sábado, 25 de julho de 2026

E quem não ama homens bonitos que fazem coisas inteligentes? Com um plus para alienígenas bonitinhos, uma análise/review de "Devoradores de Estrelas" o FILME (porque eu não li o livro) por apreciação ao Rocky e porque MUITA GENTE PEDIU

 "Devoradores de Estrelas" livro por Andy Weir e filme por Phil Lord e Christopher Miller


Me pediram em um comentário neste blog para eu fazer a digníssima review deste filme, e eu prometi que faria assim que assistisse o filme. Eu assisti o filme por pura e espontânea pressão social (mentira eu queria ver) de meu pai e meu melhor amigo, e vim fazer essa review assim que o filme acabou (obviamente depois de comunicar ao meu amigo que me indicou o filme e colocar minha breve opinião no Letterbox ). 

O filme e eu temos algumas histórias engraçadas e divertidas, sendo elas: a) quando o filme estava no cinema, eu tentei chamar o cara que eu estava afim na época para ver, ele me rejeitou e assistiu com outras pessoas, então eu não pude ver com ele; b) quando meu amigo me pediu para ver o filme depois de eu INFERNIZAR a vida dele para que ele assistisse 2001: Uma Odisseia no Espaço, eu fiz minha célebre pergunta: "tem homem bonito?" No que ele me responde com "Tem o Ryan Gosling cientista", o que já explicou tudo. 

Enfim enfim, depois de um tempão eu assisti ao filme e vim AQUI contar, a história é mais ou menos assim (em ordem cronológica de acontecimentos):


Nosso protagonista é Ryland Grace, um professor de Ciências do oitavo ano nos Estados Unidos que acaba sendo contactado por forças para-governamentais para resolver um problema sobre coisas que estão comendo o sol. Antes de ser professor do fundamental, Grace era um acadêmico, tendo até um doutorado em biologia molecular. Sua tese "Uma análise das suposições baseadas na água e recalibrações das espectativas para modelos evolutivos" (vocês vão ler isso rapidinho mas que nome enorme), comanda ao fato de que ele xingou alguém, o excluíram do círculo acadêmico, levando-o a tornar-se professor.

Recentemente, dentro da história, foi-se descoberto que haveria um rastro luminoso ligando o Sol e vênus, denominando "Linha de Petrova" em homenagem a cientista que teria o descoberto, Irina Petrova. Esse rastro luminoso é composto de milhares de microorganismos chamados, na história, de Astrofagos, tais microorganismos se alimentam de luz e energia, utilizando desta para se locomover (no filme, Ryland diz: " é como se eles se locomovessem por peidos"). Por conta de comerem luz, os Astrofagos estão comendo o sol, assim como comeram outras estrelas, o que significa a extinção de toda a vida ao diminuir a temperatura gradualmente.

É aí que Ryland entra, ele é chamado para descobrir o que é um Astrofago, coisa que ele faz com muita maestria, e até descobre como se reproduzem. Os Astrofagos se reproduzem em atmosferas cheias de CO2, por isso, estão migrando para Vênus. Com essa descoberta, cientistas de todo o globo podem produzir Astrofagos em massa, para que, então, eles possam usá-los de propulsão de uma Nave de exploração. 

Há uma estrela longe chamada Tau Ceti que, diferente das demais, não fora atingida pelos Astrofagos, gerando uma suspeita aos cientistas humanos. A dita nave é parte do Projeto Hail Mary (que dá nome ao filme em inglês), um projeto suicida de exploração de tal estrela para entender o por quê desta estrela em específico não ter sido contaminada. Originalmente, Ryland não é chamado para ir a expedição, porém continua fazendo seus experimentos sobre os Astrofagos, porém, com a explosão de uma parte das instalações e a morte dos astronautas que deveriam ser o cientista e o cientista reserva por conseguinte; então, Ryland é forçado a ir, induzem ele em coma e ele vai para essa missão.

