sábado, 22 de agosto de 2026

O meio acadêmico é uma grande fic e é obrigatório gostar de Star Wars, aparentemente. Analise de "A Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood, que por acaso tem um "a" no começo do nome

 "A Hipótese do Amor" por Ali Hazelwood 


Depois de muitas reviews sérias e conceito, eu lhes trago uma postagem bobinha e bem água com açúcar, para poderem rir e se divertir lendo. Em homenagem à morte do Wattapad, aplicativo e site de fanfics mais amado pelo povo, eu lhes trago uma grande fanfic que com toda certeza não deveria ter se tornado um livro, "A Hipótese do Amor", conhecido no meu ciclo de amizades pelo infame capítulo 16.

A história de como eu comecei a ler esse livro é bem engraçada. Eu queria ler um livro de romance com um cientista, me recomendaram esse livro. Eu falei que veria pois não era o que eu estava procurando, porém, ao encontrar um livro muito péssimo em uma livraria – que eu queria comprar e não comprei pois era muito péssimo (dark romance não presta) – eu acabei comprando este aqui. A história segue basicamente assim:


Nossa protagonista é Olive Smith, uma coitada que está fazendo seu doutorado em biologia pela universidade de Stanford. Ela estava saindo com um cara chamado Jeremy, porém, notou que ele se dava melhor com sua amiga, a Ahn (não estou de zoeira, esse é o nome dela), e decidiu que seria melhor que os dois ficassem juntos. De forma a acalmar Ahn, sua melhor amiga, e dar certeza que a mesma não estaria sendo uma talarica fura-olho, Olive decide mentir que está saindo com alguém, tanto que nem poderia ir a algum lugar pois tinha um encontro. 

A verdade que não tinha encontro nenhum, e nem namorado, Olive estava mentindo, e usou deste tempinho para agilizar sua pesquisa. Quando ela avista a amiga no prédio da universidade, de modo a fazer com que sua mentira não escapasse, Olive tem a decisão mais sensata que um ser humano poderia ter, ela beija o primeiro cara que ela viu pela frente.

Como todo o livro de romance, esse cara não é qualquer cara, ele é, nesse caso, o jovem, rabugento e prodígio professor dela, Adam Carlsen, basicamente a única pessoa do planeta que ela desejaria não beijar. Olive, então, sente que será processada por assédio e importunação sexual, com toda a razão, e começa a tentar se desculpar e se explicar, dizendo que ela só quer fingir que está saindo com alguém para a amiga ficar tranquila e poder ficar com Jeremy. Para a sorte dela, Adam também precisa fingir ter uma namorada, para que ele continue sendo pago e tenha seus fundos descongelados, pois assim ele teria uma "desculpa" para continuar na Stanford. Unindo o útil com o (des)agradável, os dois concordam em ter um "namoro de mentirinha" até que seus objetivos se concretizem, eles concordam em saírem juntos em público as vezes para poderem entender qual a história que vão inventar e para que todos acreditem.

Namorando o professor, a vida de Olive começa a andar pelo lado profissional, mas azedar um pouco pelo lado pessoal, pois os demais estudantes começam a vê-la com mais olhos e cobrar dela suas insatisfações com Adam, a levando a confrontar ele sem motivos em várias ocasiões. No decorrer do tempo, os dois vão interagindo mais e se tornando mais próximos, eles chegam até a se apaixonar de verdade, porém não acreditam que o outro corresponde a seus sentimentos, então nunca falam.

Ao mesmo tempo que tudo isso está acontecendo, Olive está tentando conseguir uma pareceria com um famoso cientista da área, para que ela possa expandir sua pesquisa em câncer de pâncreas. Para a sorte dela, mais uma vez, o cientista, Tom Benton, aprova sua pesquisa e aceita ver a pesquisa da mesma quando visitar Stanford. Olive está super feliz e animada com essa notícia, se preocupando para fazer seu laboratório parecer perfeito e sua pesquisa incrível, a fim de que seja escolhida e continue a seguir com a pesquisa. Tom chega em Stanford, e Adam vai visitar um "antigo amigo", levando Olive junto, apenas para que ela descubra que o "amigo" é Tom e Tom descubra que a "namorada misteriosa" de Adam é Olive. Momentos meio constrangedores depois, os três começam a conversar e Tom parece mais e mais alinhado a seguir com a ajuda a pesquisa de Olive, deixando-a muito alegre e esperançosa.

