domingo, 9 de agosto de 2026

Homem bobinho vê uma mulher pela primeira vez na vida e cria uma narrativa inteira na sua cabeça, no fim ele era apenas segunda opção, todos já passamos por isso uma vez na vida. Uma análise de "Noites Brancas", por Fyodor Dostoyevsky, e o russo patético

 "Noites Brancas: Memórias de um Sonhador" por Fyodor Dostoyevsky 


Sou diligente e cumpro minhas promessas, então, estou aqui mais um dia em mais uma semana para entregar meus posts a vocês. Mereço palmas, não mereço? Palmaspalmaspalmas

Brincadeiras a parte, mais uma vez, estou falando de um livro lido para o meu clube de leitura (que agora tem muito mais membros). Porém, como ainda não aconteceu a reunião, nós ainda não falamos sobre esse livro. Então todas as opiniões Serão totalmente minhas e minhas.

O livro tem, na minha edição, cento e doze páginas, porém, apenas noventa ou oitenta delas são para Noites Brancas, as outras são para uma outra história, que mais uma vez eu ainda não li (Caso estejam com dúvidas a edição é a da Penguin Companhia). A história, segue mais ou menos assim:

Seguimos o nosso protagonista sem nome, que é um pobre iludido morador de São Petesburgo. Ele não parece ter um trabalho, nem ser um estudante, apenas é um atoa com muito tempo livre. O período que se passa essa história, contada na visão dele mesmo (mais um livro em primeira pessoa, acho que eu só detesto romantasia mesmo), é um período do verão em que o sol não se põe totalmente, ficando naquela margem do quase poer que é lindíssima. De acordo com o protagonista, todos na cidade viajaram para suas casas de campo, e ele é deixado para vagar solitariamente pela cidade.

Em seus andarilhos solitários cheios de devaneios, ele encontra uma mocinha, chorando as margens de um rio, e tenta conversar com ela para saber o motivo de ela estar a chorar. A mocinha, porém, sai antes que ele possa fazer alguma coisa, e começa a fazer seu caminho de volta para casa (supostamente), deixando-o parado. Neste caminho, ela começa a ser seguida por um homem estranho, que é avistado pelo protagonista, que observava a garota estranha sair. Em um momento de cavalheirismo (o mínimo btw) ele corre até ela e rapidamente toma a sua mão, soltando ao entranho perseguidor um olhar de repreensão que o faz recuar para seu antigo caminho.

Nosso protagonista, então, começa a conversar com a jovem, que parece mais grata e confortável com ele do que assustada por um desconhecido estar segurando a mão dela no absoluto nada. O próprio protagonista pergunta porque ela não está assustada por ele, enquanto pedia desculpas incessantemente porque aparentemente aquela era a primeira vez em que ele tocava em uma mulher; ela apenas diz que ele não a perseguiu e a ajudou, logo é um bom homem. No fim, desse caminho para a casa da moça, os dois conversam e combinam, sobre a promessa de que o protagonista não se apaixonaria por ela, encontrar se mas margens do rio que se viram pela primeira vez.

O dia seguinte começa com os dois se encontrando na margem do mesmo rio, e começam a se apresentar e explicar quem eles são. A mocinha diz se chamar "Nastienka" e que mora com sua avó, uma senhora cega mas rígida com sua neta, que é uma garota travessa e jovem. Ela diz gostar de aprontar e sair, por isso sua avó a prende em casa, com um alfinete em seu vestido por horas e horas. Depois, Nastienka pergunta pelo nome e quem seria o protagonista, ele apenas diz ser um sonhador. Ele se apresenta como um "sonhador", alguém bobo e iludido, algo que a garota não acredita, o levando a iniciar seus devaneios sobre seus antigos sofrimentos. Ele diz que está sozinho e não consegue interagir muito bem com outras pessoas por falar demais sobre muitas coisas e ser meio sem jeito, contando sobre suas falhas de relacionamento. Nastienka ri junto ao homem e parece entender o lado dele, se divertindo em sua companhia, ainda que não saiba e nem tenha interesse aparente em saber seu nome.

Nastienka também conta de que sua avó é dona de uma casa, e aluga o quarto ou apartamento de cima, uma vez, a um ou dois anos, ela alugou para um homem jovem, por quem Nastienka acabou de apaixonando. Esse cara estava fazendo alguma faculdade, e tinha certo dinheiro, para levar Nastienka e sua avó a ópera algumas vezes, além de conversar com Nastienka algumas vezes. 