Na nave, temos agora, além de Ryland, Olesya Ilyukhina, como engenheira, e Yao Li-Jie, como piloto, que estão mortos. Originalmente, Ryland estava em coma, assim que ele acorda, ele pula da maca, tossindo e confuso, sem saber o que está acontecendo, ele é o único sobrevivente, e acaba por descobrir isso. Sendo a única pessoa viva, ele toma conta dos cadáveres, os mandando boiar no espaço e começa a tentar lembrar o que ele está fazendo ali, enquanto carrega a missão para frente.

Andando pelo espaço com sua nave, cada vez mais perto da estrela, Ryland se encontra com outra nave, desconhecida e gigante, que parece persegui-lo. Depois de uma cena absurda de perseguição, a nave alienígena tenta comunicação, arremessando um objeto, que rechocheteia para o infinito, então manda um segundo, que é capturado com sucesso por Ryland. Ryland estuda esse objeto, descobrindo que é um canudo de Xenônio, que é um sólido agora, contendo um mapinha que parece um massageador de cabeça e uma outra coisa, Ryland remonta aquilo, apontando onde está a Terra e devolve ao alienígena. Essa comunicação continua até que uma ponte é formada entre as duas naves, permitindo a Ryland que chegue até a outra nave, onde conhecemos um alienígena com aparência de uma espécie de aranha de pedra, a quem Ryland nomeia como Rocky, por sua aparência próxima a de uma rocha. Rocky manda Ryland de volta a sua nave, e começa a girar em centrífuga junto a nave de Ryland, de modo a criar gravidade para que ele possa andar, Ryland volta a passarela e os dois começam uma comunicação. Rocky também dá a Ryland oxigênio nesta passarelinha, de forma em que ele não precisa ficar de roupa espacial.

Daí em diante, Ryland começa a tentar se comunicar com o alienígena, fazendo até um software para converter os ruídos de Rocky em língua comunicável. Com está conexão linguística feita, descobrimos que o planeta de Rocky também está sendo consumido pelos Astrofagos, e, pelos mesmo motivos, estava em uma expedição para Tau Ceti. Acabou que toda a tripulação da nave de Rocky também morreu, devido a radiação interestelar, e apenas ele sobreviveu, por conta dos Astrofagos. Unidos pela necessidade de salvar seus planetas e por estarem sozinhos meio a deriva, os dois começam a trabalhar juntos, criando altas conexões e teorias. Em algum momento, Rocky se muda para dentro da nave de Ryland, fazendo toda uma superestrutura e ajudando nosso cientista terráqueo a capturar alguns Astrofagos e sintetizar uma teoria de como acabar com eles, por meio de descobertas acidentais.

Na atmosfera de um planeta próximo, que fora nomeado de Adrian, em homenagem ao parceiro (gênero não específico) de Rocky, os dois descobrem a existência de um protozoário parasita capaz de matar os Astrofagos. Os dois, então, se juntam para pegar esses parasitas e são quase mortos no caminho pela atmosfera do planeta os puxando pra baixo. Com muito esforço, os dois sobrevivem, depois de quase morrerem e conseguem fazer protozoários suficientes para conter os Astrofagos em ambos os planetas, então, eles se separam e começam suas viagens de volta para suas casas, agora que Ryland tem mais combustível, graças a Rocky.

No meio da viagem de volta, Ryland nota que os protozoários escapam de suas cápsulas feitas de Xenonita, um material advindo de Rocky, que também compõe sua nave. Em um empasse entre voltar para casa e voltar para salvar Rocky, Ryland decide que mandará os protozoários, nomeados de Taumebas, para a Terra e voltará para salvar o amigo, e assim ele faz. Ryland volta até onde está a nave de Rocky, o salva e ambos se dirigem para o planeta deste, onde Ryland faz sua moradia.