Tudo parece ir bem para Olive, Ahn está feliz com Jeremy, Adam é gentil com ela e ela parece se apaixonar cada vez mais, sua pesquisa está andando a belíssimos passos, nada parecia dar errado. Até que dá, durante uma conferência, Tom a coloca contra a parede e a chama para sair com ele, de modo a que ele aceite trabalhar com ela. Olive recusa e diz estar com Adam, Tom ri e diz que não tem como ela subir na vida se "ela não dormir com alguém" pois sua pesquisa seria péssima, e mesmo que ela contasse a Adam, ele não acreditaria nela e nem ao menos a amava. Essas palavras, junto com as ações completamente invasivas de Tom, quebram o coração de Olive, que começa a se afastar e se afastar de Adam cada vez mais. Quem nota que Olive estava estranha é um de seus amigos, Malcom, que acaba escutando a gravação feita por ela de todo o ocorrido e a influência a falar com Adam. Olive não quer falar com ele, pois está com medo de perder tudo, inclusive Adam, mas acaba cedendo por pressão dos amigos (amém). 

Durante um jantar de Harvard, Olive interrompe tudo e mostra a gravação para Adam, que imediatamente acredita na namorada, confrontando Tom e desce o cacete nele a estilo invejável. Adam e Olive, no final, ficam juntos, pois descobrem que realmente se amam, Tom é expulso e todos ficam felizes, assim a história acaba.


Esse livro é bem água com açúcar e possui uma história muito fraca, quase não tendo grandes revelações, tanto que eu nem lembro as coisas que acontecem entre o que eu contei. No início, eu estava lendo de maneira séria, achando que seria uma boa história, coisa que me levou a muita tristeza e incapacidade de leitura, foi só quando eu comecei a ler isso como uma fanfic escrita por uma garota de 13 anos (coisa que não é, a mulher é uma cientista) que eu realmente me diverti.

A protagonista, Olive, é uma chata. Gostaria de deixar isso claro, ela é absurdamente genérica e insossa. A história de passado dela é literalmente: "sou uma garota sofrida minha mãe morreu e eu sou tão pobre que eu como ar UnU" o que é bem chato, principalmente somado ao fato de que o livro INTEIRO gosta muito de falar o quanto ela é pequena, feia, sem peito, sem substância, sem nada, ela é sem substância mas esse estereótipo de "ain Como sou baixinha" é absurdamente chato, principalmente quando, adivinha? ELA É MAIOR QUE EU! Sim, essa Vagabunda tem 1,70m de altura. Eu tenho 1,60m e só pareço pequena em comparação com meus amigos (porque eles são de países desenvolvidos e tiveram uma alimentação 1000x melhor do que a minha/j), e eu não fico falando sobre o quanto eu sou baixa.

Para completar essa planta chata, o interesse amoroso, Adam. Que homem chato. Além disso ele é feio, tipo, muito feio. Como todo ML de romance, ele é "forte e musculoso", mas não do tipo "forte para conquistar meio mundo e me carregar – uma pessoa não levinha – que nem um saco de batata" mas sim musculoso, o que é uma pena e uma grande perda para a sociedade e para a coerência, porque todos nós sabemos que apenas os professores e acadêmicos de física são fortes e atraentes assim. Ele tem a personalidade de um sapato, porque sofreu um tantinho na juventude, não tem amigos e é super frio, troupes que saturam quando se usa muito, e vai por mim, usam muito essas troupes nos livros de romance atuais. Claro, ele tem seus momentos de claridade em que ele parece minimamente uma pessoa boa, como confrontar o próprio amigo, aquele NOJENTO (sério, a cena dele com a Olive é nojenta e dá raiva real) a favor da namorada e o fato de ele só tentar ser um professor minimamente descente – ainda que aqui tenha outro problema, que é o fato de todo mundo chamar ele de monstro quando o cara é só um professor descente e rígido, algo que irrita – para seus estudantes, mais uma vez talvez ele pudesse brilhar se fosse melhor escrito.

Porém, toda essa falta de personalidade e o sentimento de que tudo que os dois fazem é para que encaixem romanticamente um com o outro é totalmente explicado por um simples fato:

O LIVRO É UMA FANFIC.

