está andando pelo cômodo, GH encontra um desenho na parede, supostamente feito pela empregada, que retrataria uma mulher, um homem e um cachorro, algo que perturba GH profundamente, uma vez que ela interpreta que a mulher na pintura seria a própria GH, e soava como uma afronta que alguém a desenhasse com um homem. Desconfortos a parte, GH decide que abrirá o pequeno armário do quarto, ao olhar para dentro do móvel ela vê a personagem principal, comparável apenas ao Tifenmesser de "Das Boot", GH dá de cara com uma barata. GH morre de medo, nojo, repulsa e todos os sentimentos ruins, da barata, depois de segundos de tensão, nossa heroína fecha a porta do armário na barata, a matando e a cortando ao meio. Ao ver o corpo bipartido da barata, com suas entranhas vazando na porta do armário, GH entra em uma epifania, um surto, e começa a pensar sobre a sua existência e sobre tudo que havia passado até agora, ela começa a pensar sobre o que é viver, o que é existir, o que ela significa, quem ela é. 

Deste momento para frente na narrativa monológica de GH, entramos em sua psiquê, de forma cada vez mais espiritual e amalgamante, com comparações entre ela mesma e a barata, GH descende a loucura em uma jornada de conhecer a si mesma, dando a nós, leitores, uma imagem inicialmente externa, como a de uma amiga ou de um leitor mesmo, que a cada momento torna-se mais e mais voltada a um alguém, ao longo de sua narrativa, temos uma transição gradual de um grande monólogo de pensamentos a um diálogo, ou carta a alguém. Em seus devaneios de loucura, semelhante àqueles que se tem na calada da noite, em um banho longo, em uma viagem comprida, após uma situação difícil, GH cita algumas vezes, não muitas para ser constante, mas suficiente para formar uma trilha a olhos atentos e críticos, a figura de um "homem amado", ou "amor que eu não sabia", demonstrando que, muito possivelmente havia alguém ali, um homem, que por algum motivo a deixou, um homem que ela parecia amar, que ela parece se arrepender de "perder" ou sentir falta ao longo de seus monólogos; ao juntar estes indícios com a informação de que GH teve um aborto, que a que tudo indica não fora desejado por ela, uma vez que ela lamenta não ter filhos e se culpa por perder, ou "matar" aquele, não deixando claro se ela teve um aborto espontâneo ou se fez um aborto induzido, talvez a pedido deste homem, talvez afim de manter sua face perante a sociedade. GH conta, bem ao começo do livro e bem ao final, enquanto questiona quem é, de diversas formas e visões, que vivia sobre o que os outros achavam que ela era, ainda que a própria não soubesse quem era, quem deveria ser; GH parece presa a uma visão de GH esculpida por ela mesma, moldada aos padrões de suas belíssimas performances, ao longo da história, ela vai se soltando destas amarras, se misturando e se moldando em algo que seria si mesma de verdade.

É verdade, GH realmente come a barata, na realidade, ela está em um estado de transe perigoso e que a aprisiona naquele quarto, sua única forma de sair sendo seus devaneios, ainda que ela é livre a simplesmente sair, toda a transformação de GH, que vai se consumindo, é belíssima e um tanto psicodélica, uma grande mistura dela com aquela barata, o simbolismo do desconforto e de tudo que existiria de mais infeliz em GH, na minha visão, ela ter comido a barata, e cuspido, vomitado, depois e antes, significa que ela consumiu suas partes sombrias e nojentas, as aceitando como parte de si, ainda que as rejeitasse logo após. Em sua trajetória, GH se desmantela até sobrar um fiapo de si e se refaz novamente, questionando a tudo e buscando sua própria visão de ser. A narrativa toda, com suas metáforas, referências, comentários e frases quase sorteadas sem nexo aparente, que soam como "Paprika" (O filme) ou alguma coisa dita por um louco em seus episódios, lembram da loucura própria e o questionar sobre si, representando o cerne da experiência de ser uma mulher. Muitos podem discordar de mim nesta colocação, e provavelmente muitos de vocês vão, porém, para mim, todo esse livro soa muito feminino, é sobre o que é ser e pensar como uma mulher, representando um surto de humanidade que se tem ao viver por muito tempo como um não-humano, não desumano, não-humano, como ela mesma diz; em minha opinião, não há nada que represente melhor essa busca da humanidade em meio a não humanidade do que a busca da identidade e do ser quando se é uma mulher, o neutro da vida, a matéria viva e as milhares de referências a fertilidade e a ovários e a intimidade que este livro traz por meio dos devaneios e monólogo de GH confirmam para mim que este livro é sobre ser mulher e descobrir sua liberdade como uma.