Neste momento o filme acaba, mas, de acordo com meu amigo, que leu o livro, Ryland continua no planeta, chamado Eridia, vivendo junto a Rocky, até ficar bem velho. De acordo com esse mesmo amigo, há muitas mudanças do livro pro filme, como o Ryland ser mais quieto no livro, os outros astronautas, coitados, terem mais relevância, sabe-se mais sobre a vida na Terra de Ryland e a comandante do projeto, Eva, é mais fria e rígida, não têm as gravações, e o livro ser muito mais sobre os devaneios do Ryland. Eu não li o livro (amigo, se você quiser me emprestar eu estou aceitando, só se lembre que não verás esse livro pelo resto dos próximos 5 anos), então pra mim essas mudanças não têm muito peso.

Vamos ao que importa e o porquê de todos vocês terem lido essa parede de texto sobre um filme disponível no Prime Vídeo, a Minha Opinião.  Como entusiasta não só de magrelos mas de homens bonitos em geral, inclusive abrindo precedentes para um segundo manifesto me retratando corretamente de minhas preferências (incluído no final dessa review); eu tenho que dizer que fiquei muito feliz com a escolha e caracterização do Ryan Gosling como o Ryland Grace, eu não sei se está de acordo com o livro mas ele ficou lindo e eu prestei muito mais atenção no filme por esse motivo. Além disso, as camisetas e xícara com piadas de ciência foram simplesmente chief's kiss, eu juro para vocês, tenho quase todas elas salvas no meu carrinho ou lista de compras do Aliexpress para prontamente compra-las. Outra coisa que, na caracterização, me chamou muita atenção foi a resistência do óculos dele, gente, que coisa resistente, por favor me diga onde eu compro um igual, de preferência na cor vermelha, ou prata mesmo, para o meu pai (vou expor o homem aqui, mas o óculos dele está TODO REMENDADO). 

Fora da caracterização, muitas cenas me lembraram de 2001:Uma Odisseia no Espaço (tenho que fazer review disso, e um manifesto pro meu amorzinho HAL 9000), e eu achei simplesmente lindo. O software de fala também foi incrível e me trouxe boas risadas, me lembrou também de um jogo, Homicipher, no início quando o Ryland estava tentando formar as palavras de Rocky. Ah! Falando nele, um fofo, sim sim. O Rocky é super carismático e implica com Ryland, que implica de volta, de uma forma simplesmente perfeita , me pergunto se no livro também é assim. A cena em que ele comenta ter um parceiro (sem gênero definido, eles são meio hermafrodita ou assexuados) e que sente falta desse ser é simplesmente um amor, eu fiquei muito alegre e me identifiquei com o Ryland super solteiro. 

Pelo que me contaram, o livro e a ideia original eram mais sérios, eu realmente curti como foi feito, com mais alívios cômicos, afinal a ideia de ficar sozinho no espaço sem poder voltar pra casa é bem deprimente, e ninguém quer ligar um filme para ficar deprimido, então palmas pro Ryan Gosling por fazer isso ser bem mais divertido. A cena dos astronautas decidindo como queriam morrer é muito eu e meus amigos, porque eu genuinamente pergunto para as pessoas como elas desejam morrer, ser enterradas ou como planejam seu funeral, eu sou uma pessoa muito fúnebre desde bem cedo, então todos estão acostumados.



AAAAHHH!!! Me desculpem agora, eu aguentei o máximo que pude sem ser chata, mas eu não tenho mais o que dizer sem ser sobre o quanto o Ryland é lindíssimo, desculpe a todos!! (mentira vocês queriam isso não queriam)  Então, sem mais delongas, aqui vai meu manifesto pequenininho de retratação e contemplação, com muita exposição da minha pessoa, porém esse blog é super subterrâneo, então ninguém liga para isso, assim como a minha gramática super séria. Eu sei que quem liga pra minha gramática não vai ler isso então aqui vai.