E nem é uma fanfic boa, de personagens bons, como "Anatomy of Eden" – não é bias só porque essa fanfic é sobre meu amado Zandik –, é uma fanfic reylo (Rey X Kaylo Ren). Esclarecendo para meus novos leitores, eu já mencionei que eu odeio esse shipp, o que significa que parcialmente eu queria vomitar toda vez que lembrava disso ou simplesmente eu rachava de rir quando contava a um amigo. Outra coisa que me vem ao ódio em relação a isso ser uma fanfic reylo, é que faz com que o ML seja o Adam Driver, quem eu NÃO acho bonito, para ser mais certeira, eu acho ele HORROROSO. Logo, todas as vezes que o livro mencionava o quão "bonito e atraente" o Adam (ambos) do livro era, eu queria vomitar e arremessar o livro na parede, isso aconteceu tanto que eu desenvolvi um ódio e repulsa pelo Adam Driver, tanto que se eu o ver em qualquer coisa, eu nem assisto mais, de tanto que eu o acho insuportável e feio.

Porém porém, por alguma razão, esse livro é absurdamente popular. Não estou de brincadeira quando digo que eu já emprestei esse livro umas duas ou três vezes para outras pessoas, que não só o leram muito rápido, como também mencionaram ama-lo. Eu não consigo entender o que as pessoas vêem nesse livro, ele é engraçado e tem algumas referências bem interessantes, como o Adam movendo uma caminhonete Edward Cullen Style, porém realmente não é nada de mais. Se eu pudesse escolher, eu diria para minha Eu do passado não gastar dinheiro com isso, ainda que eu saiba que ela não escutaria, afinal eu comprei (ganhei do meu amado amigo de aniversário) outro livro dela, que algum dia eu colocarei aqui para que vocês saibam minha opinião.

Uma última coisa que eu acho curiosa e pertinente de botar nesse post é que o personagem do Tom é baseado no marido real da atriz da Ren, e ele foi feito um vilão porque, segundo a autora e muitos fãs, ele "atrapalhava" o shipp dela com o Adam, porém, na adaptação do filme é ele quem faz o papel do Adam, o que tirou boas risadas do fandom como um todo. Realmente não posso reclamar sobre o fandom shippar os personagens e os atores porque isso também aconteceu no meu lado da internet. Vou falar melhor quando eu fizer a review da obra específica, porém, na adaptação de Dorama/live-action de uma novel famosa, o shipp dos personagens principais tornou-se tão popular que nós começamos a querer que os atores ficassem juntos, isso foi tão grande que eles nem podem mais interagir hahaha.


Como esse livro não tem muita história, não tem muito mais o que eu dizer e comentar, além de passar horas e horas explicando coisas que eu já mencionei antes, e eu não quero gastar meu amado latim nisso. Eu pensei muito sobre o quê postar essa semana, já que não terminei nada de interessante esses dias, além de estar totalmente consumida pela minha última obsessão. Porém, como eu sabia que ninguém aqui além de mim gostaria de ler um "Vida e Morte de Temüdjin" em pleno sábado, resolvi ter misericórdia de vocês e escolher esse livro, que é fácil e rápido de escrever sobre. Espero que vocês tenham gostado e tenham tido dessa grande fic que se tornou tão conhecida entre meus amigos, se tornando até uma piada interna para mencionar em conversas aleatórias.

Se vocês gostaram do livro, comprem ele, ou apenas me peçam emprestado, eu irei emprestar com todo o cuidado e alegria do mundo, e ele será ainda mais engraçado, porque vai contar com meus comentários, que segundo minhas amigas, são uma comédia a parte. Como sempre, deixem nos comentários recomendações do que eu posso falar no próximo post (como esse aqui, que foi pedido!), por favor, sejam minimamente legais, eu sou uma pessoa e os outros também, sem comentários ofensivos, apenas para o Adam Driver. E, se vocês quiserem me ouvir/ler falar da minha obsessão, deixem nos comentários.




