Arrisco eu a dizer que GH só pode conhecer quem ela é, deixando a sua mania de limpeza de lado, uma vez que ela não toma banho o dia todo, após se livrar daquele homem e encontrar aquela barata, que foi seu inferno para chegar ao paraíso, que também é seu inferno, A jornada de Liberdade e entendimento de GH, que não possui um nome definido, uma aparência definida e nem mesmo idade, dando a ela um caráter de imortalidade e transitividade, é uma jornada que se encaixa para todos que leem esse livro, essa história nos convida, como me convidou, a fazer uma jornada por nossas entranhas, puxar tudo pra fora e nos organizar novamente, como se fôssemos argila a ser moldada por nós mesmos, sobre nossos moldes e ideias. 

Não julgo esta como uma leitura difícil, assim como não julgo, por outro lado, esta como uma leitura leve, eu mesma tive de parar inúmeras vezes, por não estar em boas condições mentais para entrar nesta loucura junto a ela, esse livro é como comer polvo, é bizarramente prazeroso, porém estranho e esquisito da primeira vez que se come (eu só realmente gosto de comer polvo). Ter sido esse meu primeiro contato com Clarice me faz absurdamente feliz, eu quero ler mais de suas obras, porém, recomendo uma leitura calma e com pausas, este livro não é pra qualquer um, pois ele é lido com a alma, e não com sua mente, então se não conseguir ler, não é por falta sua, é apenas um limite respeitoso para si mesmo.

A parte dos meus comentários vai ficar faltando de forma separada, porque eles estão na história, não tenho como contar uma história complexa dessas em uma página sem sair do tema, então o melhor a se fazer é ler o livro. Sobre minhas reviews mais bobinhas, elas estão dando espaço para estas sérias porque eu estou lendo muitos livros sérios por diversos motivos, mas juro que tentarei postar mais coisas bobas para equilibrar o clima pesado, e bissemanalmente!! Vou tentar postar uma vez a cada 15 dias, por favor tenham paciência. Mas então é isso, leiam o livro, cuidem da saúde mental de vocês e nos vemos semana-semana que vem!!



























Beijosssss, Dorothea<333


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Morreu, morreu agorinha. Uma análise de A Morte de Ivan Illich e sobre mortalidade em geral

 "A Morte de Ivan Illich" por Liev Tolstoi 


A história de como é porque eu li esse livro é bem engraçada. Começa que uma de minhas amigas, que vou chamar de B, pegou esse livro na biblioteca, e outras duas amigas minhas, que vou chamar de MS e MR, vendo que a B estava com o livro, resolveram lê-lo também, pois tinham o livro (inclusive era o mesmo livro na mesma edição) em casa. Eu via as três lendo e fiquei com FOMO (fear of missing out, ou "vi todo mundo fazendo e me senti de fora", para meus leitores que desconhecem o termo), então marchei até o Sebo escutando um bom visual kei e comprei uma edição jurássica e lindíssima do livro por incríveis R$49,90 (ou nada, porque eu tenho vale do Sebo de tanto livro que eu levo pra lá), que vem com essa e outras duas histórias do mesmo autor, as quais eu ainda não li, e provavelmente lerei daqui a uns dois anos.