A começar que eu devo pedir desculpas e me retratar pelas minhas palavras contra homens musculosos, porque o Ryland possui sim visivelmente músculos, PORÉM ele se trata de uma excessão a minha amada regra. Por um lado, palmas para minha amiga, que conseguiu que eu declarasse não ter amor apenas por magrelos, por outro lado, temos a excessão a regra, que se trata de Caras inteligentes da área acadêmica que são cientistas e/ou professores , esses caras me convencem e me ensinam qualquer coisa. Logo, quando eu coloquei meus olhos sobre Ryland professor do oitavo ano, eu pensei: "essas pessoas vão amar qualquer coisa que ele esteja lecionando por toda a vida" apenas porque, ele era um professor bonito, e eu posso colocar aqui minha hipótese comprovada por mim mesma que um professor bonito (pontos a mais se você tem uma queda por ele) faz uma matéria interessante por toda a vida (if you know you know).  

A continuar o filme, temos esse homem estupidamente inteligente todo atrapalhado durante a viagem, o que conta pontos para o arquétipo de patético (affectionate), que eu amo tanto tanto, então me tirou boas risadas e um questionamento sobre se eu queria um Ryland Grace ou se eu queria ser um Ryland Grace. No fim, a resposta é a segunda, porque, he's so meeeeee!!, Eu pensava por todo o filme e sorria muito feliz. Plus plus, ele é extremamente engraçadinho e me fez feliz e não deprimida.



Uma conclusão que eu cheguei agora que estou escrevendo esse blog e escutando música, é que a música "500 Miles" de Paul, Peter and Mary, realmente combina muito, recomendo que alguém que faça edits boas coloque essa música nas cenas em que o Ryland está super pensativo sobre a sua vida no início do filme. Por sinal, essas cenas que eu mencionei são super deprimentes, acho que eu choraria se visse essas edits, não as façam por favor.


Enfim!!! Falei muito, mas no fim eu gostaria de recomendar esse filme para vocês, é ótimo, é incrível, tem um cara bonito, tem muita coisa para gente inteligente e nerd e chata (autocrítica), o livro também parece bem técnico e interessante, e, curiosidade, é da mesma pessoa que escreveu "Perdido em Marte"! (Inclusive eu lembro da minha mãe ter esse livro quando eu era pequena e ela e meu pai eram casados o que significa MUUUITO tempo atrás) Então leiam ou assistam o filme!! 

Para todos que leram até aqui, deixem comentários com mais sugestões, e eu lerei elas, por favor sejam minimamente legais, não deixem comentários ruins, eu sou humana e os outros também. Eu cumpri minha promessa, então até semana-semana que vem!





















Beijos, Dorothea <33333

sábado, 4 de julho de 2026

Comer barata pode ser uma metáfora para a autofagia como metáfora para o renascer após o autoconhecimento? Uma análise de "A Paixão Segundo GH" de Clarice Lispector, uma obra sobre ser mulher

 "A paixão segundo GH" por Clarice Lispector 


Eu tive de ter esse livro para a escola, então não foi uma escolha muito orgânica de leitura, porém, eu realmente gostei muito do livro e me conectei de uma maneira absurda com a história. Esse é o meu primeiro livro da Clarice Lispector, muita gente me disse que eu começar logo com algo tão confuso e subjetivo quanto esse livro, porém, realmente foi uma experiência e eu amei a escrita de Clarice, para mim, ela deveria ter mais título do que Machado de Assis ( todo o meu ódio a você), porque a Clarice em si sabe escrever muito bem, Pelo modo em que esse livro é escrito, como um grande monólogo psicológico e pessoalmente psicodélico, a minha review vai mesclar a história com meus comentários e interpretações pessoais do decorrer da história.


O livro em si segue uma história muito simples: Temos a nossa protagonista, que se chama por GH que também é a narradora desta história ( em primeira pessoa a história é, por mais de que não goste disso); ela é uma mulher rica e carioca nos meados dos anos 50 ou 60, mora em um bom local no Rio de Janeiro e trabalha como escultora plástica, tendo muito tempo livre e aparentemente uma vida tranquila. 