Beijosss, Dorothea <333

domingo, 9 de agosto de 2026

Homem bobinho vê uma mulher pela primeira vez na vida e cria uma narrativa inteira na sua cabeça, no fim ele era apenas segunda opção, todos já passamos por isso uma vez na vida. Uma análise de "Noites Brancas", por Fyodor Dostoyevsky, e o russo patético

 "Noites Brancas: Memórias de um Sonhador" por Fyodor Dostoyevsky 


Sou diligente e cumpro minhas promessas, então, estou aqui mais um dia em mais uma semana para entregar meus posts a vocês. Mereço palmas, não mereço? Palmaspalmaspalmas

Brincadeiras a parte, mais uma vez, estou falando de um livro lido para o meu clube de leitura (que agora tem muito mais membros). Porém, como ainda não aconteceu a reunião, nós ainda não falamos sobre esse livro. Então todas as opiniões Serão totalmente minhas e minhas.

O livro tem, na minha edição, cento e doze páginas, porém, apenas noventa ou oitenta delas são para Noites Brancas, as outras são para uma outra história, que mais uma vez eu ainda não li (Caso estejam com dúvidas a edição é a da Penguin Companhia). A história, segue mais ou menos assim:

Seguimos o nosso protagonista sem nome, que é um pobre iludido morador de São Petesburgo. Ele não parece ter um trabalho, nem ser um estudante, apenas é um atoa com muito tempo livre. O período que se passa essa história, contada na visão dele mesmo (mais um livro em primeira pessoa, acho que eu só detesto romantasia mesmo), é um período do verão em que o sol não se põe totalmente, ficando naquela margem do quase poer que é lindíssima. De acordo com o protagonista, todos na cidade viajaram para suas casas de campo, e ele é deixado para vagar solitariamente pela cidade.

Em seus andarilhos solitários cheios de devaneios, ele encontra uma mocinha, chorando as margens de um rio, e tenta conversar com ela para saber o motivo de ela estar a chorar. A mocinha, porém, sai antes que ele possa fazer alguma coisa, e começa a fazer seu caminho de volta para casa (supostamente), deixando-o parado. Neste caminho, ela começa a ser seguida por um homem estranho, que é avistado pelo protagonista, que observava a garota estranha sair. Em um momento de cavalheirismo (o mínimo btw) ele corre até ela e rapidamente toma a sua mão, soltando ao entranho perseguidor um olhar de repreensão que o faz recuar para seu antigo caminho.

Nosso protagonista, então, começa a conversar com a jovem, que parece mais grata e confortável com ele do que assustada por um desconhecido estar segurando a mão dela no absoluto nada. O próprio protagonista pergunta porque ela não está assustada por ele, enquanto pedia desculpas incessantemente porque aparentemente aquela era a primeira vez em que ele tocava em uma mulher; ela apenas diz que ele não a perseguiu e a ajudou, logo é um bom homem. No fim, desse caminho para a casa da moça, os dois conversam e combinam, sobre a promessa de que o protagonista não se apaixonaria por ela, encontrar se mas margens do rio que se viram pela primeira vez.

O dia seguinte começa com os dois se encontrando na margem do mesmo rio, e começam a se apresentar e explicar quem eles são. A mocinha diz se chamar "Nastienka" e que mora com sua avó, uma senhora cega mas rígida com sua neta, que é uma garota travessa e jovem. Ela diz gostar de aprontar e sair, por isso sua avó a prende em casa, com um alfinete em seu vestido por horas e horas. Depois, Nastienka pergunta pelo nome e quem seria o protagonista, ele apenas diz ser um sonhador. Ele se apresenta como um "sonhador", alguém bobo e iludido, algo que a garota não acredita, o levando a iniciar seus devaneios sobre seus antigos sofrimentos. Ele diz que está sozinho e não consegue interagir muito bem com outras pessoas por falar demais sobre muitas coisas e ser meio sem jeito, contando sobre suas falhas de relacionamento. Nastienka ri junto ao homem e parece entender o lado dele, se divertindo em sua companhia, ainda que não saiba e nem tenha interesse aparente em saber seu nome.

Nastienka também conta de que sua avó é dona de uma casa, e aluga o quarto ou apartamento de cima, uma vez, a um ou dois anos, ela alugou para um homem jovem, por quem Nastienka acabou de apaixonando. Esse cara estava fazendo alguma faculdade, e tinha certo dinheiro, para levar Nastienka e sua avó a ópera algumas vezes, além de conversar com Nastienka algumas vezes. 