O livro segue assim:


Acompanhamos Ivan Illich, que já nas primeiras páginas é dado como morto, gerando uma conversa importante entre seus amigos e colegas de trabalho, os quais cobiçam a posição, agora vaga, de Ivan no trabalho, e pensam um pouco sobre a mortalidade, como fazemos todos quando sabemos que alguém próximo morreu. Um destes amigos, Pietr, que conhecia Ivan da faculdade de Direito, vai a casa do morto, em seu velório, aparentemente, ele vai por obrigação social e não por sentir falta do amigo. Ao ver o morto, ele fica assustado, meio sem saber o que fazer, ao falar com a viúva de Ivan, também não sabe o que fazer, logo, Pietr vai embora do velório com um outro conhecido. A partir da partida desse amigo, seguimos para conhecer a vida de Ivan até a sua morte, em TERCEIRA PESSOA. Nós é contado como fora a infância de Ivan, que parecia ter sido bem tranquila e até aristocrática, pois seu pai, Iliya, que era um homem vazio e comum em termos de pessoa, tinha um bom cargo e dinheiro. Ivan era um garoto comum e normal, o filho do meio que, inspirado em seu pai, segue uma carreira juridica, como promotor ou juiz (eu realmente não entendi muito bem o que ele faz, mas leis.); Ivan vai pra faculdade (ou escola técnica) de direito, onde ele conhece Pietr e se tornam amigos, e começa a mapear como vai ser a sua vida dali para frente, que é, comum e tranquila. Ao se formar, o pai lhe arranja um cargo como juiz de algum lugar, que ele vai sem pestanejar e segue sua vidinha de ser tranquilo e aparências boas para a sociedade, ele se muda deste local para um outro local mais afastado, onde encontra quem futuramente seria sua esposa, uma mulher de família rica, com bom dote e uma aparência (social e física) boa chamada Prascóvia; Ivan se casa com ela, não por amor, e sim porque ele sentia que deveria casar (palavras do próprio Ivan) e começa a seguir sua vida, agora casado.

Seu matrimônio é infeliz, Ivan se sente sufocado pela esposa, começando até a ter ódio e ressentimento da mesma, e busca a fuga dela no trabalho, cumprindo com ela, apenas o dever de gerar um filho, ou no caso deles, dois, Lisa e Vladimir, sendo a primeira a mais velha e o segundo o mais novo, que ainda está na escola. Ele nunca demonstra gostar destas crianças ou ter alguém sentimento por elas, na realidade, quase não se sabe o nome dos dois se não no final do livro. Ivan, um dia, acaba infeliz com seu trabalho, pois havia sido rebaixado de cargo, então, ele busca um cargo melhor, e a família se muda para São Petesburgo, pois agora, Ivan é um oficial importante da Corte da Justiça; ele vai antes da família, compra uma casa e manda mobiliar ela inteirinha, não parece fazer com gosto, que não para mostrar seu poder. Enquanto mobília a casa, Ivan acaba caindo e se machuca, mas não dá importância a essa queda e machucado, e apenas leva a família para a casa, esposa e filhos ficam deslumbrados, pois Ivan havia dito que a casa era pior para os dar essa surpresa, e mais uma vez, segue a vida burguesa rica russa comum para a família. O problema se inicia com a queda de Ivan, seu machucado acaba por evoluir e evoluir, até que ele não suporta mais a dor, vai ao médico, nada resolve, a outro médico, nada resolve, e a dor começa a aumentar e aumentar, ele tenta ignorar, tomando os remédios e se afundando no seu porto seguro, o trabalho, porém essa dor, que logo se torna uma doença, começa a consumir Ivan. Logo, Ivan está de cama, cada vez mais incapaz, cada vez mais miserável e melancólico, ao ficar doente, Ivan começa a se ver como um estorvo e perde as esperanças a cada dia que se passa, ficando sempre fraco e com dor; em certo momento, Ivan nota que a morte se aproxima de si, ela o espreita e isso o apavora, então, acompanhamos Ivan em seus pensamentos, desejando viver e se perguntando o por que de desejar isso, até que chega na conclusão de que não tinha porque viver, e que não tinha feito nada em sua vida. A doença só aumenta e aumenta, aparentemente, sua esposa não dá ouvidos ou se importa com o estado de doença do marido, sua filha também não se importa, afinal, ela está sendo prometida a um homem, e deve se preocupar com isso, os únicos que, aparentemente, de importam com a doença de Ivan são seu filho e seu criado, um jovem cheio de vida, Gerassim, a quem Ivan é muito grato. Depois de muita agonia, berros por três dias e absurda melancolia, Ivan finalmente morre, sentindo como se tivesse se libertado da família e libertado a família dele, como um estorvo. E o livro acaba, pois voltamos a situação do começo.