A narrativa se inicia com ela indo até o quarto de sua antiga empregada, que tinha acabado de despedir, GH soa melancólica e a narrativa deixa a entender que alguma coisa estava ocorrendo antes do início da história, pois o modo com que GH anda por sua casa e se porta de maneira triste e melancólica, como se algo tivesse acabado, como se algo tivesse faltante. Quando GH, que é obcecada com limpeza está andando até o quarto, agora vago, de sua empregada, ela julga que estaria imundo, coisa que, surpreendentemente para ela, não está, por outro lado, o cômodo parece limpo e arrumado como um cômodo de loja; nossa protagonista fica muito surpresa, e começa a andar pelo quarto, pensando como ela irá deixar ele vago para sua próxima empregada, ela menciona como gosta de limpar e como vai pintar as paredes e limpar aquele cômodo com água e sabão. Enquanto ela está andando pelo cômodo, GH encontra um desenho na parede, supostamente feito pela empregada, que retrataria uma mulher, um homem e um cachorro, algo que perturba GH profundamente, uma vez que ela interpreta que a mulher na pintura seria a própria GH, e soava como uma afronta que alguém a desenhasse com um homem. Desconfortos a parte, GH decide que abrirá o pequeno armário do quarto, ao olhar para dentro do móvel ela vê a personagem principal, comparável apenas ao Tifenmesser de "Das Boot", GH dá de cara com uma barata. GH morre de medo, nojo, repulsa e todos os sentimentos ruins, da barata, depois de segundos de tensão, nossa heroína fecha a porta do armário na barata, a matando e a cortando ao meio. Ao ver o corpo bipartido da barata, com suas entranhas vazando na porta do armário, GH entra em uma epifania, um surto, e começa a pensar sobre a sua existência e sobre tudo que havia passado até agora, ela começa a pensar sobre o que é viver, o que é existir, o que ela significa, quem ela é. 

Deste momento para frente na narrativa monológica de GH, entramos em sua psiquê, de forma cada vez mais espiritual e amalgamante, com comparações entre ela mesma e a barata, GH descende a loucura em uma jornada de conhecer a si mesma, dando a nós, leitores, uma imagem inicialmente externa, como a de uma amiga ou de um leitor mesmo, que a cada momento torna-se mais e mais voltada a um alguém, ao longo de sua narrativa, temos uma transição gradual de um grande monólogo de pensamentos a um diálogo, ou carta a alguém. Em seus devaneios de loucura, semelhante àqueles que se tem na calada da noite, em um banho longo, em uma viagem comprida, após uma situação difícil, GH cita algumas vezes, não muitas para ser constante, mas suficiente para formar uma trilha a olhos atentos e críticos, a figura de um "homem amado", ou "amor que eu não sabia", demonstrando que, muito possivelmente havia alguém ali, um homem, que por algum motivo a deixou, um homem que ela parecia amar, que ela parece se arrepender de "perder" ou sentir falta ao longo de seus monólogos; ao juntar estes indícios com a informação de que GH teve um aborto, que a que tudo indica não fora desejado por ela, uma vez que ela lamenta não ter filhos e se culpa por perder, ou "matar" aquele, não deixando claro se ela teve um aborto espontâneo ou se fez um aborto induzido, talvez a pedido deste homem, talvez afim de manter sua face perante a sociedade. GH conta, bem ao começo do livro e bem ao final, enquanto questiona quem é, de diversas formas e visões, que vivia sobre o que os outros achavam que ela era, ainda que a própria não soubesse quem era, quem deveria ser; GH parece presa a uma visão de GH esculpida por ela mesma, moldada aos padrões de suas belíssimas performances, ao longo da história, ela vai se soltando destas amarras, se misturando e se moldando em algo que seria si mesma de verdade.