Ao longo do tempo ele deixa de conversar tanto com ela, e Nastienka, com medo de que ele se vá, principalmente perante aos comentários de sua avó, arruma sua malinha e corre até o quarto/apartamento do jovem, se declarando e chorando. O pobre coitado fica com pena dela e a abraça, dizendo que não conseguiria casar-se com ela naquele momento pois ele ainda era um estudante pobre, porém promete a ela que voltará em um ano e casará com ela. Nastienka aceita a proposta e volta para a casa, um pouco menos infeliz.

Nastienka, então, desengata a chorar e dizer que este homem havia voltado a pouco tempo, porém, até agora não havia a contactado ou buscado por ela, thus o porque de ela estar tão triste e chorando naquele dia. O protagonista, com o coração levemente partido pois ele havia se apaixonado pela Nastienka, propõe que ela mande uma carta ao homem amado, por meio de conhecidos que ela dizia ter. Nastienka fica muito feliz e começa a devaneiar junto ao protagonista de como escreverá a carta, os dois conversam e dialogam um pouco até que ela tira a carta, já escrita, de seu bolso e a  entrega para o protagonista. Ele faz uma piada e pega a carta, Nastienka, então, pede para que ele a entregue na casa de conhecidos para ela e o homem amado, algo que nosso protagonista concorda em fazer.

O dia seguinte chega, e ele, com pesar no coração, entrega a carta a família como pedido por Nastienka. Depois encara o céu e se entristece pela probabilidade de chover, e de não ver Nastienka caso chova. Não choveu e ele vai ao encontro de Nastienka mais uma vez, que se encontra alegre e feliz. O protagonista indaga a ela o motivo de sua felicidade e ela responde que está grata a ele por sua amizade e apoio com seus (de Nastienka) casos amorosos, sem que ele se apaixonasse por ela ou a incomodasse. Ela declara que o ama e que esperava que o homem amado fosse tão bom quanto ele é para ela, ainda que, talvez por ser jovem, não entenda o peso dessas palavras. O protagonista fica arrasado, porém se mantém calado perante a alegria de sua "amiga", que parece ansiosa pela chegada e possível resposta do homem amado.

Os dois acham que viram o dito homem, porém é um alarme falso, utilizado pelo protagonista, então, para dizer que entregara a carta como ela havia pedido, e de narrar sua vida pacata. Nastienka fica ansiosa e começa a reclamar sobre ele "não ter se apaixonado por ela". O barulho do relógio marcando onze horas corta a conversa dos dois, ela então, pede que o protagonista busque mais informações e a avise no dia seguinte sobre o que conseguir. Os dois se separam, Nastienka triste por não ver o amado, mas esperançosa para vê-lo no dia seguinte.

O quarto dia, e último chega, Nastienka está em cóleras, triste, pois seu amado não havia dado nem um sinal de existência. O protagonista a consola enquanto ela esbraveja a falta de respostas de seu amado e chora bastante, ele tenta a acalmar de todos os modos possíveis e até se declara para ela. Nastienka, confusa e triste, aceita os sentimentos dele e promete que desistirá do homem, que aparentemente a ignorou, para ficar com o protagonista, que parece ser uma boa pessoa. Os dois chegam até a planejar como viverão juntos, com Nastienka falando para ele se mudar para a pensão de sua avó para que os dois fiquem juntos e sejam felizes. Neste momento, porém, o homem amado de Nastienka chega, e todo o amor que deveria ser para o protagonista, volta ao dono original, deixando nosso sonhador extremamente arrasado.

A história termina com Nastienka pedindo mil desculpas e dizendo que amava o protagonista também, porém não tanto quanto ama aquele homem, eles ficam juntos e o protagonista volta para a casa, encarando sua tristeza.



Pra mim, o livro possui duas pessoas confusas e iludidas, o protagonista e a Nastienka. Ainda que, obviamente, a visão que nós temos dela não é a correta 100% porque o narrador não é confiável, ela parece com uma garota confusa, talvez por estar apaixonada e ansiosa pelo seu amor ser ou não ser correspondido. Assim, solto meu veredito sobre ela é que ela sabia SIM o que estava fazendo com o protagonista ao dar falsas esperanças para ele com palavras doces, e que ela o iludiu sim. Não que o protagonista seja um completo coitado, ele é um esquisito (fofo) e desconhece como é ser um adulto funcional, afinal ele também é mais velho do que a Nastienka, que é só uma adolescente de seus dezessete ou dezoito anos, e parece sempre muito ansioso e confuso, talvez ele seja apenas tímido e introvertido ou bobo. 