Ao longo do tempo ele deixa de conversar tanto com ela, e Nastienka, com medo de que ele se vá, principalmente perante aos comentários de sua avó, arruma sua malinha e corre até o quarto/apartamento do jovem, se declarando e chorando. O pobre coitado fica com pena dela e a abraça, dizendo que não conseguiria casar-se com ela naquele momento pois ele ainda era um estudante pobre, porém promete a ela que voltará em um ano e casará com ela. Nastienka aceita a proposta e volta para a casa, um pouco menos infeliz.

Nastienka, então, desengata a chorar e dizer que este homem havia voltado a pouco tempo, porém, até agora não havia a contactado ou buscado por ela, thus o porque de ela estar tão triste e chorando naquele dia. O protagonista, com o coração levemente partido pois ele havia se apaixonado pela Nastienka, propõe que ela mande uma carta ao homem amado, por meio de conhecidos que ela dizia ter. Nastienka fica muito feliz e começa a devaneiar junto ao protagonista de como escreverá a carta, os dois conversam e dialogam um pouco até que ela tira a carta, já escrita, de seu bolso e a  entrega para o protagonista. Ele faz uma piada e pega a carta, Nastienka, então, pede para que ele a entregue na casa de conhecidos para ela e o homem amado, algo que nosso protagonista concorda em fazer.

O dia seguinte chega, e ele, com pesar no coração, entrega a carta a família como pedido por Nastienka. Depois encara o céu e se entristece pela probabilidade de chover, e de não ver Nastienka caso chova. Não choveu e ele vai ao encontro de Nastienka mais uma vez, que se encontra alegre e feliz. O protagonista indaga a ela o motivo de sua felicidade e ela responde que está grata a ele por sua amizade e apoio com seus (de Nastienka) casos amorosos, sem que ele se apaixonasse por ela ou a incomodasse. Ela declara que o ama e que esperava que o homem amado fosse tão bom quanto ele é para ela, ainda que, talvez por ser jovem, não entenda o peso dessas palavras. O protagonista fica arrasado, porém se mantém calado perante a alegria de sua "amiga", que parece ansiosa pela chegada e possível resposta do homem amado.

Os dois acham que viram o dito homem, porém é um alarme falso, utilizado pelo protagonista, então, para dizer que entregara a carta como ela havia pedido, e de narrar sua vida pacata. Nastienka fica ansiosa e começa a reclamar sobre ele "não ter se apaixonado por ela". O barulho do relógio marcando onze horas corta a conversa dos dois, ela então, pede que o protagonista busque mais informações e a avise no dia seguinte sobre o que conseguir. Os dois se separam, Nastienka triste por não ver o amado, mas esperançosa para vê-lo no dia seguinte.

O quarto dia, e último chega, Nastienka está em cóleras, triste, pois seu amado não havia dado nem um sinal de existência. O protagonista a consola enquanto ela esbraveja a falta de respostas de seu amado e chora bastante, ele tenta a acalmar de todos os modos possíveis e até se declara para ela. Nastienka, confusa e triste, aceita os sentimentos dele e promete que desistirá do homem, que aparentemente a ignorou, para ficar com o protagonista, que parece ser uma boa pessoa. Os dois chegam até a planejar como viverão juntos, com Nastienka falando para ele se mudar para a pensão de sua avó para que os dois fiquem juntos e sejam felizes. Neste momento, porém, o homem amado de Nastienka chega, e todo o amor que deveria ser para o protagonista, volta ao dono original, deixando nosso sonhador extremamente arrasado.

A história termina com Nastienka pedindo mil desculpas e dizendo que amava o protagonista também, porém não tanto quanto ama aquele homem, eles ficam juntos e o protagonista volta para a casa, encarando sua tristeza.



Pra mim, o livro possui duas pessoas confusas e iludidas, o protagonista e a Nastienka. Ainda que, obviamente, a visão que nós temos dela não é a correta 100% porque o narrador não é confiável, ela parece com uma garota confusa, talvez por estar apaixonada e ansiosa pelo seu amor ser ou não ser correspondido. Assim, solto meu veredito sobre ela é que ela sabia SIM o que estava fazendo com o protagonista ao dar falsas esperanças para ele com palavras doces, e que ela o iludiu sim. Não que o protagonista seja um completo coitado, ele é um esquisito (fofo) e desconhece como é ser um adulto funcional, afinal ele também é mais velho do que a Nastienka, que é só uma adolescente de seus dezessete ou dezoito anos, e parece sempre muito ansioso e confuso, talvez ele seja apenas tímido e introvertido ou bobo. 