É verdade, GH realmente come a barata, na realidade, ela está em um estado de transe perigoso e que a aprisiona naquele quarto, sua única forma de sair sendo seus devaneios, ainda que ela é livre a simplesmente sair, toda a transformação de GH, que vai se consumindo, é belíssima e um tanto psicodélica, uma grande mistura dela com aquela barata, o simbolismo do desconforto e de tudo que existiria de mais infeliz em GH, na minha visão, ela ter comido a barata, e cuspido, vomitado, depois e antes, significa que ela consumiu suas partes sombrias e nojentas, as aceitando como parte de si, ainda que as rejeitasse logo após. Em sua trajetória, GH se desmantela até sobrar um fiapo de si e se refaz novamente, questionando a tudo e buscando sua própria visão de ser. A narrativa toda, com suas metáforas, referências, comentários e frases quase sorteadas sem nexo aparente, que soam como "Paprika" (O filme) ou alguma coisa dita por um louco em seus episódios, lembram da loucura própria e o questionar sobre si, representando o cerne da experiência de ser uma mulher. Muitos podem discordar de mim nesta colocação, e provavelmente muitos de vocês vão, porém, para mim, todo esse livro soa muito feminino, é sobre o que é ser e pensar como uma mulher, representando um surto de humanidade que se tem ao viver por muito tempo como um não-humano, não desumano, não-humano, como ela mesma diz; em minha opinião, não há nada que represente melhor essa busca da humanidade em meio a não humanidade do que a busca da identidade e do ser quando se é uma mulher, o neutro da vida, a matéria viva e as milhares de referências a fertilidade e a ovários e a intimidade que este livro traz por meio dos devaneios e monólogo de GH confirmam para mim que este livro é sobre ser mulher e descobrir sua liberdade como uma.

Arrisco eu a dizer que GH só pode conhecer quem ela é, deixando a sua mania de limpeza de lado, uma vez que ela não toma banho o dia todo, após se livrar daquele homem e encontrar aquela barata, que foi seu inferno para chegar ao paraíso, que também é seu inferno, A jornada de Liberdade e entendimento de GH, que não possui um nome definido, uma aparência definida e nem mesmo idade, dando a ela um caráter de imortalidade e transitividade, é uma jornada que se encaixa para todos que leem esse livro, essa história nos convida, como me convidou, a fazer uma jornada por nossas entranhas, puxar tudo pra fora e nos organizar novamente, como se fôssemos argila a ser moldada por nós mesmos, sobre nossos moldes e ideias. 

Não julgo esta como uma leitura difícil, assim como não julgo, por outro lado, esta como uma leitura leve, eu mesma tive de parar inúmeras vezes, por não estar em boas condições mentais para entrar nesta loucura junto a ela, esse livro é como comer polvo, é bizarramente prazeroso, porém estranho e esquisito da primeira vez que se come (eu só realmente gosto de comer polvo). Ter sido esse meu primeiro contato com Clarice me faz absurdamente feliz, eu quero ler mais de suas obras, porém, recomendo uma leitura calma e com pausas, este livro não é pra qualquer um, pois ele é lido com a alma, e não com sua mente, então se não conseguir ler, não é por falta sua, é apenas um limite respeitoso para si mesmo.

A parte dos meus comentários vai ficar faltando de forma separada, porque eles estão na história, não tenho como contar uma história complexa dessas em uma página sem sair do tema, então o melhor a se fazer é ler o livro. Sobre minhas reviews mais bobinhas, elas estão dando espaço para estas sérias porque eu estou lendo muitos livros sérios por diversos motivos, mas juro que tentarei postar mais coisas bobas para equilibrar o clima pesado, e bissemanalmente!! Vou tentar postar uma vez a cada 15 dias, por favor tenham paciência. Mas então é isso, leiam o livro, cuidem da saúde mental de vocês e nos vemos semana-semana que vem!!



























Beijosssss, Dorothea<333


destaque da semana

O meio acadêmico é uma grande fic e é obrigatório gostar de Star Wars, aparentemente. Analise de "A Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood, que por acaso tem um "a" no começo do nome

  " A  Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood  Depois de muitas reviews sérias e conceito, eu lhes trago uma postagem bobinha e bem á...

demais