De toda forma, não acho justo como boa parte das sinopses desse livro só colocam ele como o apaixonado e iludido, quando ela também menciona e aparenta gostar dele, como apontado em inúmeras partes do livro. No final, os dois se mereciam e combinavam muito bem um com o outro, sendo genuinamente fofos e com o cheiro de um primeiro relacionamento, fadado a ser uma confusão.


Agora, para minha opinião menos séria e polêmica, que é o que todos estão esperando. O protagonista, que eu nomeei Pavel, porque ele parece um Pavel, é simplesmente um fofo!! Eu já falei milhões de milhares de vezes que gosto de homem patético bobo, plus por ele nunca ter falado com mulher. Ele é o cúmulo do homem patético quando acha que os desconhecidos que ele vê muitas vezes são amigos ou conhecidos silenciosos, ou que as casas falam com ele. O "Pavel" é tão fofinho e amável, desde a primeira palavra que ele falou eu o amei, me apaixonei por ele (?) e me identifiquei com ele. A Nastienka é muito forte e muito verdadeira ao dizer a ele que mulheres gostam de homens patéticos coitados, e que ele seria popular se tentasse falar com alguém. Eu garanto que as palavras de Nastienka seriam corretas, porque ele nem existe e nem falou comigo e eu já quero me casar com ele e ter doze filhos com ele, enchendo ele de beijinhos para parar com seus devaneios auto depreciativos. Se alguém conhecer um russo privet privet melancólico e contemplativo magrelo (porque o "Pavel" é um magrelo esse cara não pode ser nada menos do que um magrelo) por favor me avisar e dêem meu número, meu blog e meu twitter!

Saindo do meu amado – que a Nastienka não quis então eu quero – vamos falar da fofinha e perfeita Nastienka! Ela na verdade se chama Anastásia, afinal "Nastienka" é um apelido para o seu nome; aos não falantes de russo e leigos, ela se apresentar como "Nastienka" é equivalente a ela se apresentar como "Anastasiazinha", o que é bem vergonha alheia e até íntimo, uma vez que ela o faz chama-la de um apelido carinhoso, ignorando até mesmo a formalidade de Nome + Patronímio > Nome > forma curta > apelidinho; os dois são desconhecidos e deveriam usar o primeiro, como fazem em MUITAS OUTRAS OBRAS pessoas até MAIS PRÓXIMAS, é bem fofo e demonstra o quanto ela se conecta com ele. Tirando isso, a Anastásia (não sou amiga dela ainda, desculpem) é uma personagem muito fofa e uma das melhores representações de mocinha jovem que eu já li. A idade dela é bem próxima da minha e eu pude ver as minhas ações e vontades nas dela. Quando ela cita a avó, eu quase chorei, pois eu me lembrei da minha avó e senti falta dela. Obviamente, não sou tão atentada e confusa quanto a Anastásia, porém, eu certamente teria ficado amiga de um desconhecido meio patético e contado toda a minha vida, assim como esperaria pelo meu primeiro amor incessantemente; até porque eu já fiz exatamente o que a Anastásia fez, e me arrependo profundamente, mas é a vida (infelizmente não tive um final feliz, o cara me rejeitou). 


De toda forma, o livro é bem legal e rápido de se ler, a escrita é tranquila e entendível. Recomendo que leiam, principalmente para conhecer o Fyodor sem um baque inicial, como eu tive, ao tentar ler "Crime e Castigo" como meu primeiro livro do homem. Vai ser uma leitura leve e como meus amigos dizem "eu consigo ler em uma tarde" o que é verdade se você não tiver nada para fazer e não marcar cada MÍSERO DETALHE do livro como eu fiz.

Uma pena a reunião ainda não ter acontecido e desculpa por estar postando isso um dia atrasada, eu tive compromissos e não pude postar na hora, porém estou sendo fiel a minha promessa de postar quinzenalmente. Por favor deixem comentários (minimamente agradáveis eu sou uma pessoa e os outros também) com demais sugestões de coisas para eu escrever e se gostaram do blog. Até semana semana que vem!!
























Beijosssss, Dorothea <3

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