De toda forma, não acho justo como boa parte das sinopses desse livro só colocam ele como o apaixonado e iludido, quando ela também menciona e aparenta gostar dele, como apontado em inúmeras partes do livro. No final, os dois se mereciam e combinavam muito bem um com o outro, sendo genuinamente fofos e com o cheiro de um primeiro relacionamento, fadado a ser uma confusão.


Agora, para minha opinião menos séria e polêmica, que é o que todos estão esperando. O protagonista, que eu nomeei Pavel, porque ele parece um Pavel, é simplesmente um fofo!! Eu já falei milhões de milhares de vezes que gosto de homem patético bobo, plus por ele nunca ter falado com mulher. Ele é o cúmulo do homem patético quando acha que os desconhecidos que ele vê muitas vezes são amigos ou conhecidos silenciosos, ou que as casas falam com ele. O "Pavel" é tão fofinho e amável, desde a primeira palavra que ele falou eu o amei, me apaixonei por ele (?) e me identifiquei com ele. A Nastienka é muito forte e muito verdadeira ao dizer a ele que mulheres gostam de homens patéticos coitados, e que ele seria popular se tentasse falar com alguém. Eu garanto que as palavras de Nastienka seriam corretas, porque ele nem existe e nem falou comigo e eu já quero me casar com ele e ter doze filhos com ele, enchendo ele de beijinhos para parar com seus devaneios auto depreciativos. Se alguém conhecer um russo privet privet melancólico e contemplativo magrelo (porque o "Pavel" é um magrelo esse cara não pode ser nada menos do que um magrelo) por favor me avisar e dêem meu número, meu blog e meu twitter!

Saindo do meu amado – que a Nastienka não quis então eu quero – vamos falar da fofinha e perfeita Nastienka! Ela na verdade se chama Anastásia, afinal "Nastienka" é um apelido para o seu nome; aos não falantes de russo e leigos, ela se apresentar como "Nastienka" é equivalente a ela se apresentar como "Anastasiazinha", o que é bem vergonha alheia e até íntimo, uma vez que ela o faz chama-la de um apelido carinhoso, ignorando até mesmo a formalidade de Nome + Patronímio > Nome > forma curta > apelidinho; os dois são desconhecidos e deveriam usar o primeiro, como fazem em MUITAS OUTRAS OBRAS pessoas até MAIS PRÓXIMAS, é bem fofo e demonstra o quanto ela se conecta com ele. Tirando isso, a Anastásia (não sou amiga dela ainda, desculpem) é uma personagem muito fofa e uma das melhores representações de mocinha jovem que eu já li. A idade dela é bem próxima da minha e eu pude ver as minhas ações e vontades nas dela. Quando ela cita a avó, eu quase chorei, pois eu me lembrei da minha avó e senti falta dela. Obviamente, não sou tão atentada e confusa quanto a Anastásia, porém, eu certamente teria ficado amiga de um desconhecido meio patético e contado toda a minha vida, assim como esperaria pelo meu primeiro amor incessantemente; até porque eu já fiz exatamente o que a Anastásia fez, e me arrependo profundamente, mas é a vida (infelizmente não tive um final feliz, o cara me rejeitou). 


De toda forma, o livro é bem legal e rápido de se ler, a escrita é tranquila e entendível. Recomendo que leiam, principalmente para conhecer o Fyodor sem um baque inicial, como eu tive, ao tentar ler "Crime e Castigo" como meu primeiro livro do homem. Vai ser uma leitura leve e como meus amigos dizem "eu consigo ler em uma tarde" o que é verdade se você não tiver nada para fazer e não marcar cada MÍSERO DETALHE do livro como eu fiz.

Uma pena a reunião ainda não ter acontecido e desculpa por estar postando isso um dia atrasada, eu tive compromissos e não pude postar na hora, porém estou sendo fiel a minha promessa de postar quinzenalmente. Por favor deixem comentários (minimamente agradáveis eu sou uma pessoa e os outros também) com demais sugestões de coisas para eu escrever e se gostaram do blog. Até semana semana que vem!!
























Beijosssss, Dorothea <3

destaque da semana

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