O livro mostra bastante, na minha opinião, o que é morrer, em todos os sentidos, e como algumas pessoas já estão mortas antes de se quer morrerem. O Ivan, ou Vanya, porque eu acompanhei a vida dele e a morte, logo somos SIM amigos, é um homem absurdamente vazio, suas relações, com a família e com os amigos, com o trabalho e com a vida são vazias, simples, quase como um "dever a ser cumprido" (como apontaram minhas amigas, que eu achei pertinente), ele não ama sua esposa, nunca amou e, me atrevo a dizer, nunca chegou a se quer gostar dela, ele diz ter repulsa dela e ódio da mesma; não se sabe o nome de seus filhos até o meio do livro, ele não se importa com eles e nem parece gostar dos dois, os tratando apenas como continuação da sua linhagem, a filha, uma jovem nobre, muito semelhante a mãe, acaba por noivar com um homem por seu status, ela parece até gostar de seu noivo, e ele dela, porém isso é a demonstração de o quão rasa as relações destas pessoas são. O livro é bem Realista (as in Escola literária Realismo) em mostrar as relações dos personagens e a futilidade de todos, quando Ivan morre, seus "amigos" pensam sobre dinheiro, sobre cargo, mostrando como as pessoas o viam e como elas se relacionavam umas com as outras, nenhum deles se importa que Ivan morreu, eles apenas ficam meio pensativos sobre morrer, pois a morte de uma pessoa próxima te faz pensar sobre a morte de si e sobre o que é viver. 

Quando Vanya se pergunta sobre sua vida, e chega na conclusão que não tinha feito absolutamente nada de interessante, de importante, é um bom momento para notar que, A Morte de Ivan Illich não se trata ou se tratará da morte física dele, mas sim a morte total, Ivan não será imortal, pois ele não será lembrado, afinal não fez nada. Se me permitem, e eu sei que vocês me permitem pois esse é o meu blog e vocês amam que eu escreva, eu farei um pequeno hiato para explicar uma referência histórica aqui; no poema épico e velho para dedeu, "Epopéia de Gilgamesh/Gilgamés", quando ele (Gilgamesh), triste pela morte do seu AMADO companheiro Enkidu (sem "and they were roommates" aqui, o Gilgamesh chorou que nem a porcaria de uma VIÚVA com a morte do Enkidu), busca uma forma de tornar-se imortal, mas falha, pois não há uma maneira para um homem ser imortal, isso é, não morrer, notamos que a imortalidade, e por consequência a mortalidade, é muito além do corpo, Gilgamesh, voltando para casa, nota o que havia feito em sua cidade, Uruk, e chegamos a conclusão de que ele será sim imortal, pois todos nós nos lembraremos dele. Onde eu quero chegar com essa pequena referência histórica e literária, diferente de Gilgamesh, Ivan morreu sem deixar nada, ele nota que era um nada, um inútil, e que iria morrer e ser esquecido, pois até no trabalho, que ele dedicou tudo que tinha, ele será esquecido e substituído. A "morte estendida" de Ivan, isso é, a morte antes e depois dele de fato morrer, também contempla ele pensar que está morto ou não querer viver, apenas esperará para morrer; muitas vezes, pessoas doentes acabam por falecer pois não sentem vontade de lutar contra aquela doença, então apenas morrem, as vezes antes da morte de fato, e não importa o que se faça, não temos como mudar isso, a família de Ivan poderia querer que ele vivesse, mas ele mesmo não queria viver. 

Minhas amigas, MR e B, falaram, enquanto estávamos todas conversando sentadinhas numa canga no chão e comendo biscoitos, que Gerassim, o criado, poderia ser um contraponto para Ivan, pois Gerassim era jovem, cheio de vida e parecia realmente aproveitar sua vida, ele parecia dar significado a viver, algo que Ivan não fez, de acordo com elas, e eu concordo, ele era tudo o que o Ivan não era, e o fato de que o Ivan se agarra (emocionalmente) a ele em seu leito de morte, era como se ele projetasse em Gerassim a vida não vivida por si.


No fim, o livro é bem interessante e bom, nos faz pensar sobre o que é morrer, e notar o quanto a morte está perto e longe de todos nós, podemos morrer a qualquer momento, por coisas bobas como uma queda, por isso, é interessante que pensemos o que fizemos e se aproveitamos nossas vidas, é meio difícil aproveitar totalmente tudo, porque temos que fazer um bando de coisas que não gostamos, mas nunca se sabe quando se vai morrer. Recentemente, eu passei por algo parecido, a morte de alguém próximo, uma parente muito próxima, os detalhes serão mantidos por respeito a minha família e a vocês, que não merecem ficar tristes por assuntos sensíveis de uma garota aleatória na internet que possui um blog bobinho, porém, quando uma pessoa morre, a realização de que todos podemos morrer a qualquer momento bate em todos nós, e de repente, podemos viver mais, porque nunca sabemos quanto tempo temos. Agradeço a todos vocês por lerem o meu blog como parte da vida de vocês, desculpa pesar o clima, mas o livro permite pesar o clima um pouco mais.

Então é isso, o livro é bom, é rapidinho, pode-se ler em uma tarde (ou um dia se você não tiver mais o que fazer) e nos permite pensar bastante sobre muita coisa, lembre-se de ler em um momento de saúde mental boa, esse livro foi responsável por fazer um clube de leiturinha (que a foto do grupo no Whatsapp sou eu inclusive, algo muito engraçado) que tem mais membros agora, e eu (tentarei) postar sobre todos os livros que leremos. Caso tenham alguma sujestão de livro para eu falar sobre e para que a gente leia no clube, comente!























Beijos, Dorothea <333333

sábado, 23 de maio de 2026

QUAL O TAMANHO DO DRAGÃO??? Uma análise de Quarta Asa, porque eu estou sendo ameaçada/j (primeiro volume)

 "Quarta Asa", por Rebecca Yarros

Dos mortos eu ressurgi depois de cinco meses sem postar nada (amo que meus leitores não esperam muito de mim mesmo) porque eu estava, muito educadamente, com muita vontade (fui pseudo ameaçada) de postar aqui sobre esse livro. Na verdade, eu li esse livro no final do ano passado, a edição que eu usei é da minha amabilíssima amiga (kiss kiss for yuuuu) a qual pediu muito incessantemente para que eu postasse minhas opiniões sobre a história e do livro. Para terem todos uma noção, esse livro tem cerca de QUINHENTAS páginas, contadas todas em primeira pessoa, o que já marca um longo e desgastante sofrimento para uma pessoa exifgente como eu.


O livro segue a história de Violet Sorrengail, a filha de uma general muuuuuuuito importante em seu reino Basgiath (eu tive que ler o nome no google porque não lembro como escrever), o qual está em guerra a uns 400 anos com um outro país, chamado Poromiel, ambos pertencentes a um mesmo continente chamado Navarre, onde existem criaturas místicas como dragões, grifos e gente de cabelo pintado ao contrário. Tanto o exército de Basgiath quanto o de Poromiel usam dessas criaturas mágicas como força de batalha, por meio de um acordo, os de Basigath usam os dragões, e os de Poromiel usam Grifols, pois grifos e dragões também são inimigos naturais nesse mundo. 

Violet é a terceira filha desta general com um HISTORIADOR, que buscava alguns conhecimentos ocultos mas morreu pelo bem da narrativa, deixando Violet muito triste com a morte de seu pai. Originalmente, ela seguiria o caminho de seu pai, sendo uma escriba (historiadora), principalmente por conta de sua péssima condição física que a fazia ficar toda quebra por qualquer coisa (falta de beber leite perchance?), enquanto seus irmãos mais velhos, Mira e Brennan, seriam Cavaleiros (de dragão). Tudo bem tudo ótimo, até que Brennan morre, e Violet é forçada por sua mãe a entrar para a Academia de Guerra de Basgiath e se tornar uma cavaleira, mesmo que tenha treinado apenas TRÊS SEMANAS intensivamente. Mesmo com Mira e a própria Violet tentando argumentar que é impossível essa criança vitoriana sobreviver na Academia Militar, a mãe força, e Violet vai mesmo assim.

Violet entra, depois de passar pelo Parapeito, que nada mis é do que uma espécie de parede fininha que eles tem que passar para entrar e ver se sobrevivem por pura seleção natural, e acaba por chamar atenção de um misterioso aluno do terceiro ano, que começa a observa-la, e por conseguir uma amiga, que é simplesmente maravilhosa, porém tem um nome muito difícil (Rhiannon), porque Violet a ajudou a passar pelo parapeito. Além disto, neste ponto da história conhecemos o amigo de infância e antigo crush de Violet, Dain, filho de um general muito importante também, que está no segundo ano, e parece concordar com Violet e todos que ela não deveria estar ali. A história que se segue passa por todo o primeiro ano de Violet, onde ela descobre que, por mais CDf que seja, o teste médico e teste físico existem por um motivo para entrar no exército, que é, pessoas morrem e saber lutar é o básico. Neste meio tempo, descobrimos que o homem misterioso é Xaden Riorson (de acordo com minha amiga é Zaden que se fala), o filho de um líder revolucionário e atual líder da facção(?) grupo(?) conjunto(?) de outros filhos dos revolucionários, os quais, todos, odeiam a mãe de Violet, e por conseguinte, odeiam a Violet. O primeiro teste importante é o Circuito, que consiste em basicamente se jogar e escalar coisas para chegar numa arena para desfilar na frente dos dragões, que os escolherão (ou não) no Dia da Ceifa.

O que é importante para o início da história é o Dia da Ceifa, ele chega, e vão todos para a arena, se matar e tentar formar conexões com os dragões, briga, morte e sofrimento para lá, Violet acaba por salvar uma pequena dragão filhote de escamas douradas, do ataque de outros, sozinha, com pouquissima intervenção, proibida, de Xaden; essa pequena ajuda leva a Violet, não um mas DOIS dragões, essa pequena e um grande e ancestral, só tem dois problemas, Violet não consegue ficar no dragão sentada, e, agora ela está ligada a Xaden, pois seus dragões são casados, dando início a um futuro romance.

Dali em diante, Violet e Xanden começam a ficar mais próximos, em um enemies-to-lovers e muita tensão acumulada no ar, enquanto isso, Xaden manda seus "subordinados" treinarem Violet para que ela não morra de simples vento e possa lutar, pois a morte de Violet, que tem uma conexão com o dragão (Tairn), levaria a morte de Xaden, que tem conexão com a dragoa (Sgaeyl). Violet também começa a buscar mais conhecimento, pois seu pai havia lhe deixado um livro de contos folclóricos que não poderia ser achado em nenhum lugar, sem contar nos buracos e lacunas informacionais  sobre a guerra, por parte dos superiores. Quando ocorrem as olimpíadas de guerra ou seja lá o nome desse negócio, e a divisão de Xaden, a Quarta Asa, é mandada para um front muito distante, Violet descobre coisas que não deveria.


Eu já falei muito muito sobre o livro e não quero dar spoiler, principalmente do plot, que é bem legal e interessante, para eu ser realista, a criação de mundo é realmente muito boa e rica, não faltam informações e nada é muito repetitivo, toda a ideia das informações e de que "a historia é contada pelos vencedores" que o livro se embasa é realmente uma jogada de mestre muito bem escolhida e executada pela autora, além disto, alguns elementos folclóricos reais e referências de RPG foram ótimas de serem indentificadas e lidas, nenhuma reclamação em relação a isso. Agora...

O ROMANCE É UM PORRE!!!!!!!

Falando sério, o romance é horrível, porque além da protagonista ser uma chata pick-me-gal, que fala "AaIiN ComO Eu SOu bAiXInha UnU" e "nooooossa coitada de mim com meus ossos  frágeis que quebram e meu nojo a matança aiiii" tipo, GARORTA SE TOCA!! Principalmente quando é intercalado com "eu sou foda e foderástica e fodona" , é um comportamento indeciso e absurdamente enfuriante de se ler!! Adicionado a isso, o livro (e ela por conseguinte pois ELA é a narradora) fica o tempo todo martelando na nossa cabeça o quanto o Xaden é "bonito" e "atraente", quando na real ele só é padrão, sem sal ou pimenta, literalmente o Cara Bonito Bad-Boy Misterioso com passado Traumático que Controla as Sombra e que os músculos têm músculos™, sem nada de novo, literalmente mais do mesmo. Não entendam-me mal, amadas fãs do Xaden que querem me pegar de porrada na rua, ou fãs desse tipo de homem, eu não tenho nada contra MLs (Male Leads) desta forma, porém, com o modo em que são escritos e apresentados ao público, um exemplo bom deste tipo de personagem é o Sussenyos Sagad de Inimigo Imortal (review yet to come), que é EXATAMENTE esse tipo de personagem meio Bad-Boy, obscuro e misterioso, enquanto atraente, e olha que eu não o acho atraente, de ponto pessoal. O Xaden tem seus momentos de glória, mas overall ele é chato é um tipo de personagem que eu já vi um bilhão de vezes (até em yaoi!!!) e não me interesso, na verdade, eu viro a cara totalmente quando os vejo. Leitores, se me permitem um Rant, na realidade, eu tenho que dizer:

POR QUE NÃO EXISTEM MAGRELOS????

Como Ministra do Sindicato para Representações de Magrelos, e entusiasta de magrelos pálidos vara-pau esticados, basicamente uma versão com rosto e ikemen do Slenderman, tenho que escrever e deixar marcado nesse subterrâneo blog da internet, o quanto eu  desejo e necessito de interesses amorosos masculinos em livros como homens magrelos, e o fim dos homens musculosos, porque eles não são atraentes e nem têm apelo. Talvcez eu possa atestar que magrelos sejam uma classe ainda mais oprimida que meus amados Cientistas Loucos & Médicos Antiéticos (in fiction, socorro), os quais eu sonho como sendo interesses amorosos em algum livro que presta de Dark Roamance. De verdade, eu estou no mapa da fome :(((((

Me desviei e tangenciei o tema por um instante, porém, overall, o livro é bom péla sua criação de mudo, e eu li mais por ela e pela pressão das minhas amigas do que por puro interesse próprio; não é o tipo de livro que eu leria de maneira orgânica, porém, estou lendo o segundo volume, nem que seja para falar mal e chorar por pouca representação de magricelos, e quando eu acabar, postarei-o-o aqui


Então é isso, espero que tenham gostado!! Não prometo nada sobre postar, porém vou tentar fazer a boa e postar um tantinho mais.









Beijosssss, Dorothea<3

Demais postagens